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BANDA DESENHADA – EXPOSIÇÕES
A .BD é uma Arte. . exposição de Banda Desenhada, de Segunda a Sábado na Biblioteca Nacional, em Lisboa (até 6 de Dezembro).
Em paralelo, a partir de amanhã (e até 2 de Novembro), na Amadora (Escola Intercultural, Venda Nova), o 14º Festival Internacional de Banda Desenhada, com destaque para a BD no feminino (autoras, heroínas e outras personagens), em particular a americana e franco-belga.
P. S. Mais agradecimentos, ao Jornalismo e Comunicação, Crítico Musical e à Carla / Bomba Inteligente.
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CULTURGEST
A Culturgest (Lisboa) celebra 10 anos de produções, apresentações e co-produções, ciclos e conferências, filmes e conversas.
Em exposição, na Galeria 1, .Cara a Cara. (fotografia baseada em inovadoras estratégias visuais); na Galeria 2, .Quarto a Céu Aberto. (selecção de obras de Fernanda Fragateiro).
Iniciaram-se também as conversas .Óperas mal amadas do Século XX.. Dias 23 a 25, apresentação da ópera .Confessions of Zero. (juntando cinema, música e teatro).
Também a partir de 23, o ciclo de cinema .Cinema e Pensamento., com a primeira parte do filme .Sartre par lui même., de Alexandre Astruc e Michel Contat.
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“ADEUS, LENINE”
O retrato da RDA “ideal”. Um filme “histórico”; em Outubro de 1989, nas vésperas da comemoração dos 40 anos da República Democrática Alemã (a outrora famosa “DDR”), Mikhail Gorbatchov visita Berlim Leste, onde se encontra com o “camarada” Erich Honecker.
Passados alguns meses, recuperada de uma situação de coma, o filho oculta à mãe as radicais alterações entretanto ocorridas no país, “inventando” para ela um país ideal em lugar da mera “restituição” do país em que vivera.
A obsessão do filho transforma-o num coleccionador das memórias dos produtos e marcas desaparecidos com a queda do “Muro de Berlim” e do sistema totalitário que estava na sua base (desde os famosos Trabant, passando pelo café “Rondo”, até às conservas “Spreewald”).
O filme vem reavivar a nostalgia do leste (“Ostalgie”), cada vez mais objecto de análise por sociólogos, escritores e jornalistas, reconstruindo as memórias que foram como que “apagadas” na sequência da reunificação da Alemanha, em que houve uma procura de imitação de todos os aspectos da forma de vida “ocidental”.
A RDA, uma “ficção” criada pela ex-URSS na sequência da II Guerra Mundial, o “paraíso dos operários e camponeses” (os alemães de leste beneficiavam mesmo dos melhores padrões de qualidade de vida de entre os países do bloco comunista), uma “fábrica de campeões” (o desporto visto como um poderoso instrumento de propaganda) – mas também a “materialização” da visão negativa do “Big Brother” de George Orwell – ruiu como um “castelo de cartas” com a queda do “Muro de Berlim”.
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IMPERDÍVEL – ANTOLOGIA DE BANDA DESENHADA
A colecção que o Correio da Manhã começa a editar hoje, uma antologia da Banda Desenhada, em 20 livros, começando com Lucky Luke e continuando, nos próximos domingos, nomeadamente com Corto Maltese, Mafalda, Homem-Aranha, Super-Homem, Tintim, Tarzan, Batman, Moebius, Popeye e Flash Gordon. Para além de cerca de 200 páginas de histórias, cada livro incluirá ainda uma apresentação histórica das personagens, dos desenhadores e dos argumentistas.
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PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA
Acaba de ser atribuído o prémio Nobel da Literatura 2003 ao escritor sul-africano John Maxwell Coetzee, nascido na Cidade do Cabo em 1940, actualmente ligado à Universidade de Adelaide na Austrália.
O seu primeiro romance, publicado em 1974, .Dusklands., traça um paralelo entre os norte-americanos em combate no Vietname e os primeiros holandeses que se estabeleceram na África do Sul.
O autor, já duplamente premiado com o Booker Prize (com .Life and Times of Michael K., em 1980, e .Disgrace., em 1999), cuja obra tem por tema recorrente o antigo sistema de apartheid sul-africano, escreveu ainda os seguintes livros: .In the Heart of the Country. (1977), .Waiting for the Barbarians. (1980), .Foe. (1986), .White Writing. (1988), .Age of Iron. (1990), .Doubling the Point. (1992), .The Master of Petersburg. (1994), .Giving Offense: Essays on Censorship. (1996), .Boyhood : Scenes from Provincial Life. e .What is Realism?. (1997), .The Lives of Animals. (1999), .The Humanities in Africa. e .Stranger Shores: Essays, 1986.1999. (2001), .Youth. (2002) e, por fim, .Elizabeth Costello: Eight Lessons. (2003).
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CURIOSO!
Recebido por mail:
“De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, nao ipomtra a odrem plea qaul as lrteas de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma ttaol csãofnuo que vcoê pdoe anida ler sem gnderas pobrlmeas. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.
Cosiruo não?”
P. S. – Mais agradecimentos, ao Almocreve das Petas e ao 300 000.
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PESSOA E OS SEUS HETERÓNIMOS
Fernando Pessoa nasceu em Lisboa, no dia de Santo António de 1888, tendo, aos 8 anos, acompanhado os pais na sua ida para a África do Sul (Durban). Aos 15 anos, ganhou o prémio .Rainha Vitória de estilo inglês na Universidade do Cabo da Boa Esperança..
Regressou sozinho a Lisboa, em 1905. Passou a trabalhar como tradutor e .correspondente estrangeiro em casas comerciais., pois .ser poeta e escritor não constitui profissão, mas vocação.; colaborou ainda com uma agência publicitária, entre 1925 e o ano da sua morte, 1935.
Em 1915, fundou a revista Orpheu, com Mário de Sá Carneiro e Almada Negreiros; em 1917, é lançado o número único da .Portugal Futurista. e, em 1921, a .Contemporânea.. Em 1924, com Ruy Vaz, dirige a .Athena.; em 1927, escreve para a .Presença..
O único livro que publicou em vida foi a .Mensagem., conjunto de poemas dedicados aos heróis nacionais e ao papel de Portugal no mundo, que viria a ser premiado pela Secretaria de Estado da Propaganda.
Pessoa .viveu. também pelos seus heterónimos, de que se destacam:
– .Alberto Caeiro. nasceu em 1889 e morreu em 1915; nasceu em Lisboa, mas viveu praticamente toda a sua vida no campo; não teve profissão nem educação quase alguma, para além da instrução primária. Era de estatura média, e, embora frágil (morreu tuberculoso), não o parecia tanto; louro, sem cor, olhos azuis. Vivia com uma velha tia-avó. O mestre, guardador de rebanhos, era um filósofo.
– .Ricardo Reis. nasceu em 1887, no Porto, é médico, deslocado no Brasil desde 1919, devido às suas ideias monárquicas. É, muito ligeiramente, mais baixo, mais forte, mais seco, de um vago moreno. Educado num colégio de jesuítas, era um latinista por educação alheia e um semi-helenista por educação própria; cultiva Horácio e a tradição clássica.
– .Álvaro de Campos. nasceu em Tavira, em 1890, sendo engenheiro naval. É alto, magro, entre branco e moreno, vagamente do tipo de judeu português. Teve uma educação vulgar de liceu, tendo estudado engenharia na Escócia, primeiro mecânica e depois naval. O engenheiro futurista, cultor da máquina e do progresso, era o mais crítico.
P.S. Até sempre, Vítor Damas!
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“TABACARIA” – FERNANDO PESSOA
“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
…
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
…
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
…
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
…
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
…
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
…
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
…
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.”
Álvaro de Campos, 15-1-1928
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“QUINTO IMPÉRIO”
Na sequência da apresentação da “Mensagem”, deixo mais uma nota: o “Quinto Império”acontecerá em 2025, segundo conta Jorge Marques no seu livro “D. Sebastião morreu velho no México casado com uma índia”, obra recentemente editada pela Campo das Letras.
Nesta “ficção da história”, D. Sebastião, depois de perder a batalha, teria fugido, disfarçado de árabe, vivendo no palácio de um sultão, tendo sido aprisionado pelos espanhóis em Granada, sendo posteriormente pirata e companheiro de Francis Drake, acabando por se converter à cultura maia.
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LITERATURA NO LICEU
A propósito de literatura, dizia Pacheco Pereira há poucos dias: “Só para se perceber a diferença, e para não parecer que digo mal de tudo o que é francês, veja-se a lista de livros que um aluno de francês do equivalente ao 11o. ano português, tem como leituras obrigatórias este ano: de Shakespeare, Hamlet, Otelo, e Macbeth , a Metamorfose de Kafka, Andromaca de Racine, Escola das Mulheres de Moliére, Pierre e Jean de Maupassant, o Estrangeiro de Camus, Huis Clos e As Moscas de Sartre“.
Também é capaz de ser um “bocadinho demais” (!?) …
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