Posts filed under ‘Cultura, Artes e Letras’

CENTENÁRIOS (III) – AGOSTINHO DA SILVA

“São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem”.

George Agostinho Baptista da Silva, um dos mais paradoxais pensadores portugueses do século XX, dedicado à causa da cultura em português, prosseguindo a ideia de uma comunidade luso-afro-brasileira, nasceu no Porto a 13 de Fevereiro de 1906, tendo começado por viver em Barca d’Alva.

Concluiria a licenciatura em Filologia Clássica na Faculdade de Letras do Porto com a classificação máxima (20 valores), a que se seguiu o doutoramento com o “maior louvor”.

Desde cedo, os textos que publicou nas revistas “Labor” e “Seara Nova” afrontaram o poder estabelecido, tendo sido alvo de perseguição pelo Estado Novo (viria inclusivamente a ser detido no Aljube), sendo exonerado do ensino público, recorrendo à docência no ensino privado, ensinando Filosofia, Cultura Portuguesa e Direito, tendo discípulos como Mário Soares e Lagoa Henriques.

Entre 1937 e 1944, publicou cerca de 120 “cadernos de iniciação cultural”, abarcando temáticas desde a religião à arquitectura.

Viveu em França (onde estudou na Sorbonne), Espanha, Brasil (a partir de 1944, dando continuidade à sua missão de divulgação da língua e cultura portuguesas, participando na fundação de Universidades e Centros de estudo), Uruguai e Argentina.

Em 1958, adquiriria a cidadania brasileira, tendo representado o Brasil no Japão, Macau e em Timor. Em 1969, com a chegada da ditadura ao Brasil, regressaria a Portugal.

Integrou a Direcção do Centro de Estudos Latino-americanos da Universidade Técnica de Lisboa, e foi consultor do Instituto Cultura e Língua Portuguesa.

Chegaria ao grande público já na fase derradeira da sua vida, tornando-se uma “estrela” televisiva com a participação no programa “Conversas Vadias”, na RTP. Deixou-nos em 3 de Abril de 1994.

Da sua obra, destacam-se nomeadamente: Sentido histórico das civilizações clássicas (1929); A religião grega (1930); Glosas (1934); Sete cartas a um jovem filósofo (1945); Diário de Alcestes (1945); Moisés e outras páginas bíblicas (1945); Reflexão (1957); Um Fernando Pessoa (1959); As aproximações (1960); Educação de Portugal (1989); Do Agostinho em torno do Pessoa (1988).

3 Agosto, 2006 at 8:48 am Deixe um comentário

CENTENÁRIOS (II) – RÓMULO DE CARVALHO

Rómulo Vasco da Gama de Carvalho, um dos mais brilhantes criadores portugueses do século XX, nasceu em Lisboa em 24 de Novembro de 1906, obtendo a licenciatura em Ciências Físico-Químicas pela Universidade do Porto em 1931, para, no ano seguinte, se formar em Ciências Pedagógicas na Faculdade de Letras da mesma Universidade.

Foi professor (nos Liceus Camões e Pedro Nunes, em Lisboa, e D. João III, em Coimbra), pedagogo, cientista e historiador da ciência e da educação (publicou em 1986 a “História do Ensino Em Portugal”), tendo sido autor de diversos livros de divulgação científica (de que foram exemplo a “História do Telefone”, “História da Fotografia”, “História dos Balões”, “História da Electricidade Estática” e “História do Átomo, entre outras), para além de manuais escolares (entre 1953 e 1975), nomeadamente na área da Física, da Química, e das Ciências da Natureza.

Para além de homem da ciência, seria também um grande poeta, sob o pseudónimo de António Gedeão, tendo publicado o seu primeiro livro de poesia, “Movimento Perpétuo”, em 1956 (já com 50 anos), sendo autor de poemas como “A Pedra Filosofal” (um “hino ao sonho”, transformado numa incontornável referência do nosso imaginário colectivo, musicado e cantado por Manuel Freire) ou “Lágrima de Preta”. Para além da poesia, escreveria também para teatro e, posteriormente, dedicar-se-ia ainda ao ensaio e à ficção.

Em 1964, para comemorar o 4º Centenário do nascimento de Galileo Galilei, escreveu o “Poema para Galileo”, que foi traduzido para língua italiana e publicado pelo pelo Istituto Italiano di Cultura.

Em 1974, concluindo 40 anos de actividade docente, aposentou-se da Função Pública.

Em 1983 tornou-se Sócio da Academia das Ciências de Lisboa.

A 10 de junho de 1987 foi nomeado, pelo Presidente da República, Grande Oficial da Instrução Pública. A 17 de Dezembro de 1996, o Presidente da República atribuiu-lhe a Grã-Cruz da Ordem de Mérito de Santiago da Espada.

Em 1992, a Escola Secundária da Cova da Piedade adoptou como patrono o nome de António Gedeão.

Rómulo de Carvalho deixar-nos-ia em 19 de Fevereiro de 1997, com 90 anos; a sua obra perdurará.

“Pedra Filosofal”
(mais…)

2 Agosto, 2006 at 8:43 am Deixe um comentário

CENTENÁRIOS (I) – FERNANDO LOPES-GRAÇA

Fernando Lopes-Graça nasceu em Tomar a 17 de Dezembro de 1906, cidade onde, apenas com 14 anos, começou a trabalhar como pianista no Cine-Teatro local, procedendo ele próprio aos “arranjos” dos trechos que interpretava, tocando peças de Debussy e de compositores russos contemporâneos.

Em 1923, frequenta o Curso Superior do Conservatório de Lisboa; em 1927, frequenta a Classe de Virtuosidade, onde tem como professor o maior pianista português de todos os tempos: Mestre Viana da Motta (antigo aluno de Liszt).

Em 1931, conclui o Curso Superior de Composição com a mais alta classificação, concorrendo de seguida a professor do Conservatório, em piano e solfejo, o que lhe viria a ser vedado devido à sua oposição ao regime político, sendo inclusivamente preso e desterrado para Alpiarça.

Leccionaria na Academia de Música de Coimbra, vindo a colaborar na Revista “Presença”, um dos esteios da poesia em Portugal.

Em 1937 ganha uma bolsa de estudo para Paris, a qual contudo lhe seria igualmente recusada por motivos políticos. Não obstante, decide partir para França por conta própria, aproveitando para ampliar os seus conhecimentos musicais, estudando Composição e Orquestração com Koechlin.

Em 1938, a Maison de la Culture de Paris encomenda-lhe uma obra: «La fiévre du temps» (ballet-revue). Em 1939, com a II Guerra Mundial, alista-se no corpo de voluntários dos Amis de la République Française, colaborando também com exilados da Guerra Civil espanhola.

Após 3 anos em Paris, regressará a Portugal, desenvolvendo a sua actividade como compositor.

Em 1940, ganha o prémio de Composição do Círculo de Cultura Musical com o 1º Concerto para Piano e Orquestra, iniciando, em 1941, a sua acção na Academia de Amadores de Música, a convite de Tomás Borba. Em 1942, obtém o prémio do Círculo de Cultura Musical com a «História Trágico-Marítima» (poema de Miguel Torga). No ano de 1944, venceria novamente o Prémio de Composição do CCM com a «Sinfonia». Em 1945, seria dirigente do MUD.

Entretanto colabora também, de 1946 a 1949, na Revista “Seara Nova”. Também em 1949, integra o júri do Concurso Internacional Béla Bartók em Budapeste, sendo contudo impedido de sair do país.

Defensor da música tradicional portuguesa, realizou intenso trabalho na sua recolha e divulgação; dedicar-se-ia a pesquisas folclóricas, começando a trabalhar estreitamente com o etnólogo francês Michel Giacometti, percorrendo o país de lés a lés, recolhendo canções cantadas pelos camponeses, transmitidas oralmente de pais para filhos.

A partir de 1960, passa a viver na Parede (onde a Escola Secundária viria a receber o seu nome). Em 1961, edita com Michel Giacometti o 1º volume da Antologia de Música Regional Portuguesa; viriam mais tarde a editar o Cancioneiro Popular Português. Inicia de seguida o In Memoriam Béla Bartók (8 suites progressivas para piano) que viria a completar em 1975.

A par da sua vastíssima e extremamente diversificada produção vocal, escreveu música para piano e outros instrumentos, tais como guitarra e violino, música de câmara e música sinfónica.

Entre as mais valiosas, destacam-se: 11 Glosas; Para uma Criança que Vai Nascer; Bosquejos (para orquestra de arcos); o ciclo de canções As mãos e os Frutos; Canto de Amor e de Morte (para conjunto instrumental); Cantata Melodrama D. Duardos e Flérida; Concerto de Violoncelo, escrito a pedido do célebre violoncelista soviético Rostropovitch (por este interpretado em 1969); o Quarteto de Cordas, com o qual ganharia o Prémio Rainier III de Mónaco.

Viria a falecer a 27 de Novembro de 1994, na sua casa na Parede. Em 1995, seria editado pela Câmara de Cascais / Museu da Música Portuguesa o Catálogo do Espólio Musical de Lopes-Graça, um dos mais importantes compositores da história da música em Portugal.

1 Agosto, 2006 at 8:58 am Deixe um comentário

CENTENÁRIOS

O ano de 2006 é motivo de evocação do centenário do nascimento de alguns grandes vultos da história da arte, ciência e da cultura em Portugal: Fernando Lopes-Graça, Rómulo de Carvalho, Agostinho da Silva e Thomaz José de Mello (Tom).

Nos próximos dias (até final da semana), por aqui passarão algumas breves notas sobre as respectivas vida(s) e obra(s).

31 Julho, 2006 at 12:31 pm Deixe um comentário

CALOUSTE GULBENKIAN

Calouste Sarkis Gulbenkian nasceu em Scutari, Istambul, a 23 de Março de 1869, descendente de família arménia, historicamente dedicada ao mecenato das artes e a obras de beneficência.

Aos 22 anos, viajou pela Transcaucásia e visitou os campos petrolíferos de Baku. Numa época em que a importância estratégica e económica do Médio Oriente era desconhecida, Gulbenkian soube antecipar o valor das reservas de petróleo e mobilizar investidores internacionais, assim como o governo Otomano, para a necessidade de organizar racionalmente toda a exploração, participando na criação do Royal Dutch Shell Group, estabelecendo também relações com as indústrias petrolíferas americana e russa.

Em 1902, Calouste Gulbenkian adquire a nacionalidade britânica. Após o termo da I Guerra Mundial, seria nomeado representante comercial e diplomático da Pérsia em Paris – cargo que exerceria durante 24 anos.

Com o objectivo de explorar as reservas dos riquíssimos campos petrolíferos iraquianos, fora criada, em 1912, a Turkish Petroleum Company, detida pela Royal Dutch Shell (25%), pelo Banco Nacional da Turquia (35%), por interesses alemães (25%) e por Calouste Sarkis Gulbenkian (15%).

Em Abril de 1942, já em plena II Guerra Mundial, Calouste Gulbenkian, então com 73 anos, chegou a Portugal pela primeira vez, a convite do embaixador de Portugal em França, em trânsito para Nova Iorque. Contudo, vítima de doença, seria assistido pelo médico, Professor Fernando da Fonseca. Reconhecido pela forma como foi acolhido em Portugal, aqui estabeleceria residência (no Hotel Aviz), acabando por fixar-se definitivamente, até à sua morte, em 1955.

A paixão de Calouste Gulbenkian pela arte revelou-se desde muito cedo, tendo reunido ao longo da vida, beneficiando das suas inúmeras viagens, uma colecção muito ecléctica, única no mundo, compreendendo actualmente mais de 6000 peças, desde a Antiguidade até ao princípio do séc. XX. A sua colecção de pintura inclui obras de Bouts, Van der Weyden, Lochner, Cima de Conegliano, Carpaccio, Rubens, Van Dyck, Frans Hals, Rembrandt, Guardi, Gainsborough, Rommney, Lawrence, Fragonard, Corot, Renoir, Nattier, Boucher, Manet, Degas e Monet.

O seu sonho, de reunir sob um mesmo tecto todas as suas obras dispersas, acabaria por cumprir-se em Portugal em 1960; não obstante, apenas 14 anos após a sua morte seria inaugurado o Museu Calouste Gulbenkian.

Calouste Gulbenkian era um generoso filantropo, preocupando-se em ajudar os menos favorecidos, tendo protegido em particular as comunidades arménias.

No seu testamento (1953), legaria boa parte da sua fortuna à Fundação (uma das 12 maiores Fundações do mundo) que viria a ser instituída e oficialmente reconhecida um ano após o seu desaparecimento, a 18 de Julho de 1956, completam-se hoje 50 anos.

(via página da Fundação Calouste Gulbenkian)

18 Julho, 2006 at 12:32 pm Deixe um comentário

FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN – 50 ANOS

A Fundação Calouste Gulbenkian é uma instituição portuguesa de direito privado e utilidade pública, com sede em Lisboa, criada por disposição testamentária de Calouste Sarkis Gulbenkian, cujos estatutos foram aprovados pelo Estado português em 18 de Julho de 1956, tendo por fins estatutários a Arte, a Beneficência, a Ciência e a Educação.

Em 31 de Dezembro de 2005 o fundo de capital da Fundação ascendia a 2 756 milhões de euros, com a seguinte repartição: Arte (46 %), Beneficência (10 %), Ciência (16 %) e Educação (28 %).

As instalações da Sede e Museu foram inauguradas em 1969. Em 1983, foi inaugurado o Centro de Arte Moderna, o qual passou, desde 1993, a ser designado como Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão, em homenagem ao primeiro presidente da Fundação.

Para além do museu, que exibe parte da colecção de Arte Moderna e Contemporânea, o centro dispõe de uma galeria de exposições temporárias, de uma sala polivalente e de espaços para as actividades do Sector Educativo do Centro.

As actividades desenvolvidas directamente pela Fundação no campo da investigação científica e do ensino estão concentradas no Instituto Gulbenkian de Ciência, instalado em Oeiras, num campo científico constituído por diversos edifícios, junto ao Palácio dos Marqueses de Pombal.

A Fundação desenvolve uma vasta actividade em Portugal e no estrangeiro, através de actividades directas, subsídios e bolsas.

Dispõe de uma Orquestra e de um Coro que actuam ao longo do ano no âmbito de uma temporada regular; realiza exposições individuais e colectivas de artistas portugueses e estrangeiros; promove conferências internacionais, colóquios, cursos; distribui subsídios e concede bolsas de estudo para especializações e doutoramentos em Portugal e no estrangeiro; apoia programas e projectos de natureza científica, educacional e artística; desenvolve uma intensa actividade editorial, sobretudo através do seu plano de edições de manuais universitários; promove e estimula projectos de ajuda ao desenvolvimento com os países africanos de língua portuguesa e Timor-Leste; promove a cultura portuguesa no estrangeiro; desenvolve um programa de preservação dos testemunhos da presença portuguesa no mundo; e apoia as comunidades da diáspora arménia.

18 Julho, 2006 at 8:36 am Deixe um comentário

“PROCESSO DE BOLONHA" (IX)

Vantagens e Riscos do “Processo de Bolonha”

Não obstante, subsiste a possibilidade de o sistema de créditos e de mobilidade introduzido entre instituições poder vir a gerar heterogeneidade de qualificações entre os estudantes de um mesmo curso, frequentado em diferentes instituições ou países.

Existirá também o risco de uma tendência de saída “precoce” para o mercado de trabalho logo no final do primeiro ciclo de estudos, reduzindo o número de candidatos / alunos no segundo ciclo, traduzindo-se, por um lado, numa potencial diminuição das competências adquiridas (tendencialmente mais generalistas) e, por outro lado, numa possível situação de professores “excedentários”.

Poderá ainda defender-se que a Universidade não deverá ser entendida como uma “escola profissional”, pelo que o objectivo, nomeadamente do primeiro ciclo, não deveria ser, necessariamente, a de ministrar uma formação de base a que corresponda capacidade de exercício profissional, distinguindo-se entre empregabilidade (obtenção de um nível apropriado de qualificação) e profissionalização (preparação para saídas profissionais), nesse sentido, recomendando-se, sempre que possível, a realização de formação complementar (pelo menos, um ano adicional).

A qualificação obtida no final do primeiro ciclo poderá ser, por outro lado, assimilada – não ao actual conceito de licenciatura – mas ao grau de bacharelato, podendo de alguma forma “desacreditar” o nível da formação obtida, levando a que possa vir a ser entendida como uma formação “incompleta” – para além da “confusão” que se pode eventualmente vir a gerar em comparação com o grau atribuído por instituições de ensino superior não universitário.

Ou, de outra forma, e por fim, a atribuição do grau de licenciatura a uma formação de três anos poderá de alguma forma ser apercebida como uma “desvalorização” da qualificação obtida por estudantes abrangidos pelo anterior modelo de ensino superior, com cursos de 5 anos, impelindo-os à necessidade de recorrer a formação complementar como forma de afirmação no concorrencial mercado de emprego (onde poderão vir a “competir”, dentro de algum tempo, com “Mestres” cuja duração de formação é igual à que tiveram de realizar para alcançar o grau de “Licenciado”).

14 Julho, 2006 at 1:53 pm Deixe um comentário

“PROCESSO DE BOLONHA" (VIII)

Vantagens e Riscos do “Processo de Bolonha”

A grande vantagem deverá decorrer da uniformização das qualificações obtidas no processo de formação no seio do “Espaço Europeu de Ensino Superior”, por via da adopção de um sistema de graus comparável, baseado no estabelecimento de um sistema de créditos, de reconhecimento comum a nível europeu.

Para além da promoção da cooperação europeia no domínio da avaliação da qualidade e da promoção da dimensão europeia no Ensino Superior, a mobilidade é outra das vertentes decisivas de defesa e promoção deste Processo.

A mobilidade constituirá, por si só, uma fonte de aprendizagem; o contacto com diferentes regiões e com as diversas realidades linguísticas, culturais e sociais representará um contributo decisivo para a dimensão europeia e para o desenvolvimento.

Em termos práticos, os estudantes disporão da faculdade de, ao longo do seu processo de formação, ir escolhendo diferentes instituições, no seu país ou em qualquer dos outros Estados aderentes, nos quais poderá realizar um ou mais semestres de cada ciclo.

Alguns dos principais desafios que se colocam na reestruturação dos cursos, de forma a adaptá-los ao “Processo de Bolonha” serão portanto o da preparação dos novos curricula – constituindo “pedra basilar” do sistema a definição da afectação de “créditos” –, a par da necessária evolução prática no quotidiano das escolas, com a adopção de métodos pedagógicos orientados para a aprendizagem e para a aquisição de competências por parte dos estudantes.

14 Julho, 2006 at 8:48 am Deixe um comentário

“PROCESSO DE BOLONHA" (VII)

Trata-se, em termos práticos, da adopção do modelo “3+2″:

– três anos de primeiro ciclo (correspondendo à noção de “licenciatura” e conferindo portanto o grau de licenciado);

– seguido – para o estudante que opte por prosseguir os estudos – de dois anos de segundo ciclo (correspondendo à noção de “Mestrado”, conferindo o grau de “Mestre”), devendo compreender um curso de especialização, constituído por um conjunto organizado de unidades curriculares e uma dissertação de natureza científica ou um trabalho de projecto, originais e especialmente realizados para este fim, ou um estágio de natureza profissional, objecto de relatório final, a que corresponde um mínimo de 35 % do total dos créditos deste ciclo de estudos; conforme referido, subsiste a possibilidade de o segundo ciclo poder ser estruturado de forma a que o primeiro ano constitua um curso complementar à formação do primeiro ciclo (modelo “3+1+1″);

– a conclusão da carreira académica traduzir-se-á ainda num terceiro ciclo de estudos – pressupondo a elaboração de uma tese original, adequada à natureza do ramo de conhecimento ou da especialidade –, conferindo o grau associado ao “Doutoramento”.

Como princípio geral, o primeiro ciclo deverá assegurar a aquisição de competências necessárias ao exercício de uma actividade; ou seja, deverá proporcionar, após a conclusão de três anos de estudos superiores, o acesso ao mercado de trabalho.

Para os cursos em que se verifique serem necessários 4 anos de formação para a obtenção das competências necessárias ao exercício da profissão, deverão as mesmas ser adquiridas por via da frequência de cursos complementares ao 1º ciclo, os quais poderão constituir o primeiro ano do 2º ciclo.

O modelo “3+2″ é também o adoptado pela generalidade dos principais países, nomeadamente na Áustria, Dinamarca, Finlândia e França. Em Espanha, encontrava-se em estudo a opção entre este modelo e o “4+1″; a Irlanda prevê os modelos “4+1″ e “3+2″; na Holanda, prevê-se a possibilidade de opção entre o “3+2″ e o “3,5+1,5″. A Itália instituiu o modelo “1+2+2″. Por fim, no Reino Unido, o modelo deverá consistir num “3+1″.

13 Julho, 2006 at 8:47 am Deixe um comentário

“PROCESSO DE BOLONHA" (VI)

Nesta perspectiva, a reformulação do sistema de ensino superior nacional deverá respeitar as seguintes orientações (com a excepção principal da formação em Medicina, objecto de legislação específica):

– Adoptar estruturas de formação de “primeiro ciclo”, com a duração de 6 semestres, correspondentes a 180 créditos ECTS

– Adoptar estruturas de formação de “segundo ciclo”, com a duração de 4 semestres, correspondentes a 120 créditos ECTS.

O Decreto-Lei nº 74/2006, de 24 de Março, aprovou o regime jurídico dos graus e diplomas do ensino superior, em desenvolvimento da Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei nº 46/86, de 14 de Outubro).

De acordo com a legislação nacional, os “Créditos” são definidos como a unidade de medida do trabalho do estudante sob todas as suas formas, designadamente sessões de ensino de natureza colectiva, sessões de orientação pessoal de tipo tutorial, estágios, projectos, trabalhos no terreno, estudo e avaliação.

12 Julho, 2006 at 1:58 pm Deixe um comentário

Older Posts Newer Posts


Autor – Contacto

Destaques


Literatura de Viagens e os Descobrimentos Tomar - História e Actualidade
União de Tomar - Recolha de dados históricosSporting de Tomar - Recolha de dados históricos

Calendário

Março 2026
S T Q Q S S D
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

Arquivos

Pulsar dos Diários Virtuais

O Pulsar dos Diários Virtuais em Portugal

O que é a memória?

Memória - TagCloud

Jogos Olímpicos

Categorias

Notas importantes

1. Este “blogue" tem por objectivo prioritário a divulgação do que de melhor vai acontecendo em Portugal e no mundo, compreendendo nomeadamente a apresentação de algumas imagens, textos, compilações / resumos com origem ou preparados com base em diversas fontes, em particular páginas na Internet e motores de busca, publicações literárias ou de órgãos de comunicação social, que nem sempre será viável citar ou referenciar.

Convicto da compreensão da inexistência de intenção de prejudicar terceiros, não obstante, agradeço antecipadamente a qualquer entidade que se sinta lesada pela apresentação de algum conteúdo o favor de me contactar via e-mail (ver no topo desta coluna), na sequência do que procederei à sua imediata remoção.

2. Os comentários expressos neste "blogue" vinculam exclusivamente os seus autores, não reflectindo necessariamente a opinião nem a concordância face aos mesmos do autor deste "blogue", pelo que publicamente aqui declino qualquer responsabilidade sobre o respectivo conteúdo.

Reservo-me também o direito de eliminar comentários que possa considerar difamatórios, ofensivos, caluniosos ou prejudiciais a terceiros; textos de carácter promocional poderão ser também excluídos.