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Acordo ortográfico
Qual “Velho do Restelo”, aqui deixo expresso que não adoptarei de forma voluntária este novo acordo ortográfico. Se, compulsivamente, for obrigado a adoptá-lo, fá-lo-ei sob protesto!
«Consoantes mudas
Quando um dos termos de uma sequência consonântica é proferido na pronúncia culta da língua, como em “pacto” ou ficção”, fica tudo como está. Se é invariavelmente mudo, como acontece nas palavras “acto”, “colecção” ou “director”, o “c” cai sempre. Pela mesma lógica, cai o “p” em “Egipto” ou “peremptório”, sendo que neste último caso o “m” dá lugar a um “n”: perentório.
Acentos
A conjugação na terceira pessoa do plural do presente do indicativo de verbos como ter, vir e ver – têm, vêm e vêem – perde o acento circunflexo. Passa a escrever-se, por exemplo, “reveem”. Já em “dêmos” (presente do conjuntivo), continua a aceitar-se o acento, a título facultativo, para evitar a homografia com “demos” (pretérito perfeito do indicativo). A excepção é a forma verbal “pôde”, que preserva o acento.
Também são banidos os acentos agudos e circunflexos que ainda se mantinham em algumas palavras graves, como em “pára” ou “pêlo”, que passam a não se distinguir graficamente de para e pelo.
Hífen
Os redactores do novo Acordo Ortográfico investiram um especial esforço na regularização do uso do hífen, sobretudo nas palavras formadas por prefixação.
Algumas regras:
Quando o prefixo termina em vogal e a palavra seguinte começa com “r” ou “s”, cai o hífen e dobra-se a consoante: “contrarrelógio”.
Quando o prefixo termina em vogal e a palavra seguinte começa por uma vogal diferente, não se usa o hífen: “antiaéreo”. Quando o prefixo termina com a vogal que inicia o elemento seguinte, usa-se o hífen: “contra-almirante”. A excepção a esta regra é o prefixo “co-“, que se aglutina com o elemento seguinte mesmo que este se inicie com um “o”: “coocupante”. Um dos exemplos que o texto do Acordo avança é “coordenar”, que se torna graficamente indistinguível de “coordenar” no sentido de dirigir ou supervisionar.
Os hífenes caem também em algumas locuções nas quais ainda iam sendo usados, como “fim-de-semana”. Mas abrem-se excepções para outras, nas quais esse uso foi considerado mais generalizado, como “pé-de-meia” ou “cor-de-rosa”.
Uma alteração que será provavelmente mais difícil de interiorizar é a supressão do hífen em todos casos em que uma forma monossilábica do verbo haver se une à prepoisção “de”. Passará a escrever-se, por exemplo, “hei de” e “hão de”.»
(excerto de artigo do jornal Público)
P. S. Outros exemplos de aberrações (via Macacos Sem Galho): ação (em vez de acção); adotar (adoptar); fação (facção); ótimo (óptimo); receção (recepção); ou o culminante úmido (húmido).
Duas Irmãs, Um Rei
Ou a intriga palaciana, a manipulação pessoal ao mais alto nível, a traição, o romance, num filme de alta tensão, que se constitui também numa imperdível (também pelas interpretações de Natalie Portman e Scarlett Johansson) lição de História.
Sphaera Mundi – Mostra de manuscritos científicos raros dos séculos XVI a XVIII
A Biblioteca Nacional tem patente – até ao próximo 24 de Abril, com visitas gratuitas – uma mostra de manuscritos científicos raros dos século XVI a XVIII: Sphaera Mundi – A Ciência na Aula da Esfera.
Destaca-se o primeiro manuscrito referindo os telescópios e a observação com telescópios em Portugal (nunca antes exposto em Portugal), da autoria do italiano Giovanni Paolo Lembo, amigo de Galileu, ensinando, desde 1615, na “Aula da Esfera” (o curso de matemática do Colégio jesuíta de Santo Antão, do que sairiam os mais ilustres cosmógrafos portugueses), apenas 5 anos depois de Galileu ter colocado em causa a teoria geocêntrica de Ptolomeu.
Exposição fotográfica sobre emigrantes portugueses em França
“Por uma vida melhor” é o título da exposição fotográfica que o Museu Colecção Berardo apresenta até ao próximo dia 18 de Maio, com cerca de meia centena de fotografias (a preto e branco), da autoria de Gérald Bloncourt, retratando a vida dos emigrantes portugueses em França, das décadas de 50 a 70 do século passado.
Vencedores dos Óscares
E os vencedores da 80ª edição dos Óscares são:
Melhor Filme – Este País Não é Para Velhos (No Country for Old Men)
Melhor Realizador – Ethan e Joel Coen (Este País Não é Para Velhos)
Melhor Actor Principal – Daniel Day-Lewis (Haverá Sangue)
Melhor Actriz Principal – Marion Cotillard (La Vie en Rose)
Melhor Actor Secundário – Javier Bardem (Este País Não é Para Velhos)
Melhor Actriz Secundária -Tilda Swinton (Michael Clayton)
Melhor Argumento Original – Juno
Melhor Argumento Adaptado – Este País Não é Para Velhos
Pode consultar a lista completa, disponível aqui.
Noite de Óscares – Nomeações
Melhor Filme – Expiação (Atonement), Juno, Michael Clayton – Uma Questão de Consciência (Michael Clayton), Este País Não é Para Velhos (No Country for Old Men), Haverá Sangue (There Will Be Blood).
Melhor Realizador – Julian Schnabel (O Escafandro e a Borboleta), Jason Reitman (Juno), Tony Gilroy (Michael Clayton), Ethan e Joel Coen (Este País Não é Para Velhos) e Paul Thomas Anderson (Haverá Sangue).
Melhor Actor Principal – George Clooney (Michael Clayton), Daniel Day-Lewis (Haverá Sangue), Johnny Depp (Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street), Tommy Lee Jones (No Vale de Elah) e Viggo Mortensen (Promessas Perigosas).
Melhor Actriz Principal – Cate Blanchett (Elizabeth: A Idade de Ouro), Julie Christie (Longe Dela), Marion Cotillard (La Vie en Rose), Laura Linney (The Savages) e Ellen Page (Juno).
Mirandês – Primeiro manual de apoio pedagógico
Cerca de 20 anos após ter começado a ser ensinado nas escolas e dez anos depois de ter sido reconhecido como (segunda) língua oficial em Portugal, o mirandês tem agora o primeiro manual de apoio pedagógico, “Las mies purmeiras palabras na mirandês” (da autoria de António Bárbolo e Duarte Martins), que será distribuído gratuitamente a cerca de 400 alunos nas escolas de Miranda do Douro, numa iniciativa do Centro de Estudos Mirandeses.
Este livro terá uma edição inicial de dois mil exemplares, visando contribuir para a divulgação e aprendizagem do mirandês, língua de tradição oral falada por alguns milhares de pessoas numa região relativamente restrita do Nordeste Transmontano, junto à fronteira com Espanha.
Prémio Goya para Carlos do Carmo
O fadista português Carlos do Carmo foi distinguido pela Academia Espanhola das Artes Cinematográficas com o Prémio Goya na categoria de “Melhor Canção Original”, com “Fado da Saudade”, do filme Fados. Este tema tem letra de Fernando Pinto do Amaral.
Educação artística
“O Ministério da Educação ultima uma Portaria (prevê-se que para 11 de Fevereiro) que retira às escolas de ensino artístico especializado, vulgo Conservatórios, públicos e privados) a continuidade de prestar os seus serviços no 1º ciclo (vulgo ensino primário), bem como anula o regime de “supletivo” no ensino básico, limitando-o ao regime integrado.
Estas medidas afectarão directamente cerca de 100 escolas frequentadas por cerca de 30.000 alunos, das quais apenas 6 são públicas e, indirectamente, toda e educação artística nas escolas de ensino regular onde as artes foram relegadas para programas apelidados de enriquecimento curricular facultativos.”
(via Ideias Soltas)
A propósito desta questão, é possível manifestar a opinião no Educação Artística FORUM.



