O Pulsar do Campeonato – 20ª Jornada

8 Março, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

(“O Templário”, 05.03.2026)

A 20.ª jornada do Distrital da I Divisão ficou marcada, em especial, pela goleada de 10-0 imposta pelo (de) novo líder, Fazendense, ao Tramagal. Não se tratando de desfecho inédito, é, ainda assim, bastante raro: ao longo do vasto historial do Distrital – em mais de 15 mil jogos disputados –, identificam-se menos de três dezenas de resultados com dez (ou mais) golos de diferença.

O “record” absoluto, de 15-0, é partilhado por Cartaxo (frente ao At. Pernes, em 1972) e por U. Rio Maior (ante o Azinhaga, em 2001) – duas equipas que são, aliás, “repetentes” nesta matéria: 13-1 no Cartaxo-Alferrarede (2000), 12-0 no Cartaxo-Ferreira do Zêzere (2006) e 10-0 no Cartaxo-Tramagal (2006); assim como, por seu turno, 10-0 no U. Rio Maior-S. Torcatense (1999).

Tendo-se registado ainda outros casos de goleadas retumbantes (igualmente por 10-0), também em anos relativamente recentes, nas seguintes partidas: At. Riachense-ACR Linhaceira (2001), Samora Correia-Caxarias (2005) e, por último, desta vez com o Cartaxo no “reverso da medalha”, no U. Tomar-Cartaxo (em 2022). Já esta época, salientava-se o 9-0 no Torres Novas-Cartaxo.

Destaques – Sobre o 10-0 do Fazendense-Tramagal pouco mais haverá a dizer, para além do facto de os tramagalenses terem chegado ao intervalo apenas com dois golos de desvantagem, não tendo, depois, conseguido suster a avalanche contrária, de forma a impedir o avolumar do marcador, perante o desnível de recursos de que cada equipa dispõe nesta altura.

Atrás dos tempos, tempos virão, e o Tramagal, emblema histórico, que superou a fasquia do centenário, com um palmarés dos mais ricos do Distrito, terá o carácter para conseguir reerguer-se uma e outra vez mais, enaltecendo-se a dignidade que tem mantido nesta fase muito difícil.

Em grande evidência esteve igualmente, ainda mais uma vez, o Porto Alto, também com uma goleada de excepção, por 6-1, nos Riachos, um desfecho que, pela sua magnitude, não estaria nas conjecturas. O grupo da AREPA, que não consentia qualquer golo desde 14 de Dezembro, não vacilou perante o tento sofrido (3-1 ao intervalo), afirmando-se como ameaça crescente na disputa pelo lugar do topo, de que, embora à condição, passou agora a distar escassos dois pontos.

Até porque o anterior comandante, Mação, parecendo passar por período, de certo modo, de “maré vaza”, não logrou desfazer o nulo na deslocação a Torres Novas, num desafio em que já se poderia antecipar que as duas equipas estariam muito “encaixadas”. Em função deste resultado os maçaenses perderam a liderança, agora um ponto abaixo do Fazendense, que beneficia ainda do facto de manter um jogo a menos, que terá de disputar em Tomar, ainda sem data definida.

O Coruchense prossegue a sua recuperação, tendo, desta feita, ido vencer a Abrantes, mercê de um solitário golo, apontado logo no regresso após o descanso, consolidando a 7.ª posição.

A última nota de realce vai ainda para o U. Tomar, que obteve segundo triunfo seguido, desta feita no Entroncamento, impondo-se por 2-0. Exibindo superioridade inquestionável, perante um adversário falho de argumentos que pudesse contrapor, o menos lógico terá até acabado por ser o 0-0 subsistir até ao segundo tempo, assim como o tento da confirmação da vitória só ter chegado precisamente no “último suspiro” do desafio. Ainda com doze encontros por disputar, o União somou já praticamente tantos pontos quantos os averbados na época passada (26, face a 27), tendo, aliás, superado o total de vitórias registadas nesse campeonato (oito, contra sete).

Surpresa – Atendendo ao desempenho que as duas equipas vinham apresentando nas últimas semanas terá sido, de facto, apenas “meia-surpresa” a vitória conquistada pelo Amiense em Pontével, por 2-1. O grupo dos Amiais chegou à vantagem de dois tentos, apontados, ambos, a meio da segunda parte, não tendo os anfitriões feito melhor que estabelecer a diferença mínima.

Confirmações – Num prélio que colocava frente-a-frente o 5.º e 6.º classificados, houve inversão de posições, em função do triunfo (2-0) do Alcanenense frente ao Águias de Alpiarça; depois do nulo registado ao intervalo, o grupo da casa, em nova sequência positiva de resultados, resolveu a contenda a seu favor logo no recomeço, dispondo agora de um ponto a mais que este rival.

O Cartaxo prolongou a sua série negativa, tendo averbado a sétima derrota consecutiva, isto pese embora tenha, enfim, quebrado longo jejum sem marcar golos, desde 30 de Novembro. Os cartaxeiros começaram por ver a turma visitante, At. Ouriense, chegar a 3-0 (com o segundo e terceiro golos no primeiro quarto de hora da segunda parte, depois de ter inaugurado o marcador logo aos dez minutos), vindo a reduzir para o 1-3 final, à entrada do derradeiro quarto de hora.

II Divisão Distrital – A novidade, na 16.ª ronda, foi a perda de pontos do Ouriquense – que só em tempo de compensação conseguiu resgatar um ponto, ao empatar a duas bolas, na recepção à Glória do Ribatejo –, o que, em paralelo, proporcionou ao Moçarriense – vencedor, com maiores dificuldades de que o “placard” (5-2) poderá indiciar, ante o Salvaterrense – isolar-se na liderança, agora com dois pontos a mais que a turma de Vila Chã de Ourique. A Sul, destaca-se ainda a goleada de 7-1, averbada pelo Marinhais em Samora Correia, frente à equipa “B” local.

A Norte, o Vasco da Gama prossegue a sua caminhada triunfal, qual “rolo compressor”, tendo goleado o Ferreira do Zêzere por 5-0, mantendo o pleno, de 14 vitórias! À semelhança do indicado no intróito, relativamente ao histórico de goleadas na divisão principal, também neste caso ficam bem patentes as voltas que os “alcatruzes da nora” podem dar, num curto intervalo de tempo: em Maio de 2024, o Vasco da Gama completava a sua participação no campeonato com 29 derrotas em 30 jogos (tendo obtido um único ponto); um ano volvido (Maio de 2025), o Ferreira do Zêzere culminava excelente campanha, coroada com a conquista do título de Campeão Distrital, com um “record” de 28 vitórias e um empate. No início de Março de 2026, assim estamos…

O notável trabalho de base que tem vindo a ser desenvolvido nas camadas de formação no Vasco da Gama haveria de frutificar, como se vem constatando e como, decerto, se continuará a verificar.

Liga 3 – O U. Santarém foi batido em Coimbra, pela Académica, por 3-1, não tendo ido além do “ponto de honra”, após ter chegado a registar desvantagem de três golos. Com três encontros disputados, subsistindo com três pontos, o grupo escalabitano baixou ao penúltimo posto (7.º), apenas à frente do Trofense… não obstante só a três pontos do trio que partilha a vice-liderança (Académica, Amarante e Varzim), e a quatro do novo guia, V. Guimarães “B”.

Campeonato de Portugal – Foi uma ronda com sensações mistas, para os clubes do Distrito: o Samora Correia obteve importante triunfo ante o 4.º classificado, Mortágua, por 1-0; enquanto o Fátima se quedou pela igualdade (1-1) na recepção à Juv. Lajense, num confronto com um rival directo na luta pela manutenção. Os fatimenses, com 22 pontos em 19 jogos, mantêm o último lugar (9.º) acima da “linha de água”, em igualdade pontual com os açorianos (estes já com 20 jogos realizados); os samorenses continuam na 12.ª posição, agora com diferença de cinco pontos.

Antevisão – Para o próximo fim-de-semana está calendarizada a recuperação das jornadas dos campeonatos distritais que tinham sido adiadas devido às intempéries: na 18.ª ronda da I Divisão o “prato” principal será o embate entre Fazendense e Porto Alto, de grande relevância nas contas do título, deslocando-se o Mação aos Riachos, enquanto o U. Tomar viajará até ao Cartaxo; na 14.ª jornada da II Divisão, realce para mais um “derby”, Marinhais-Salvaterrense, sendo também de especial importância no apuramento para a fase final o Forense-QT-SC Rio Maior, cabendo ao Moçarriense receber a Glória do Ribatejo; a Norte, o Vasco da Gama terá a visita do Alferrarede.

Na Liga 3, o U. Santarém, que tinha agendado, para a última quarta-feira, jogo de acerto de calendário, recebendo o Mafra, actuará de novo em casa, no Domingo, ante o Belenenses. Por seu lado, no Campeonato de Portugal, Fátima e Samora Correia têm difíceis compromissos fora de portas, respectivamente em Mortágua e na Figueira da Foz (ante o 3.º classificado, Naval 1893).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 5 de Março de 2026)

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