Liga dos Campeões – “Play-off” intercalar – Real Madrid – Benfica
25 Fevereiro, 2026 at 11:00 pm Deixe um comentário
Real Madrid – Thibaut Courtois, Trent Alexander-Arnold, Antonio Rüdiger, Raúl Asencio (77m – Franco Mastantuono), Álvaro Carreras (90m – Francisco “Fran” García), Federico Valverde, Aurélien Tchouaméni, Eduardo Camavinga (77m – David Alaba), Arda Güler (84m – César Palacios), Gonzalo García (84m – Thiago Pitarch) e Vinícius Júnior
Benfica – Anatoliy Trubin, Amar Dedić, Tomás Araújo, Nicolás Otamendi, Samuel Dahl, Richard Ríos, Leandro Barreiro (90m – Sidny Lopes Cabral), Fredrik Aursnes (85m – Enzo Barrenechea), Rafael “Rafa” Silva, Andreas Schjelderup (85m – Franjo Ivanović) e Evangelos “Vangelis” Pavlídis
0-1 – Rafael “Rafa” Silva – 14m
1-1 – Aurélien Tchouaméni – 16m
2-1 – Vinícius Júnior – 80m
Cartões amarelos – Raúl Asencio (57m) e César Palacios (90m); Richard Ríos (35m) e Nicolás Otamendi (51m)
Árbitro – Slavko Vinčić (Eslovénia)
Teria sido possível? Talvez.
Mas subsistirá a dúvida sobre se o Real Madrid não jogou mais (e melhor) porque não teve capacidade (arte e engenho) para tal, ou, também, porque disso não teve necessidade… Do Benfica ressalta, uma vez mais, a falta de eficácia, em flagrante contraponto com o adversário, denotando grande dificuldade em materializar em golo as oportunidades criadas.
Um pouco à semelhança do que se verificara no desafio da última ronda da “Fase de Liga”, no Estádio da Luz, o Benfica voltou a surpreender o Real Madrid, explorando as suas fragilidades defensivas. Foi a equipa portuguesa a assumir a iniciativa, desde início, bastante incentivada pelos seus adeptos (cerca de 4 milhares, que, praticamente ao longo dos noventa minutos, abafaram os espectadores locais), com a rapidez das alas benfiquistas a baralhar a estrutura organizacional contrária.
Como corolário dessa boa entrada em campo, estavam completados apenas os primeiros treze minutos quando Richard Ríos, a partir da zona central, solicitou a desmarcação de Pavlídis, em corrida no flanco direito, que – visando fazer a assistência para Rafa, que surgia no coração da área – fez um cruzamento tenso, tendo Asencio procurado interceptar a bola, mas de tal forma, que resultou como que num “remate à queima-roupa”, a obrigar Courtois a uma defesa in extremis, para evitar o auto-golo; o esférico ressaltou para Rafa, que, não sem dificuldade, a dois tempos, depois de procurar dominar de primeira, só à segunda tentativa conseguiu empurrar a bola para o fundo das redes.
Algo inesperadamente o Benfica colocava-se em vantagem, igualando a eliminatória. Poderá também especular-se sobre qual o rumo que o jogo teria tido não tivesse sucedido o que veio a ocorrer logo de seguida: volvidos apenas dois minutos, um centro atrasado de Valverde apanhou Tchouaméni completamente liberto (Ríos não foi suficientemente lesto), que, de primeira, rematou rasteiro, muito colocado, sem hipótese para Trubin. Foi o golo de estreia do francês nesta temporada, ao fim de 35 jogos pelo Real Madrid…
Com o empate restabelecido, o jogo como que desaceleraria, com o Benfica a acusar o toque, do golo sofrido, a quebrar o ânimo que, de modo tão efémero, ganhara. Não obstante, recuperando desse embate, logrando reagir positivamente, teria nova ocasião para marcar, já próximo do intervalo, num bom remate de Richard Ríos, a que o guardião dos merengues respondeu com uma excelente intervenção, a negar o que poderia ter sido o segundo tento da formação portuguesa. Ainda assim, e tal como sucedera na Luz, os últimos minutos da primeira parte foram de alguma aflição para a defesa benfiquista.
O ritmo e intensidade foram bastante mais moderados no segundo tempo, outra vez com as duas equipas a parecer mais apostadas em jogar pelo seguro, o que, a partir de certa altura, se começou também a conjugar com a menor frescura física do meio-campo e sector ofensivo da turma encarnada. Parecia como que um “jogo do gato e do rato”, a procurar abrir espaços nas costas das defesas, tentando explorar a velocidade de Vinícius, por um lado, e de Schjelderup, por outro – a colocar, ora Dedić, ora Trent Alexander-Arnold, em apuros.
O tempo ia correndo a favor do Real Madrid, mesmo que o resultado fosse bastante perigoso. Sinal claro disso mesmo seria o remate de trivela de Rafa, que só não resultou num bis, porque, tendo a bola desviado ainda num defesa contrário, embateria com estrondo na trave, num lance que Courtois não teve possibilidade de deter. Foi como que o “canto do cisne” da parte do Benfica.
Álvaro Arbeloa, adoptando uma estratégia de risco mínimo, reforçou a defesa (com a entrada de Alaba). E, paradoxalmente ou não, acabaria premiado: outra vez Valverde, com notável assistência, a lançar Vinícius, isolado pelo lado esquerdo, internando-se, até rematar cruzado, sem oposição, e sem que Trubin pudesse evitar a inapelável trajectória da bola para a baliza.
As substituições operadas por João Tralhão (com Mourinho a ver o jogo no autocarro do Benfica, tendo abdicado de assistir in loco, no camarote que lhe fora destinado pela Direcção do Real Madrid) foram efectuadas demasiado tarde, numa fase em que o desfecho da eliminatória tinha sido já definitivamente sentenciado. Arbeloa refrescara também, entretanto, o seu ataque, mas o expediente estava já encerrado.
As “vitórias morais” há muito ficaram para trás, mas é inegável que o Benfica “caiu de pé”, oferecendo forte réplica – fazendo o Real sofrer mais do que esperaria –, tendo mantido a incerteza sobre o desfecho da eliminatória até aos 170 minutos, do total de 180 das duas mãos.
Fraca consolação, para uma campanha sofrível, com um apuramento miraculoso na “Fase de Liga”, mas que – pese embora o ímpar estatuto do adversário que lhe calhou em sorte neste play-off – não deixa de “saber a pouco”.
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