Leonel Vicente
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VAN GOGH – “RETRATO DO DR. GACHET”

VanGogh-DrGachetEncontrei em Gachet um verdadeiro amigo“, escreveu van Gogh numa carta à irmã, “quase como um irmão“.

Não se trata de um retrato por semelhança “fotográfica”, mas sim de uma imagem impetuosa, recorrendo à cor como meio de expressão e como forma de engrandecer o carácter, procurando penetrar psicologicamente para revelar a alma do retratado.

Dizia o próprio van Gogh: “Estou a trabalhar no seu retrato; usa um boné branco, é muito loiro, muito claro, mesmo a pele das suas mãos é muito rosada; veste um casaco azul; o fundo é azul-cobalto; está apoiado numa mesa vermelha“.

Esta pintura reflecte uma atitude mais tranquila e reflexiva, um desejo de ordem e calma; van Gogh refreia a sua imaginação, desaparecendo os arabescos, redemoinhos e as linhas exaltadas das telas de St.-Rémy. O retrato reflecte o carácter melancólico moderno e intelectual do Dr. Gachet.

A obra, vendida em leilão por 82,5 milhões de dólares, deteve o título de preço mais alto jamais pago por uma pintura!

E aqui termina esta maravilhosa viagem pela vida e obra de Vincent Willem van Gogh. A partir de amanhã, “a música” será outra!…

Resta referir os créditos de todas as imagens apresentadas nestas duas semanas: a The Vincent van Gogh Gallery.

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VAN GOGH – “NOITE ESTRELADA”

VanGogh-Starry Night O tema desta pintura, também de 1889, quando van Gogh se encontrava no asilo de St.-Rémy, é o resultado de uma fantástica sobreposição de elementos reais e imaginários, provençais e nórdicos.

A imagem de belo, glorioso e magnífico das árvores da floresta a arder em direcção aos céus como tochas da alma; os ciprestes são as tochas da alma de van Gogh.

No espectáculo da noite estrelada, o pequeno povoado com a sua igreja, adormecido ao centro, tem um papel claramente secundário.

Depois do período de Arles, caracterizado pelo uso de cores primárias, van Gogh regressa ao cinzento, ao ocre e às cores misturadas. As linhas enrolam-se, unem-se em traços dinâmicos, criando redemoinhos, sublinhando os movimentos e os contornos com espirais.

As pinceladas de amarelo e branco sobre o fundo azul-escuro, fazem com que as estrelas se abram como coroas brilhantes.

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VAN GOGH – “AUTO-RETRATO”

VanGogh-Self-PortraitA profusão de auto-retratos – 35 realizados entre 1886 e 1889 – aliados à peculiar relação que manteve com o seu corpo, cujo ponto culminante é o episódio da mutilação da sua própria orelha, posteriormente retratado, coloca van Gogh como o artista que introduz o próprio corpo como matéria-prima da arte.

Para além de reflectir a sua vida psíquica e de actuar como suporte para o exercício de técnicas pictóricas, o exame continuado e sistemático do próprio corpo apresenta o artista como alguém que testa os seus próprios limites, que indaga sobre o enigma da própria existência.

A vivacidade do efeito visual não é de natureza física, mas de base fisiológica. Os pontos justapostos de cor pura provocam uma espécie de “pânico visual”: o olhar compulsivo tenta misturar os diferentes tons. O princípio da mistura óptica funciona, ao mesmo tempo que implica uma constante sensação de agitação.

O quadro de 1889, pintado no Asilo de St.-Rémy, manifesta segurança e agressividade; tem rugas bem vincadas perto do nariz e das maçãs do rosto, as sobrancelhas são grossas e salientes e os cantos da boca estão virados para baixo. O retrato não é, não obstante, o de um rosto hostil, revelando vitalidade. As linhas serpenteantes e em forma de remoinho que surgem como pano de fundo são igualmente utilizadas na figura e nas roupas.

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VAN GOGH – “O SEMEADOR”

VanGogh-The Sower As cores, a atmosfera e a paisagem da Provença congregaram pintores das mais variadas tendências ou estilos, unidos pela ideia de que na pintura a pesquisa em torno da cor era algo fundamental.

Para pintar desta forma, van Gogh tinha de libertar-se dos motivos originais e mergulhar na sua própria imaginação. Estava a criar imagens vindas de dentro de si.

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VAN GOGH – “OS COMEDORES DE BATATAS”

VanGogh-PotatoEaters Tal como os restantes quadros realizados por van Gogh na mesma época, esta tela apresenta tons escuros e pesados, retratando os sentimentos do pintor pelos pobres trabalhadores das minas de carvão.

O quadro mostra cinco pessoas sentadas em torno de uma mesa tosca de madeira. A mulher mais nova tem uma travessa de batatas quentes a fumegar e, com uma expressão interrogativa, está a servir as doses. A mulher mais velha, à sua frente, deita nas canecas café de cevada e malte. O velho camponês bebe.

As três gerações de uma família camponesa vivendo em conjunto sob o mesmo tecto estão reunidas para esta frugal refeição. Um candeeiro a petróleo irradia uma luz fraca, mostrando a grande pobreza; ao irradiar a sua luz trémula sobre todos de forma igual, estabelece a unidade na aparência destas figuras preocupadas.

A labuta diária é visível nos rostos; mas os seus olhos indicam confiança, harmonia e satisfação pela sua vida em conjunto. É como se não houvesse um mundo lá fora para perturbar a sua tranquila reunião.

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A ARTE DE VAN GOGH (II)

VanGogh-WheatFieldWithCrows Natureza Morta, flores e campos: Novamente, como nos Retratos (e especialmente Auto-retratos), Vincent, em parte devido às suas dificuldades financeiras, preferiu pintar uma tigela de fruta, um vaso de flores ou um par de sapatos, ao invés de pintar modelos vivos.

Girassóis: A série de Girassóis é característica da obra de van Gogh, sendo imediatamente reconhecida em qualquer parte do mundo. A maioria da série foi pintada em 1888 em Arles, enquanto aguardava a chegada de Paul Gauguin, na famosa “Casa Amarela”. Nessas obras, ao contrário de tantas outras, o artista revela uma sensação de felicidade, explorando a sua cor favorita, o amarelo.

Período da Provença: Vincent passou quase dois anos na Provença, tendo realizado alguns dos seus melhores trabalhos: “O Terraço de Café no Fórum”, “O Café Nocturno em Lamartine” e a clássica “Noite Estrelada”. Neste período, ao mesmo tempo que o brilho artístico de Vincent deslumbra, o seu estado físico e mental degradam-se de forma significativa.

Asilo em St.-Rémy: Durante a convalescença no asilo em St.-Rémy, van Gogh dedicou algum do tempo ao estudo de pintores que admirava. Alguns dos seus melhores trabalhos podem ser vistos depois dos estudos sobre o pintor Millet: “Meio-dia”, “Descanso do Trabalho” ou “Primeiros Passos”.

O Fim: Os trabalhos finais de van Gogh são um paradoxo o que, provavelmente, nenhum outro trabalho mostrará melhor do que “Campo de Trigo com Corvos” . Muitos sentem que os céus dramáticos e tempestuosos, como também o campo de trigo, agitando-se, com os corvos que fogem, poderão constituir uma reflexão clara do próprio estado mental de Vincent nos seus últimos dias.

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A ARTE DE VAN GOGH (I)

VanGogh-Sunflower O estilo de van Gogh: nem impressionista, nem expressionista… o artista definiu a sua própria forma de pintar; as suas pinceladas praticamente “falavam” sobre o que estava a sentir e pensar. Desta forma, pode ser considerado um pintor pós-impressionista ou pré-expressionista!

Efectivamente, apenas contactou com os pintores impressionistas em 1886, quando já era um artista consumado; apesar da aproximação a Toulouse-Lautrec, Paul Signac e Georges Pierre Seurat, o seu caminho foi sempre muito singular.

Para facilitar a compreensão das obras de van Gogh, elas são classificadas geralmente de acordo com diferentes formas de as interpretar, sendo a classificação a seguir apresentada apenas uma das categorizações possíveis.

Os primeiros trabalhos: Os desenhos e pinturas tendem a centrar-se nas vidas de camponeses e trabalhadores pobres, além das paisagens desertas nas quais viviam. Vincent teve uma grande admiração pelos trabalhadores do campo, o que retratou nas suas telas. O uso das cores mais escuras pode sugerir uma atmosfera melancólica (“Os Comedores de Batatas”).

Período em Paris: A ida de Vincent para Paris em 1886 provocou uma profunda mudança, aproximando-o de outros artistas: Monet, Renoir, Degas, entre outros.

Os “japoneses”: O período durante o qual Vincent pintou no estilo japonês tradicional foi bastante breve.

Os Retratos e Auto-Retratos: Vincent pintou muitos retratos ao longo da carreira, nomeadamente, os Auto-retratos, quando não podia dispor de modelos. Entre os retratos, encontra-se o famoso “Retrato de Doutor Gachet” (a tela mais cara do mundo). Dos Auto-Retratos, destaca-se o “Auto-retrato Sem Barba”, de 1889, que, em Novembro de 1989, entrou para a galeria dos cinco quadros mais caros do mundo.

Há 1 ano no Memória Virtual – Blogues africanos

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