Leonel Vicente
del.icio.us | mvirtual @ gmail.com


RSS Feed | Jottit | Twitter | identi.ca

Memória Virtual via e-mail

adobe previews soundbooth cheap Adobe Fireworks CS5 adobe premiere pro trouble shooting 2 adobe keygen premiere pro cheap Adobe Fireworks CS5 for Mac adobe creative suite image editing adobe creative suite professional cheap Adobe InCopy CS5 adobe premiere pro books adobe premiere pro 1.5 serial warez cheap Adobe InCopy CS5 for Mac installing adobe premiere pro 2 adobe photoshop creative suite cheap Adobe SoundBooth CS5 for Mac adobe soundbooth distortion adobe premiere pro upgrade cheap Adobe SoundBooth CS5 adobe creative suite download hack version adobe creative suite premium full version cheap Adobe Premiere Pro CS5 for Mac adobe premiere pro trial adobe premiere 7.0 pro crack cheap Adobe Premiere Pro CS5 adobe premiere pro 7.0 serial number adobe premiere pro cs3 cheap Adobe Contribute CS5 adobe creative suite 3 torrent adobe creative suite cs3 free cheap Adobe Contribute CS5 for Mac adobe premiere pro design center adobe creative suite windows cheap Adobe Creative Suite 5 Design Premium adobe premiere pro avchd adobe creative suite premium 2.3 win cheap Adobe Creative Suite 5 Design Premium for Mac add picks to adobe fireworks adobe creative suite 2 release cheap Adobe Creative Suite 5 Design Standard adobe premiere pro 7 torrent download adobe fireworks cheap Adobe Creative Suite 5 Production Premium adobe creative suite v 3 adobe creative suite web premium activate cheap Adobe Creative Suite 5 Production Premium for Mac adobe creative suite 2 for sale adobe creative suite 3 keygen ssg cheap Adobe Creative Suite 5 Web Premium adobe creative suite production studio cracked adobe contribute cheap Adobe Creative Suite 5 Web Premium for Mac total training adobe premiere pro 2

Archive for the ‘Semana da História’


PORTUGAL – NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO (XV)

“O facto mais célebre da história dos séculos da luta contra os Mouros foi a batalha de Ourique, travada em 25 de Julho de 1139, portanto no ano imediatamente anterior àquele em que D. Afonso Henriques começou a usar o título de rei.

Ter-se-ia isto passado nos campos de Ourique, designação medieval do Baixo Alentejo. Esta localização deu motivo a grandes debates entre os historiadores, que consideram estranho que D. Afonso Henriques se aventurasse tão longe, numa altura em que o posto mais avançado da fronteira era Leiria.

Pouco se pode dizer com firmeza sobre a batalha. Há certamente relação entre Ourique e a situação militar que no Verão de 1139 se verificava na Península. Afonso VII reunira todas as forças cristãs para a conquista de Aurélia, cidade de decisiva importância estratégica sobre o Tejo, não longe de Toledo. Mas a cidade defendia-se e pedia a ajuda de todos os reinos muçulmanos da Península; um enorme exército foi organizado para a sua defesa, e entre Afonso VII e os defensores de Aurélia fez-se um acordo: se o exército de socorro chegasse dentro de certo prazo, ele levantaria o cerco sem luta; no caso contrário, a cidade entregar-se-ia sem combater. Ora, foi esse exército de socorro que, inexplicavelmente, em vez de se dirigir a Aurélia, perseguiu a hoste de D. Afonso Henriques.

Todas as fontes são concordes em salientar o elevadíssimo número de mouros, mas o exagero fazia parte das descrições desse género. Um texto fala em dez mil, outros em quarenta mil. Mais tarde, os cronistas portugueses acrescentaram um zero à cifra mais alta e fixaram o número de quatrocentos mil. Mas não há dúvida de que esta façanha causou, no seu tempo, muita sensação.

Foi a partir deste núcleo central que se desenvolveu um mito que teria a maior importância na história portuguesa.”

“História concisa de Portugal”, José Hermano Saraiva

[1252]

PORTUGAL – NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO (XIV)

“A fronteira do novo reino, quando D. Afonso Henriques começou a intitular-se rei, passava um pouco ao sul de Coimbra (o castelo de Leiria era um posto avançado na linha de combate), ia por alturas da serra da Lousã e esbatia-se nas planícies da Beira Baixa, numa zona imprecisa e não dominada nem por Mouros nem por cristãos.

O primeiro grande passo para a dilatação desse território verificou-se em 1147 com as conquistas de Santarém e de Lisboa, arrastando esta última a queda de Sintra, Almada e Palmela. A última conquista foi a de Faro, em 1249. Durou portanto pouco mais de um século o período de conquista do território, tempo que comporta longos intervalos de paz e ganhos e perdas em consequência de contra-ofensivas mouras, das quais a mais grave foi a de 1190-1191, que trouxe os Mouros de novo até à linha do Tejo.

Apesar das divisões e da fraqueza interna dos pequenos principados islâmicos que confrontavam com a fronteira cristã (reinos taifas), as forças militares portuguesas eram tão poucas que para as expedições organizadas contra eles foi várias vezes necessário recorrer à ajuda das tropas que, vindas do Norte da Europa a caminho da Palestina, faziam escala nos nossos portos. O rei mandava-lhes propor a colaboração em empresas guerreiras contra as cidades de que se queria apoderar; os diplomatas encarregados dessas missões eram os bispos, que deviam convencer os chefes dos cruzados que tão santa era a guerra contra os infiéis de Espanha como a cruzada para libertar o Santo Sepulcro e ao mesmo tempo ofereciam, como pagamento pela intervenção, o saque das cidades se elas caíssem no seu poder. Foi desse modo que D. Afonso Henriques conquistou Lisboa, em 1147, D. Sancho I Alvor e Silves, em 1187, e D. Afonso II Alcácer do Sal, em 1217.”

“História concisa de Portugal”, José Hermano Saraiva

[1250]

PORTUGAL – NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO (XIII)

“O que existe é uma carta enviada em Dezembro desse mesmo ano por D. Afonso Henriques ao papa, na qual afirma que se constituía a ele e a todos os seus sucessores, «censual» da Igreja de Roma e se declarava a si próprio «homem e cavaleiro do papa e de S. Pedro, sob a condição de a Santa Sé o defender de quaisquer outros poderes eclesiásticos ou civis».

O último acto do processo é o reconhecimento formal, por parte da Igreja de Roma, da realeza de D. Afonso Henriques. Isso só veio a acontecer muito mais tarde, em 1179, perto do fim do reinado; até então, os diplomatas de Roma evitaram habilmente chamar-lhe rei. A concessão foi arrancada por um presente de mil moedas de ouro, mas na verdade não parece que tenha tido muita influência na consolidação de uma independência que era já então facto consumado. Em Espanha já não havia «imperador». A força que momentaneamente parecera impelir para uma unidade peninsular não evitara a fragmentação, de acordo com as ideias feudais. Afonso Henriques era um dos vários reis existentes na Península e em 1179 já tinha comprovado, com um longo e sábio reinado, que era um grande monarca.”

“História concisa de Portugal”, José Hermano Saraiva

[1247]

PORTUGAL – NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO (XII)

“Nos anos seguintes houve guerras entre o imperador e o infante português. O que se pode dizer ao certo é que os Portugueses combateram no Alto Minho e que Tui serviu de pomo de discórdia. Em 1137 restabeleceu-se a paz (paz de Tui) e Afonso Henriques prometeu ao imperador “fidelidade, segurança e auxílio contra os inimigos”.

Em 1140 começa o caudilho português a intitular-se rei. Até então, o chefe do condado apresentara-se como infante ou como príncipe. o que constituía apenas uma declaração de linhagem real; na verdade, ele era neto de Afonso VI; a mãe, por ser filha de rei, várias vezes assinou rainha. O título de rei era uma dignidade pessoal que não implicava por si a independência do reino. Já vimos que desde 1135 Afonso VII se apresentava como imperador de toda a Espanha; vários dos príncipes que dele dependiam eram reis, e esse facto não só não comprometia, como até ajudava a plenitude da autoridade imperial.

Em Outubro de 1143 ocorreu um facto que hoje se considera um passo decisivo no caminho para a independência. Um legado pontifício, o cardeal Guido de Viço, veio à Península para regularizar várias questões de administração eclesiástica e teve uma reunião com o rei de Leão e com D. Afonso Henriques na cidade leonesa de Zamora.

Mas na realidade não sabemos como as coisas se passaram e ignora-se completamente se foi assinado algum acordo, embora modernamente se tenha feito muitas vezes referência a um tratado de Zamora, que talvez nunca tivesse existido.”

“História concisa de Portugal”, José Hermano Saraiva

[1243]

PORTUGAL – NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO (XI)

“Um lance de grande importância no processo da independência foi o da revolta de D. Afonso Henriques contra o governo da condessa D. Teresa e do conde Fernão Peres de Trava. As tropas de ambas as facções encontraram-se no dia 24 de Junho de 1128 – no campo de S. Mamede que está junto do Castelo de Guimarães – e o exército galego ficou derrotado.

O facto marca uma primeira independência em relação às pretensões de D. Teresa de incluir a região portucalense no seu planeado reino da Galiza.

Entretanto, os reis de Leão e Castela lutavam duramente para tentar jugular o movimento que, um pouco por toda a parte, aspirava a situações de autonomia regional. Um neto de Afonso VI, filho daquele conde Raimundo, que governara a Galiza, e da rainha Urraca, fez-se coroar .imperador de toda a Espanha. numa cerimónia muito solene, efectuada na Catedral de Leão em Junho de 1135; assistiram os reis e os condes sobre os quais o imperador tinha autoridade, mas D. Afonso Henriques não esteve presente. Esse acto negativo é um dos primeiros e mais expressivos indícios da independência nascente.”

“História concisa de Portugal”, José Hermano Saraiva

[1240]

PORTUGAL – NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO (X)

“Muitos autores têm procurado resposta para esta pergunta: a partir de que momento se deve considerar que Portugal foi um estado independente? A dificuldade que todos sentiram em encontrar uma solução resulta de que a independência portuguesa não se verificou, como acontece com os Estados modernos, num momento determinado e politicamente bem definido. Foi sendo forjada ao longo de um processo que se desdobra em várias etapas, das quais as mais importantes parecem ter sido a revolta de D. Afonso Henriques e a conquista do governo do condado, em 1128, a paz de Tui, de 1137, a conferência de Samora e a enfeudação ao papa, em 1143, o desaparecimento do título de imperador com a morte de Afonso VII, em 1157, e por último a bula papal de 1179, com o reconhecimento da nova monarquia pela Santa Sé.

A independência portuguesa não pode desligar-se do quadro geral da política dos reinos cristãos da Península. O rei Afonso VI tinha conseguido impor o seu poder a grande parte da Espanha.

Mas, quando, em 1109, morreu, desencadeou-se uma reacção forte e generalizada contra o crescente poder dos Leoneses. A herdeira do trono, rainha Urraca, disputou durante anos com o rei de Aragão a chefia política da Espanha cristã e discutiu também com o arcebispo de Compostela a autoridade sobre a Galiza. O conde das Astúrias revoltou-se e tratou com o imperador de igual para igual; vencido por fim, refugiou-se em Portugal.”

“História concisa de Portugal”, José Hermano Saraiva

P. S. Parabéns ao João Carvalho Fernandes pelo primeiro aniversário do Fumaças!

P. S. 2 – A visitar também, o “blogue” de Noam Chomsky (também já com uma página na net).

[1098]

PORTUGAL – NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO (IX)

“Desde os fins do século IX começam a aparecer referências a um condado Portucalense, de fronteiras muito imprecisas, mas que abrangia terras no Minho e ao sul do Douro. A designação provinha de a principal povoação ser Portucale, situada próxima da foz do Douro, que foi “restaurada” e povoada nos meados do século IX pelo conde Vimara Peres.

Foi uma descendente desse conde, a célebre condessa Mumadona, quem fundou um convento em Guimarães e mandou construir o castelo de S. Mamede; essa foi a origem da povoação que serviu de capital ao condado e que teve uma importante função política nos primeiros tempos da vida nacional.

Afonso VI de Leão e Castela dispõe de grandes forças e de grande prestígio na Europa Cristã; foi ele que forneceu uma grande parte dos recursos para a construção de Cluny III, o mais majestoso templo que até então a cristandade erguera.

Talvez essa ligação com a Ordem de Cluny e com o seu chefe, Santo Hugo, explique a vinda à Península de dois membros da alta nobreza, da casa dos duques da Borgonha: D. Raimundo e D. Henrique. Afonso VI casou-os com as filhas: o primeiro com D. Urraca, que viria a ser herdeira do trono, e o segundo com uma filha bastarda, D. Teresa. Ao primeiro entregou o governo da Galiza; ao segundo, o condado Portucalense, que integrava agora as duas antigas unidades condais, a norte e a sul do curso do Douro.”

“História concisa de Portugal”, José Hermano Saraiva

[1094]

PORTUGAL – NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO (VIII)

“Ainda antes de terminar o século VIII, e mais por efeito do recuo dos Mouros, envolvidos nas suas guerras internas, do que de uma sistemática reconquista cristã, a Península estava dividida em duas zonas, cujo limite passava aproximadamente por Coimbra, seguia o curso do Mondego e passava depois por Talavera, Toledo, Tudela e Pamplona.

Nas terras onde se ia desagregando o domínio sarraceno ou naquelas que os cristãos conquistavam não se “restaurou” propriamente uma estrutura política anteriormente existente.

Os novos países cristãos da Península formaram-se a partir de três núcleos distintos: o asturiano, que veio a originar o reino de Oviedo e depois de Leão e o condado de Castela, independente durante alguns anos, depois transformado em reino e que desde 1037 andou unido ao de Leão; o pirenaico, onde saíram os reinos de Navarra, Aragão e alguns condados mais ou menos independentes, e o de Barcelona, onde os francos tiveram um papel importante e que seguiu uma evolução política sob muitos aspectos diferente da dos outros estados hispânicos.”

“História concisa de Portugal”, José Hermano Saraiva

[1090]

PORTUGAL – NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO (VII)

“Em 711, um exército formado principalmente por soldados berberes atravessou o estreito de Gibraltar e iniciou a conquista da Península.

Ao contrário do que sucede em relação aos Romanos, aos Suevos, aos Visigodos, não é possível fixar num determinado número de anos, ou mesmo de séculos, a duração do domínio muçulmano na Península, porque essa duração variou muito de região para região. Nunca se chegou a exercer nas terras mais setentrionais; todo o país ao norte do Ebro estava de novo sob o domínio cristão em 809. O Porto e Braga foram reconquistados cerca de 868. Coimbra voltou definitivamente à posse cristã em 1064 e Lisboa em 1147. Em Sevilha, Córdoba e Faro, os Mouros estiveram cerca de seis séculos (até aos meados do século XIII); de Granada só foram expulsos nos fins do século XV: a presença moura atinge perto de oito séculos.

Os seus vocábulos são especialmente numerosos para designar vegetais, e em especial produtos hortícolas: alfarroba, alface, alfazema, laranja, limão, açafrão, acelga, cenoura, cherivia. Alfobre, estragão, albarrã, maçaroca, azeitona e azeite, etc. São também muitos os termos relacionados com o aproveitamento da água para as regas: alvanel, albufeira, Alverca, almargem, almácega, algeroz, alcatruz, nora, chafariz, azenha.

Esta importação vocabular sugere uma certa renovação da economia e da técnica, que tinha decaído muito desde a época romana.”

“História concisa de Portugal”, José Hermano Saraiva

[1086]

PORTUGAL – NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO (VI)

“Em 416 chegaram à Península os Visigodos, um povo de origem germânica já meio romanizado.

A dominação dos Visigodos durou cerca de três séculos, mas os vestígios que hoje podemos encontrar da sua passagem pelo nosso país são raros.

Não trouxeram consigo novas formas de organização ou novas técnicas de trabalho: limitaram-se a instalar-se nos quadros sociais e económicos implantados pelos Romanos, que exploraram em seu proveito.

Os elementos fundamentais da organização da sociedade que estava instalada na Península nos inícios do século VIII eram pois: um clero rico e politicamente poderoso; uma nobreza proprietária e militar; um povo governado pela Igreja. Esses elementos contêm já o essencial da sociedade portuguesa durante o período medieval. A invasão muçulmana irá, temporariamente, desorganizar o quadro, mas ele voltará a reconstituir-se, passado o domínio mouro, com algumas modificações.”

“História concisa de Portugal”, José Hermano Saraiva

[1083]

PORTUGAL – NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO (V)

“A organização política e administrativa que os Romanos deram ao território foi destruída pelos grupos de bárbaros que invadiram a Europa ocidental nos princípios do século V.

Em 411 entraram no nosso actual território grandes bandos de alanos, vândalos e suevos, povos que tinham sido violentamente arrancados das suas terras pela invasão dos Hunos e que depois dessa expulsão vagabundearam pela Europa à procura de novas terras onde pudessem viver. Os Alanos eram oriundos da região do Cáucaso; os Vândalos eram germanos de raiz escandinava; os Suevos também eram germânicos, supõe-se que aparentados com os grupos de anglos e saxões que, por essa mesma altura, se foram instalar na Inglaterra.

Só os Suevos fundaram organização política de certa duração.

Estabilizados, organizaram um reino que abrangia a Galiza e tinha capital em Braga.

Estes grupos bárbaros não eram numerosos. Apesar disso, dominaram as províncias romanas com enorme rapidez e, depois de instalados, não provocaram grandes resistências por parte das populações.”

“História concisa de Portugal”, José Hermano Saraiva

[990]

PORTUGAL – NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO (IV)

“A ocupação romana não se fez à boa paz. Os historiadores referem em especial a resistência dos Lusitanos. Nenhum dos caudilhos da resistência indígena que às legiões se depararam por toda a Europa impressionou tanto os historiadores romanos como Viriato, o chefe dos Lusitanos que, entre os anos de 147-139 a. C. conseguiu conglobar sob o seu comando grandes regiões do Centro da Península e impor cruéis reveses às tropas de Roma.

Plínio, o Antigo, escritor romano que desempenhou um cargo administrativo na Península entre os anos de 69 a 73, resume nestas poucas linhas a situação das cidades lusitanas: «Toda a província está dividida em três conventos: o emeritense, o pacense e o escalabitano. O total dos povos é de quarenta e cinco: cinco colónias, um município de cidadãos romanos, três cidades do Lácio antigo, trinta e seis cidades estipendiárias.»

Os conventos eram divisões administrativas e judiciais. No nosso território ficavam dois conventos da Lusitânia (o pacense, com sede em Beja, e o escalabitano, com sede em Santarém) e um convento da Tarraconense (o brácaro, com sede em Braga).

O único município de cidadãos romanos era Lisboa, que por essa altura se tornou uma grande cidade portuária, por onde saía a produção local para a Itália. À produção cerealífera se atribui o desenvolvimento de Santarém e de Beja e o das cidades do antigo Lácio, que eram Évora, Beja, Alcácer do Sal.”

“História concisa de Portugal”, José Hermano Saraiva

[985]

PORTUGAL – NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO (III)

“O primeiro desembarque de tropas romanas na Península deu-se em 219 a. C. O quadro de povoamento que os Romanos vieram encontrar seria aproximadamente o seguinte: para norte do Douro viviam os Calaicos, uma palavra relacionada com kelticoi, nome que os Romanos davam aos Celtas e que veio a dar o termo galegos. Entre o Douro e o Tejo, mas alastrando muito para além da nossa actual fronteira, habitavam os Lusitanos, que os Romanos descreviam como um ramo de Celtiberos, isto é, como um povo que resultara da fusão de Celtas e de Iberos.

Para o sul do Tejo habitavam povos a que os antigos chamavam célticos. No Algarve viviam os Cónios, povo cuja longa emigração a caminho do sul está atestada nos topónimos Conímbriga e Coina. Eram talvez, do mesmo modo que os Lusitanos, celtas chegados cedo e deslocados para o sul pela pressão dos que foram chegando depois.”

“História concisa de Portugal”, José Hermano Saraiva

[983]

PORTUGAL – NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO (II)

“A idade do bronze (2000 a. C. - 800 a. C.) registou provavelmente novos movimentos migratórios, porque a forma de sepultar os mortos mudou muito; em vez das grandes criptas colectivas, predomina o túmulo individual. Foi ao longo deste período que se estabeleceu um tipo de povoamento de que existem hoje ainda muitos vestígios: os castros, povoações formadas por casas de pedras, com cobertura de colmo, situados em pontos altos e que foram escolhidos com preocupações defensivas.

O povo português resultou assim de um milenário processo de miscigenação de sangue e de sucessivas sobreposições culturais.

A partir dos princípios do primeiro milénio antes de Cristo começaram a chegar grandes bandos de gente oriunda da Europa central: os Celtas. Tinham uma enorme vantagem técnica sobre as populações que encontravam instaladas: sabiam trabalhar o ferro.

Os Celtas lutaram com as populações indígenas, mas acabaram por se fundir com elas.”

“História concisa de Portugal”, José Hermano Saraiva

P. S. O Pedro anunciou o fim do Flor de Obsessão (e mais, que irá ser mesmo apagado…). É um pouco da “magia e do encanto original” da blogosfera que se perde, com este abandono de um dos “fundadores” (a propósito, vejam-se os textos d’A Praia e do Barnabé… e, também, do Contra a Corrente).

P. S. 2 – O Blogue de Esquerda lança mesmo um “Manifesto pelo regresso da Coluna“!

[979]

PORTUGAL – NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO (I)

Em cada um dos últimos meses, tenho dedicado nesta página (de “Memória”…), uma semana a temas de História.

Nesta semana (e a continuar no próximo mês), farei referência – por via de excertos de uma obra de José Hermano Saraiva – à história do nascimento da nação portuguesa.

“Os mais antigos vestígios de vida humana encontrados no nosso território são os calhaus rolados em que um dos topos foi intencionalmente aguçado para os transformar em instrumentos de luta ou trabalho e que têm aparecido em vários pontos: a Gruta da Furninha, em Peniche (que nos períodos pré-históricos era uma ilha), nas proximidades das Caldas da Rainha, nos arrabaldes de Lisboa, na Arrábida, em Sines.

Os homens que as usaram viveram há aproximadamente quatrocentos mil anos e deixaram vestígios numa grande parte da Europa ocidental.

Há cerca de dez mil anos, o clima europeu estacionou em condições que não eram basicamente diferentes das actuais. Acabaram os grandes gelos, os mamutes e as renas foram-se deslocando para o norte. Desde então, a marcha da humanidade processou-se com maior rapidez e os vestígios da vida humana tornaram-se muito mais numerosos, porque o homem começou a agir sobre a natureza. Nos vales do Tejo e do Sado têm-se encontrado montes de restos de alimentos, formados especialmente por conchas de mariscos. Esses restos são em tal quantidade que indicam a existência de grupos, no mesmo local, durante centenas ou milhares de anos: é a primeira prova de vida sedentária no nosso território.”

“História concisa de Portugal”, José Hermano Saraiva

[975]

QUANDO TUDO FALTAR RESTA A PALAVRA (V)

“No final violento e incerto de um século em que o estudo da palavra empenhou como nunca filológos, linguistas, semióticos, biólogos, filósofos - de Saussure a Derrida -, a crença no poder da palavra (ou do homem?) é tão forte como a descrença. A poesia de Rilke, Apollinaire, Pessoa, Arghezi, Pound, Eliot, Vallejo, Maiakovsi, Huidobro, Brecht, Drummond, Ritsos, João Cabral, Celan, Juarroz, parece veicular (e às vezes figurar) mais claramente do que a prosa os dois pontos de vista. Nas suas melhores expressões, a arte verbal das últimas décadas tornou-se cada vez mais enigmática porque se empenhou cada vez mais em decifrar os enigmas do mundo e do homem, dando conta de cisões, incompatibilidades, incertezas e limites que só nela e por ela parecem suspensos ou atenuados.

Por enquanto ainda poderemos continuar a dizer como António Machado, que, se nada mais tivermos de seguro, “nos queda la palabra”.”

“Quando tudo faltar resta a palavra (Arnaldo Saraiva) - Notícias do Milénio”

[915]

QUANDO TUDO FALTAR RESTA A PALAVRA (IV)

“Se o romance atingira já no início do século XVII as alturas do “Dom Quixote”, é no século XIX que, pela quantidade e pela qualidade, ele se impõe como uma espécie literária privilegiada, que ainda não deixou de ser, e se desdobrou em variantes que vão do romance histórico ao policial, do rural ao urbano, do psicológico ao de aventuras: Walter Scott, Dickens, Balzac, Eça, Machado de Assis, Flaubert, Dostoiewski, ou Knutt Hamsum, Proust, Kafka, Joyce, Guimarães Rosa, Bouhmil Hrabal, Beckett, Ítalo Calvino, Garcia Marquez, Kenzaburo Oe e Paul Auster.”

“Quando tudo faltar resta a palavra” (Arnaldo Saraiva) - “Notícias do Milénio”

[912]

QUANDO TUDO FALTAR RESTA A PALAVRA (III)

“É com o Renascimento, já depois da invenção da imprensa ou do livro por Gutenberg (1434), e quando se multiplicam gramáticos, filológos, dicionaristas e até tradutores, como Fernão de Oliveira, António de Nebrija e Lutero, que a prosa das línguas românicas atinge a perfeição, visível na ficção de Rabelais (1494-1553) ou de Bernardim Ribeiro (c.1480-?) e de Trancoso (c.1520-antes de 1596), mas visível também nos muitos livros de viagem que, à semelhança do pioneiro “Livro de Marco Polo” (1254-1324), dão conta de partes do planeta até então desconhecidas; Carminha, Fernão Mendes Pinto, Vespucci, Bartolomé de las Casas, etc.

O Renascimento e o Barroco favorecem também o aparecimento de obras teatrais como talvez não se escrevessem desde os gregos: Gil Vicente (1465-1536?), Lope de Vega (1562-1635), Shakespeare (1564-1616), Caldéron de la Barca (1600-1681), Molière (1622-1673) produzem autos, tragédias, comédias insuperáveis.”

“Quando tudo faltar resta a palavra” (Arnaldo Saraiva) - “Notícias do Milénio”

[909]