Leonel Vicente
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Archive for the ‘Pulsar dos Diários Virtuais’


O PULSAR DOS DIÁRIOS VIRTUAIS EM PORTUGAL (XXX)

A sindicância de conteúdos proporcionada pela norma RSS será também um dos pilares de desenvolvimento, informando os leitores, em tempo real, das actualizações dos seus blogues favoritos.

O futuro passará provavelmente pela dinamização dos moblogs (actualização dos blogues a partir de terminais móveis, para além do acesso wireless), do audioblogging, do videoblogging (com o aperfeiçoamento de hardware e software, permitindo uma nova expressão da criatividade individual, com “vídeos caseiros” complementando o sistema tradicional de comunicação por imagem, eliminando a necessidade de downloads – tendo a “vlogosfera” sido já objecto de artigo na revista “Pública” [125], suplemento do “Público”, de 21 de Agosto de 2005), eventualmente associados a uma intensificação da inserção publicitária (“blogvertising”) – assumindo o papel de um novo suporte publicitário, como o foram, por exemplo, as caixas Multibanco ou, noutro género, a exposição de marcas em programas televisivos), num veículo que favorece a segmentação do público-alvo, com especificidades próprias, consumido preferencialmente por potenciais “opinion makers”, beneficiando de uma “humanização das mensagens” proporcionada por um canal que assegura uma relação directa com os consumidores – e, no limite, com o nascimento dos “bloggers profissionais”.

Uma interrogação subsiste também sobre o futuro dos blogues no ensino, na literatura e na ciência.

E, concluindo, com a “final frontier”, a do espaço, tendo uma empresa norte-americana (MindComet) começado já a enviar blogues para o espaço (“Blog In Space” [126]), na expectativa de poder vir a estabelecer contacto com outras formas de vida inteligente…

Mas, em boa verdade, o futuro passará mesmo é por aqui: pelos protagonistas dos “babyblogs“!…[127]

Leonel Vicente, 15.10.2005

(Comunicação apresentada no II Encontro de Weblogs, na Universidade da Beira Interior, Covilhã)
__________________________
125 Revista “Pública”, http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?sid=3956
126 Blog in space – http://www.bloginspace.com/
127 Babyblogs – http://www.babyblogs1.blogspot.com
- “Blogs, podcasts and camera phones fill the airwaves”, The Guardian, 20 de Julho de 2005 – http://www.guardian.co.uk/business/story/0,,1531932,00.html
- “En direct du globe: les blogs – Nouvelle ère de l’internet ou nouvelle bulle?”, « Dossier de veille – Aquitaine Europe Communication », nº 15, 17.06.05
- Barbosa, Elisabete – Blog Clipping – http://blogclipping.blogspot.com/
- Nogueira, Joaquim Paulo e Nogueira, João L. – Metablogue – http://metablogue.weblog.com.pt/
- Querido, Paulo e Ene, Luís – Blogs (2003)

O PULSAR DOS DIÁRIOS VIRTUAIS EM PORTUGAL (XXIX)

8. FUTURO

A realidade é que é ainda demasiado prematuro fazer a “história da blogosfera”, assim como para avaliar a extensão das mutações que a explosão dos blogues veio trazer a nível da comunicação; é verdade que a blogosfera não adquiriu ainda a “massa crítica” suficiente.

Não obstante o mediatismo de que beneficiou desde 2003, não é ainda familiar à generalidade dos portugueses; mesmo nos EUA, o “grande público” apenas a descobriu aquando da última campanha presidencial (um estudo recente anunciava que apenas 16 % dos americanos serão leitores de blogues). Para se avaliar do estado ainda “quase embrionário” da blogosfera, apenas no final de 2004, a ABC News elegeu como “Homem do Ano” a comunidade de bloggers, enquanto que Merriam-Webster, um dos editores de dicionários de referência no mundo destacava o termo “blog” como palavra do ano.

Uma plataforma que é dirigida a todos – o Technorati rastreava, no início de Agosto de 2005, mais de 14 milhões de blogues –, desde particulares, associações, colectividades locais, escolas, empresas e que permite uma multiplicidade de variantes, passando pelos blogues pessoais, diarísticos, de viagens, de fotos, políticos, jornalísticos, de gestão de projectos, de partilha de conhecimentos, beneficiando de características como a mobilidade, o espírito comunitário, a instantaneidade, e o multimédia, parece ter hoje ainda um largo potencial de desenvolvimento futuro.

Ainda muito centrados nos conteúdos de texto, são inúmeras as possibilidades por explorar; tendencialmente, os blogues integrarão todos os conteúdos multimédia disponíveis, partindo das já bastante utilizadas fotos (fotologs), prosseguindo pelos conteúdos áudio (tendência que tem vindo a acentuar-se, com a disponibilização de “música de fundo”), chegando até ao vídeo e à partilha de aplicações.

O PULSAR DOS DIÁRIOS VIRTUAIS EM PORTUGAL (XXVIII)

No mês de Julho, a blogosfera (por via de um conjunto de mais de 70 blogues) chamaria de novo a si uma responsabilidade social (um papel de “watchdog”, mobilizando a opinião pública), reclamando o esclarecimento governamental sobre os alegados estudos relativos à decisão de construção de um novo aeroporto na Ota, numa iniciativa que, partindo dos blogues, se alargaria aos “media” tradicionais, obrigando mesmo o Ministro das Obras Públicas a “sair a terreiro” [122]. Tal como sucedera com a questão do referendo ao Tratado Constitucional Europeu, a blogosfera vinha reafirmar que o exclusivo da “agenda política” em Portugal não pertence já, nos dias de hoje, aos “media” tradicionais.

Porém, já em Agosto, o segmento político da blogosfera seria novamente empobrecido, com o anúncio do termo do Jaquinzinhos [123]… tendo entretanto o autor (João Caetano Dias) regressado, já em Outubro, como colaborador do Blasfémias.

A propósito, o “Diário de Notícias” publicava, em 14 de Agosto, um controverso artigo em que, referindo a quebra de audiências verificada desde Junho de 2005, afirma que os “Blogues políticos deixam de ser motores da blogosfera nacional” [124], no que terá constituído, não obstante, apenas um breve “compasso de espera”, num mais alargado processo de maturação da blogosfera.

Com a aproximação das eleições autárquicas, surgiria, em particular, no mês de Setembro, uma nova vaga de “blogues de campanha”.

Por fim, a mais recente “micro-causa” seria lançada em 3 de Outubro por Paulo Gorjão no Bloguitica: “Pode o jornal “Público” sff esclarecer com quem é que Fátima Felgueiras manteve contactos no Secretariado Nacional do PS? Quando é que esses contactos tiveram lugar? Quem é que informou Jaime Gama previamente da libertação de Fátima Felgueiras?”, culminando com o Director do jornal – em programa na televisão, no canal 2: – remetendo mais informações para uma oportunidade futura.
__________________________
122 Garrido, Helena – “Diário Económico”, 12 de Agosto de 2005 – http://www.diarioeconomico.com/edicion/noticia/0,2458,663152,00.html
123 Jaquinzinhos – http://jaquinzinhos.blogspot.com
124 Almeida, Marina e Gaspar, Miguel, “Diário de Notícias”, 14 de Agosto de 2005 – http://dn.sapo.pt//2005/08/14/media/blogues_politicos_deixam_ser_motores.html

O PULSAR DOS DIÁRIOS VIRTUAIS EM PORTUGAL (XXVII)

Entretanto, no início de Fevereiro, o “Diário de Notícias” passava em revista os blogues dos candidatos [113], ao mesmo tempo que fazia eco [114] do estudo de João Canavilhas, “Blogues políticos em Portugal: O dispositivo criou novos actores?” [115], em que se conclui que “A passagem para a esfera pública parece continuar a depender do impulso dos media tradicionais, pelo que se poderia dizer que actualmente os blogues ainda não geram novos actores”, ressalvando contudo que “a Internet é um meio muito recente, pelo que ainda não entrou na fase de massificação”, sem esquecer os exemplos da passagem da blogosfera para a mediaesfera.

Na mesma altura, Pacheco Pereira fazia no Abrupto um exercício de comentário em tempo real ao debate televisivo entre José Sócrates e Pedro Santana Lopes. Na noite das eleições, acompanharia também a evolução dos resultados eleitorais no seu blogue.

Em meados de Maio, surgia um novo blogue na área política da blogosfera, o Bicho Carpinteiro [116], juntando Joana Amaral Dias, Medeiros Ferreira, Bettencourt Resendes e Maria João Regala.

Surgiam então na blogosfera movimentos visando um efectivo papel impulsionador do debate e reflexão sobre o referendo ao Tratado Constitucional Europeu, raramente vistos para além da fronteira dos blogues. A 18 de Maio, foi Pacheco Pereira a criar um blogue em defesa do “Não”: “Sítio do Não” [117]; seguiram-se nos dias imediatos “O Sítio do Sim” [118] e a “Comunidade de Blogs pelo Sim” [119] e ainda uma página de Marcelo Rebelo de Sousa (“É Sim” [120]). O debate viria a ser suspenso na sequência dos votos “Não” nos referendos francês e holandês que levaram a uma pausa no processo de ratificação do Tratado.

Já em Junho de 2005, Pacheco Pereira apresentava no Abrupto (artigo também publicado no “Público”) uma resenha dos 50 momentos mais importantes no pós-25 de Abril [121].

O fim do mês de Junho ficaria marcado pelo princípio do fim do Barnabé, um dos blogues mais visitados em Portugal, na sequência do abandono de Daniel Oliveira; o epílogo consumar-se-ia em 3 de Julho.
__________________________
113 Correia, Pedro, “Diário de Notícias”, 3 de Fevereiro 2005 – http://dn.sapo.pt/2005/02/03/nacional/os_queridos_diarios_politicos.html
114 Silva, Martim, “Diário de Notícias”, 3 de Fevereiro de 2005 – http://dn.sapo.pt/2005/02/03/nacional/blogs_podem_mass_media.html
115 Canavilhas, João, “Blogues Políticos em Portugal: O dispositivo criou novos actores?” –http://www.bocc.ubi.pt/pag/_texto.php3?html2=canavilhas-joao-politica-e-weblogs.html
116 Bicho Carpinteiro – http://bichos-carpinteiros.blogspot.com
117 Sítio do Não – http://sitiodonao.weblog.com.pt/
118 O Sítio do Sim – http://ositiodosim.blogs.sapo.pt/
119 Comunidade de Blogs pelo Sim – http://sim.21publish.com/
120 É Sim – http://209.51.158.83/~esim/
121 Abrupto – http://abrupto.blogspot.com/2005_06_01_abrupto_archive.html#111848828181477853

O PULSAR DOS DIÁRIOS VIRTUAIS EM PORTUGAL (XXVI)

A 6 de Outubro, dá-se o “Caso Marcelo”, com a suspensão dos comentários de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, devido a alegadas pressões sofridas, também na sequência de críticas do Ministro dos Assuntos Parlamentares ao formato da sua intervenção televisiva, “sem contraditório”. A blogosfera – como se vinha tornando sua marca distintiva – reagiu de imediato (tal como destacado em artigo de Cristina Bernardo Silva no “Expresso online” [100]).

A crise política associada à dissolução do Parlamento passou também – inevitavelmente – pela blogosfera, conforme destaque no “Diário de Notícias” de 2 de Dezembro [101].

Não obstante a crescente notoriedade da blogosfera, os políticos apenas timidamente iam aderindo ao fenómeno; primeiro Manuel Alegre [102] (ainda em Julho de 2004), com o blogue de candidatura à liderança do Partido Socialista, e, mais tarde, já na fase de pré-campanha eleitoral, Helena Lopes da Costa [103] e Nuno Morais Sarmento [104] (ambos no final de 2004) e António José Seguro [105] (em Janeiro de 2005).

O ano de 2005 iniciava-se então com a chegada em força à blogosfera (embora de forma fugaz) dos principais políticos, com blogues de campanha. Na realidade, a explosão blogosférica de 2003 apenas teria um episódico paralelo, ao mais alto nível das figuras políticas nacionais, aquando da campanha eleitoral para as eleições de Fevereiro de 2005, surgindo então (por convite da plataforma de blogues do “Sapo”) os (efémeros) blogues de José Sócrates [106], Pedro Santana Lopes [107], Paulo Portas [108] e Jerónimo de Sousa [109].

Integrado numa página especial de acompanhamento das eleições legislativas, a SIC lançaria também o seu blogue de acompanhamento da campanha eleitoral: “Diário da Campanha” [110]; também a TVI criou uma página com formato de blogue para acompanhamento das eleições [111]. Por seu lado, Pedro Magalhães daria início ao Margens de Erro [112], acompanhando igualmente a evolução da campanha eleitoral, no que respeitava às tendências das sondagens.
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100 Silva, Cristina Bernardo, “Expresso online”, 11 de Outubro de 2004 – http://online.expresso.clix.pt/common/services/imprimir.asp?id=24747271
101 Almeida, Marina, “Diário de Notícias”, 2 de Dezembro de 2004 – http://dn.sapo.pt/2004/12/02/media/blogosfera_concorreu_sites_cobertura.html
102 Manuel Alegre – http://manuelalegre.weblog.com.pt/
103 Helena Lopes da Costa – http://www.helenalopescosta.blogspot.com/
104 Morais Sarmento – http://moraissarmento.blogspot.com/
105 António José Seguro – http://antoniojoseseguro.blogs.sapo.pt/
106 José Sócrates – http://josesocrates.blogs.sapo.pt/
107 Pedro Santana Lopes – http://pedrosantanalopes.blogs.sapo.pt/
108 Paulo Portas – http://pauloportas.blogs.sapo.pt/
109 Jerónimo de Sousa – http://jeronimodesousa.blogs.sapo.pt/
110 Diário da Campanha – http://diariodacampanha.blogs.sapo.pt/
111 TVI – Legislativas 2005 – http://forum.tvi.iol.pt/index.php?site=blogs&bn=blogs_legislativas2005
112 Margens de Erro – http://margensdeerro.blogspot.com/

O PULSAR DOS DIÁRIOS VIRTUAIS EM PORTUGAL (XXV)

A propósito da comemoração do 30º aniversário do 25 de Abril, um blogue (“Aqui Posto de Comando”) agregava cerca de 650 textos alusivos à data, publicados em mais de 100 blogues. Por esses dias de Abril, surgia a debate um polémico slogan (oficial) referindo que Abril era “Evolução” (deixando cair o R, de “Revolução”), com a blogosfera a dar uma clara resposta, mostrando a sua grande dinâmica.

Na sequência de deliberação aprovada na Assembleia da República, já em Julho de 2003, criando uma «zona reservada à página pessoal ou “weblog” de cada deputado para difusão electrónica de informação relativa ao exercício do seu mandato na Assembleia da República e respectivo círculo e mais fácil interacção com os eleitores, cuja gestão será da sua exclusiva responsabilidade em articulação com os serviços», o deputado José Magalhães criava, em 6 de Maio de 2004, o “primeiro blogue parlamentar”: o República Digital, logo seguido (a 17) por Guilherme d’Oliveira Martins, com o Casa dos Comuns [97].

Entretanto, a 7 de Maio, fora criado o blogue de Manuel Monteiro, integrado na página do Partido da Nova Democracia (“O Blogue do DigaoManel”), o qual se esgotaria aquando da realização das eleições para o Parlamento Europeu, a 13 de Junho. A propósito destas eleições, havia sido também criada uma página agregadora (“Ter Voz nas Europeias 2004” [98]), tendo por objectivo “Navegar contra a abstenção”, apelando aos “Blogs, de todas as cores e feitios, pela discussão e participação nas eleições europeias”.

Até que, a 29 de Junho, Durão Barroso anunciava ao país a sua intenção de se demitir do cargo de Primeiro-Ministro, de forma a aceitar o convite a candidato à Presidência da Comissão Europeia. Estava instalada uma crise política que seria alvo de amplo e alargado debate na “blogosfera”, nomeadamente no Abrupto, Barnabé, Blasfémias, Blogue de Esquerda, Bloguitica, Causa Nossa, Mar Salgado e Tugir [99]. A 18 de Julho, Paulo Querido daria o merecido destaque à intervenção da blogosfera a propósito da crise política, em artigo na Revista “Única”, do “Expresso”.
__________________________
97 Casa dos Comuns – http://blogs.parlamento.pt/casadoscomuns/default.aspx
98 Ter Voz nas Europeias – http://ter-voz-nas-europeias.weblog.com.pt/
99 Tugir – http://tugir.blogspot.com

O PULSAR DOS DIÁRIOS VIRTUAIS EM PORTUGAL (XXIV)

A 8 de Maio – dois dias depois da criação do Abrupto por José Pacheco Pereira – surgia o Mar Salgado, também integrante da “blogosfera política” com uma plural tripulação de “velhos lobos-do-mar”.

A 10 de Setembro de 2003 nascia o Barnabé, blogue colectivo sobre política e cultura, de esquerda, agrupando o político Daniel Oliveira, os historiadores André Belo, Rui Tavares e Pedro Oliveira, o jornalista Celso Martins e a ilustradora Rosa Pomar: «O que é que tem o Barnabé? O Barnabé é um blogue sobre política e cultura. O Barnabé não é um blogue intimista. O Barnabé é tão Narciso como os outros, mas tem vergonha na cara. O Barnabé é um blogue pós-narcisista. O Barnabé é um blogue de esquerda e heterodoxo» [94].

Após uma “falsa partida” no mês de Julho, teria finalmente início, a 22 de Novembro, o Causa Nossa, reunindo um “extraordinário grupo de famosos”: Ana Gomes, Eduardo Prado Coelho, Jorge Wemans, Luís Nazaré, Luís Osório, Maria Manuel Leitão Marques, Vicente Jorge Silva e Vital Moreira.

A 15 de Janeiro de 2004, o programa de debate político da SIC Notícias, “Quadratura do Círculo”, moderado por Carlos Andrade, então com as participações de José Magalhães, Lobo Xavier e Pacheco Pereira (sucessor do famoso programa de sucesso na rádio, “Flashback”, na TSF), inaugurava o seu blogue: “Quadratura do Círculo – Está aberto o debate” [95].

Em Fevereiro de 2004, alguns membros do CDS-PP lançarem O Blog do Caldas [96], o primeiro “blogue oficial” de um partido em Portugal, o qual viria a ter início efectivo apenas a 2 de Março.
__________________________
94 Barnabé – http://barnabe.weblog.com.pt
95 Quadratura do Círculo – http://quadraturadocirculo.blogs.sapo.pt
96 O Blog do Caldas – http://oblogdocaldas.blogspot.com

O PULSAR DOS DIÁRIOS VIRTUAIS EM PORTUGAL (XXIII)

7.3. Blogosfera política

Com a criação do Blog de Esquerda, em Janeiro de 2003, nascia «um novo espaço de pensamento e opinião sobre política e cultura», que viria a constituir um “contraponto” face à Coluna Infame, com quem travaria acesos debates, culminando com o episódio que originaria a suspensão desta.

A dicotomia política entre a direita e esquerda na blogosfera seria a partir de então (tendo inicialmente por motivação a intervenção estado-unidense no Iraque, em Março de 2003), e até hoje, uma constante.

No início de Junho de 2003, o Blog de Esquerda (por intermédio do “convidado” Daniel Oliveira) e A Coluna Infame (na pessoa de João Pereira Coutinho) “desentendem-se”; a resposta de João Pereira Coutinho não seria subscrita pelos outros membros do blogue, o que levaria a uma cisão em A Coluna Infame, e, dias depois, a 10 de Junho, à sua suspensão: «A Coluna Infame termina aqui a sua jornada. Começámos em Outubro de 2002, fascinados pelo fenómeno blogger, e convencidos de que era útil travar deste modo novo o combate cultural contra a hegemonia intelectual da esquerda. Desde essa data, o número de blogs mais que duplicou, e muitos deles defendem os mesmos valores que nós. Facto inédito, a «não-esquerda» domina mesmo a blogosfera portuguesa. Paralelamente, cresceu o interesse dos media por este fenómeno. Para além de uma pequena legião de talentos anónimos, cultos e inteligentes, os blogs começaram também a atrair figuras públicas. A blogosfera (política em particular) passou a ser um assunto de conversa».

No dia seguinte, o editorial do “Público” referia o acontecimento: «A “Coluna Infame” acabou. A blogosfera está mais pobre. E o país também – mesmo que a maioria nunca tenha ouvido falar nem da “Coluna”, nem da blogosfera

O PULSAR DOS DIÁRIOS VIRTUAIS EM PORTUGAL (XXII)

A 3 de Outubro, a propósito do papel da blogosfera como fonte noticiosa, Joaquim Furtado escrevia em “A Coluna do Provedor do Leitor”, no “Público”, um interessante texto, “Contar com os blogues”.

Em Dezembro de 2004, e no espaço de poucos dias, o jornal “Público” edita dois artigos, baseando-se em “entradas de blogues”, sem contudo referir as fontes. A 26 de Dezembro, Joaquim Furtado aborda a questão, em “A Coluna do Provedor do Leitor: Copyright na Net”, concluindo: «O jornal cometeu, em conclusão, dois erros, reconheceu-os nas suas páginas como era, aliás, seu dever, deixando claro quais deveriam ter sido os procedimentos correctos. O processo de reflexão interna produzido pelos responsáveis do jornal e exposto nesta coluna, responde à transparência reclamada pelo leitor».

Já em 2005, em Maio, Pedro Mexia escrevia, no “Diário de Notícias”, tendo por mote a passagem do “Publico online” ao regime de acesso pago, sobre o tema “Acesso pago e blogosfera” [91], concluindo que «Menosprezar o mundo dos blogues é, como se sabe, um erro comum. O acesso pago aos jornais é provavelmente outro».

No “Expresso” de 20 de Agosto (revista “Única”), Paulo Querido fazia um balanço da evolução da blogosfera, em particular da relevância da sua vertente política: «E este é o futuro mais previsível da blogosfera de pendor participativo na res publica: levantar as questões que a imprensa por algum motivo está impedida de colocar (ou esqueça) e melhorar assim a accountability do poder político, que quase não tem antecedentes históricos em Portugal» [92].

Finalmente, em artigo no “Público”, a 23 de Agosto, Vital Moreira, a propósito da necessidade de um “5º poder”, enquadrava a importância da blogosfera: «[…] apesar de crescente, a visibilidade pública dos blogues é ainda muito reduzida entre nós. É pequeno o número dos seus frequentadores regulares. São muito poucos os blogues que têm notoriedade, devendo-a vários deles ao conhecimento de que os seus autores gozam por razões exteriores à blogosfera […]» [93], finalizando com a expectativa de que virá a assumir uma relevância crescente, particularmente na esfera política.
__________________________
91 Mexia, Pedro, “Diário de Notícias”, 20 de Maio de 2005 – http://dn.sapo.pt/2005/05/20/artes/acesso_pago_e_blogosfera.html
92 Querido, Paulo, “Expresso” – “Única”, 20 de Agosto de 2005
93 Moreira, Vital, “Público”, 23 de Agosto de 2005

O PULSAR DOS DIÁRIOS VIRTUAIS EM PORTUGAL (XXI)

Depois do “entusiasmo mediático” do Verão de 2003, os blogues quase tinham “desaparecido” dos meios de comunicação tradicionais. Paulo Pena, em artigo na revista “Visão” (edição de 15 a 21 de Abril) volta a “colocá-los no mapa”, a propósito do seu papel na convocação da militância política, nomeadamente manifestações contra a guerra no Iraque.

Em Maio de 2004, a blogosfera volta a passar por uma fase de grande turbulência, na sequência de artigo na edição electrónica do “Expresso” [89] («Alegando tendência para difamação Autoridade quer acabar “blogs”»), o qual não terá passado de uma “gaffe” de uma estagiária.

Em 16 de Setembro, no “Público”, Pacheco Pereira apresentava um novo balanço da “blogosfera”: «Há cerca de um ano, escrevi sobre os blogues no PÚBLICO, coincidindo com a sua descoberta por um público mais vasto. Houve, em seguida, o habitual surto de breve fama, centenas de blogues foram criados e dezenas de artigos mais ou menos apressados, mais ou menos informados, foram publicados. Tudo quanto era órgão de comunicação social publicou pelo menos um artigo sobre os blogues. Depois os blogues passaram de moda, muitos dos blogues criados desapareceram, embora a “audiência” global dos blogues tenha aumentado significativamente, mantendo-se esse efeito até hoje. É altura de fazer um balanço deste novo tipo de publicação electrónica. A blogosfera portuguesa mudou muito durante este ano, deixou de ser constituída por um pequeno grupo pioneiro, que a usava quase como um “espaço íntimo”, para se tornar, de um dia para o outro (a rapidez é uma característica do meio), mais agressiva, politizada no mau sentido, ressentida e implicativa. Mas essa fase também já passou e o melhor dos primeiros tempos “íntimos” e o melhor da fase de democratização da blogosfera permaneceram. Cerca de 20 a 30 blogues portugueses fornecem todos os dias novas ideias, reflexões, informações, que um cidadão avisado e culto não deve perder.» [90]

A 1 de Agosto, os “blogues políticos” (Abrupto, Barnabé e Causa Nossa) seriam objecto de destaque no Telejornal da RTP1.
__________________________
89 “Expresso Online”, 14 de Maio de 2004 – http://online.expresso.pt/1pagina/artigo.asp?id=24744264
90 Pereira, José Pacheco, “Público”, 16 de Setembro de 2004

O PULSAR DOS DIÁRIOS VIRTUAIS EM PORTUGAL (XX)

Dois dias depois, o mesmo Francisco José Viegas abordaria o tema nas páginas dos jornais, no “Jornal de Notícias”: «De repente, a descoberta da blogosfera veio para as páginas dos jornais. José Pacheco Pereira publicou alguns artigos sobre a matéria e o essencial disse-o ele: é impossível saber o que pensa o Portugal dos anos 90 sem referir a blogosfera, o mundo dos blogs, a travessia imediata da internet por cidadãos anónimos ou com nome que, diariamente, dão opinião, escrevem sobre todos os assuntos (de política a medicina, de sociologia a arquitectura, de literatura – sobretudo – ao dia-a-dia de gente que não conhecemos)» [87]. No “Público” de 31 de Julho, Eduardo Prado Coelho escrevia também sobre os blogues.

Nos meses de Agosto (no dia 11) e Setembro (a 2), o “Diário de Notícias” abordaria também o tema, por intermédio de Pedro Correia e Medeiros Ferreira, com uma nova abordagem sobre o fenómeno.

A 4 de Outubro, no suplemento “Actual”, do “Expresso”, António Guerreiro apresentava uma crítica ao “universo dos blogues”, nomeadamente pela reprodução na blogosfera de um regime que afirma ser o «responsável pela hipertrofia da “opinião” que caracteriza a imprensa, em Portugal», o do “mandarinato”, caracterizado pela «corrida ao espaço público mediático».

O vertiginoso ano blogosférico de 2003 fechava com a referência de Manuel António Pina, que escrevia na revista “Visão”: «A blogosfera é o lugar onde hoje melhor se escreve e se pensa em português. […] E o facto de a maior parte dos blogues ser, julgo, escrita por gente com menos de 30 anos justifica uma réstia de esperança no futuro» [88].

A 6 de Janeiro de 2004, Paulo Querido lança uma novidade, ao colocar disponível na Internet o primeiro texto sobre blogues a título de conteúdo pago (o artigo “Blogues de A a Z”, que havia sido publicado na revista do “Expresso” de 3 de Janeiro). A 9 de Janeiro, iniciava-se, na SIC RADICAL, com a “equipa completa”, formada pelos quatro autores do blogue, o programa humorístico “Gato Fedorento”.

Num “agitado” final de Fevereiro, Paulo Gorjão destaca no Bloguitica a “reacção” de um editorial de um jornal de referência (o “Público”) a um texto escrito num blogue (Causa Nossa): «Hoje deu-se mais um pequeno passo na História da blogosfera nacional. Ainda que em post-scriptum, um editorial de um jornal de referência reage a um texto de um blogue: José Manuel Fernandes responde a João Madureira».
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87 Viegas, Francisco José, “Jornal de Notícias”, 24 de Julho de 2003
88 Pina, Manuel António, “Visão”, 18 de Dezembro de 2003

O PULSAR DOS DIÁRIOS VIRTUAIS EM PORTUGAL (XIX)

Na edição do dia 26, a revista “Visão” destacava também o fenómeno: «Bem-vindo à blogosfera: Um espaço de liberdade total ou um exercício de narcisismo? Com sarcasmo, humor ou seriedade, os pensamentos de centenas de portugueses revelam-se na Internet. Uns mais mediáticos do que outros, todos os autores têm algo a dizer. Está na hora de actualizar os dicionários: a palavra blogue entrou no léxico nacional»; os dados estavam definitivamente lançados!

A 28 de Junho, José Mário Silva escrevia no “DNA” (suplemento do “Diário de Notícias”): «Em pouco tempo, a blogosfera passou de uma espécie de clandestinidade obscura para a mais iluminada das ribaltas, sem meio termo, à semelhança de tantas outras coisas em Portugal. Se de início houve uma desconfiança porventura excessiva dos media tradicionais em relação ao fenómeno, agora acontece precisamente o contrário. Estamos em plena blogomania: os jornais de referência citam os blogues e dedicam-lhes editoriais; há destaques, reportagens e perfis de “bloggers” a aparecer por todo o lado; entrevistas em programas de rádio; o diabo a sete» [84]. No dia seguinte, o “Correio da Manhã” aborda também o tema, sob o título: “Blogue, A Nova Moda Cibernética”.

A 17 de Julho, Pacheco Pereira insistia na importância do papel da blogosfera como voz imprescindível para compreender o país contemporâneo. A 22, novamente pela mão de Francisco José Viegas, os blogues portugueses chegam à televisão, na NTV, no programa “Livro Aberto” – que tem também um blogue associado [85] –, num debate com as participações de Pedro Mexia (Dicionário do Diabo); Ricardo Araújo Pereira (Gato Fedorento); Nuno Jerónimo (Blogue dos Marretas); Bernardo Rodrigues (Desejo Casar [86]) e Cristina Fernandes (Janela Indiscreta).
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84 Silva, José Mário, “DNA – Diário de Notícias”, 28 de Junho de 2003
85 Livro Aberto – http://livro-aberto.blogspot.com
86 Desejo Casar – http://desejocasar.blogspot.com

O PULSAR DOS DIÁRIOS VIRTUAIS EM PORTUGAL (XVIII)

Ainda em Maio, o “Diário Económico” publica também um artigo sobre weblogs, notando que: «A política é o tema mais discutido nos “weblogs”, devido à liberdade de expressão», mas apontando também a existência de espaços de humor, por exemplo com o “Blogue dos Marretas” ou o “Gato Fedorento”.

A 18 de Junho, os blogues chegavam à rádio, por via de Francisco José Viegas, na Antena 1, no programa “Escrita em Dia”, num debate com alguns conhecidos “bloggers”: José Mário Silva, Nuno Costa Santos, Pedro Lomba e Pedro Mexia.

Pacheco Pereira, na sequência da criação do Abrupto – e abordando ele próprio o tema blogues na sua coluna no “Público”, a 19 de Junho – viria a atrair o interesse dos “media” tradicionais sobre o fenómeno, num efeito de espiral, que, conferindo visibilidade à blogosfera, contribuiria activamente para que fosse conhecida por milhares de portugueses, potenciando o seu grande “boom”.

A 21 de Junho, na revista “Única”, do “Expresso”, faz-se também referência à dicotomia “direita-esquerda”, então bastante patente na politizada blogosfera nacional, com alusão ao fim de “A Coluna Infame”. No mesmo dia, um artigo de Pedro Rolo Duarte no “DNA” (suplemento do “Diário de Notícias”) questionava a “promiscuidade” entre jornalistas e “bloguistas”.

O “Destaque” do “Público” de 23 de Junho apresentava alguns dos principais blogues de entre os cerca de 1 000 existentes à data, com um conjunto de 10 textos, abordando o fenómeno da emergente blogosfera nacional sob várias perspectivas, um decisivo contributo para a aceleração do seu crescimento.

O PULSAR DOS DIÁRIOS VIRTUAIS EM PORTUGAL (XVII)

7.2. Mediatização da blogosfera

O processo de mediatização da blogosfera teria início, a 25 de Janeiro de 2003, no “Público”, com António Granado a escrever, pela primeira vez, sobre os blogues de maior projecção: A Coluna Infame e Blog de Esquerda. A 28, Pedro Mexia referia A Coluna Infame no “Diário de Notícias”. A 30 de Janeiro, novamente no “Público”, era a vez de Eduardo Prado Coelho se referir aos blogues.

A 1 de Fevereiro, também no “Público” (suplemento “Mil Folhas”), foi Isabel Coutinho a abordar o fenómeno; ainda em Fevereiro, a 21, seria Paulo Pinto Mascarenhas, a referir-se-lhes, no “Independente”.

Já em Março, no dia 1, José Mário Silva escrevia no suplemento “DNA” do “Diário de Notícias”, uma crónica sobre blogues [83], abordando a “revolução em curso na internet”. Em 20 de Março de 2003, Pacheco Pereira apresenta como tema na sua coluna no “Público” o debate a propósito da guerra do Iraque, então tema central de alguns dos principais blogues.

A revista “Meios”, no seu número referente ao mês de Maio, edita um texto sob o tema: «“Blogs”: o outro lado da Internet». A 4 de Maio, são apresentados no “Público” novos artigos sobre o fenómeno dos “weblogs”. No dia 7, Carlos Pinto Coelho fala sobre os blogues no programa televisivo “Acontece” (na RTP2). A 9 de Maio, o “Público” (no suplemento “Y”) fazia nova referência aos blogues nacionais.

A propósito da “chegada” de Pacheco Pereira, a 10 de Maio era a vez do “Diário de Notícias” abordar o tema, lançando pistas para a descoberta deste “admirável mundo novo”, com sugestões de blogues posicionados à direita e à esquerda, humorísticos ou “literários”.

A 17 de Maio, no “Expresso”, Paulo Querido aponta o tema da abertura do – até então – “mundo fechado da blogosfera” e a viragem dos blogues para o exterior, não só para o público da net, mas, de forma mais alargada, para o público em geral.
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83 Silva, José Mário, “DNA – Diário de Notícias”, 1 de Março de 2003 – http://escrita-automatica.blogspot.com/2003_02_23_escrita-automatica_archive.html

O PULSAR DOS DIÁRIOS VIRTUAIS EM PORTUGAL (XVI)

A 14 de Fevereiro de 2005, José Mário Silva publicava no “Diário de Notícias” o artigo “Blogue de encontro, uma experiência cibernética”, aflorando a temática dos conhecimentos amorosos via blogosfera, com referência também ao surto de “babyblogs”. Reflectindo a propósito do sexo, Júlio Machado Vaz iniciava, no final de Fevereiro de 2005, o Murcon [77].

No final de Março, o “Diário de Notícias”, prosseguindo a abordagem do fenómeno dos blogues, apontava a criação diária de mais de 70 blogues e a existência de mais de 37 000 diários activos [78].

O dia 10 de Junho é marcado por um alegado “arrastão” na praia de Carcavelos, o qual teria envolvido cerca de 500 indivíduos de cor, assaltando os banhistas; tal constituiria ponto de partida para intenso debate na blogosfera. Finalmente, chegar-se-ia à conclusão que não se tratara de um “arrastão”, mas sim, basicamente, de um grupo em fuga da polícia (conforme abordado em “O céu sobre Lisboa” [79]).

A 20 de Junho, João Paulo Meneses (Blogouve-se [80]), numa iniciativa inovadora, visando contribuir para reforçar a transparência entre “bloggers” e leitores, apresenta um “Guia Ético e Técnico para o blogue” [81], com um conjunto de compromissos (unilaterais), de ordem técnica e deontológica: «Quem lê e quem comenta tem o direito de saber o que o espera – porque há uma lógica subjacente a cada blogue e a este também. Pretende-se que este guia seja uma forma de estabelecer uma relação mais transparente com os eventuais leitores ou uma maneira de a clarificar».

Também em Junho de 2005, era lançada a ideia do “Blogreporters”, tendo por objectivo “permitir que as pessoas interessadas em fazer jornalismo profissional, possam de uma forma simples e gratuita publicar as suas peças, demonstrando o seu valor. Porém, o BlogReporters não pretende ser apenas um espelho dos órgãos de comunicação social nacionais, mas antes um espaço novo e original, uma lufada de ar fresco no panorama dos média nacionais, no qual se façam finalmente as reportagens que nunca ninguém ousou fazer em Portugal, no qual se valorize a investigação e a inovação” [82].
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77 Murcon – http://www.murcon.blogspot.com
78 “Diário de Notícias”, 29 de Março de 2005 – http://dn.sapo.pt/2005/03/29/tema/mais_70_blogues_criados_todos_dias_p.html
79 O céu sobre Lisboa – http://o-ceu-sobre-lisboa.blogspot.com/2005/07/permaneci-com-uma-dvida-inquietante.html
80 Blogouve-se – http://ouve-se.blogspot.com/
81 Meneses, João Paulo, “Guia Ético e Técnico para o blogue” – http://oquesepassa.no.sapo.pt/carta%20%E9tica%20e%20t%E9cnica.htm
82 Blogreporters – http://blog.lisbonlab.com/2005/06/22/blogreporters-algumas-ideias-chave/

O PULSAR DOS DIÁRIOS VIRTUAIS EM PORTUGAL (XV)

Ainda em Novembro, o Barnabé anunciava o lançamento de livro com textos editados no blogue, mais um livro surgido a partir da blogosfera, depois de “O Meu Pipi”, “Fora do Mundo” e “No Parapeito” (de Rita Ferro Rodrigues). Seguir-se-iam, já em 2005, as publicações de “Mil e Uma Pequenas Histórias” (Luís Ene – Ene Coisas [71]), “Pagar Para Ver” (Ana Roque – Modus Vivendi [72]), e “As Ruínas Circulares” [73] (João Pedro da Costa – já definido como o “blogger mais blogger”, pela forma única com que beneficia das potencialidades da ferramenta, particularmente a nível gráfico – conforme crítica ao livro, por José Mário Silva, “A blogosfera, modo de usar” [74]), blogues instalados na plataforma weblog.com.pt, editados por Paulo Querido. Em Abril de 2005, seria editado também o livro “O Acidental” [75]. Em Maio, eram lançados: “Gato Fedorento – O Blog” e “O Livro da Rititi” (Rita Barata Silvério – Rititi [76]).

O mês de Dezembro de 2004 seria marcado pelo prémio de melhor blog jornalístico em português do “Best Of the Blogs” (da Deutsche Welle), atribuído ao Ponto Media, de António Granado.

A 17 de Dezembro, Paulo Querido anuncia o primeiro caso de pedido de informação por parte de um Tribunal relativamente a um conteúdo do weblog.com.pt.

A blogosfera iniciava o seu processo de amadurecimento, com o princípio de generalização da audiência; muitos dos blogues da classe de 2003 vinham entretanto abdicando; outros continuavam a nascer diariamente, alargando a temática para além dos acesos debates políticos: surgiam blogues específicos de música, cinema, literatura, artes, história, informática, desporto, de tendências sexuais minoritárias.
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71 Ene Coisas – http://milmaisuma.leiturascom.net/
72 Modus Vivendi – http://amata.weblog.com.pt/
73 As Ruínas Circulares – http://asruinascirculares.weblog.com.pt/
74 Silva, José Mário, “Diário de Notícias”, 16 de Agosto de 2005 – http://dn.sapo.pt/2005/08/16/artes/a_blogosfera_modo_usar.html
75 O Acidental – http://oacidental.blogspot.com
76 Rititi – http://www.rititi.com

O PULSAR DOS DIÁRIOS VIRTUAIS EM PORTUGAL (XIV)

A 22 de Junho, na “Festa do Solstício”, promovida pelo Causa Nossa [61], seriam atribuídos alguns prémios “blogosféricos”: Prémio “Carreira” – Paulo Querido, António Granado e Pacheco Pereira (cada um, à sua maneira, dando um contributo decisivo para a afirmação da blogosfera em Portugal); Melhor blogger – Pedro Mexia (um dos dinamizadores d’A Coluna Infame, tendo prosseguido com o Dicionário do Diabo e, posteriormente, no Fora do Mundo [62], vindo a dar lugar, já no final de Setembro de 2005, ao Estado Civil [63]); Melhor “blogue de esquerda” – Barnabé [64]; Melhor “blogue de direita” – Mar Salgado [65].

Em Setembro, Jorge van Krieken ameaça a Grande Loja do Queijo Limiano [66] com uma queixa-crime por alegada “difamação e calúnia grave” – a propósito de uma “entrada” relacionada com o caso de pedofilia na Casa Pia.

No final de Outubro de 2004, a blogosfera era “sacudida” com o caso “Do Portugal Profundo” [67], com a Polícia Judiciária a confiscar o computador do autor do blogue, por alegada quebra do sigilo judicial a propósito do caso de pedofilia na “Casa Pia”, conforme relatado no Correio da Manhã [68] – tal como no caso “Muito Mentiroso”, a agenda dos “media” tradicionais voltava a ser marcada pela blogosfera.

O início de Novembro fica assinalado pelo abandono de actividade de dois “blogues históricos”, o Janela Indiscreta [69] (página de relevância cultural) e o Valete Fratres! [70] (situado à direita do espectro político).
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61 Causa Nossa – http://causa-nossa.blogspot.com
62 Fora do Mundo – http://foradomundo.blogspot.com
63 Estado Civil – http://www.estadocivil.blogspot.com
64 Barnabé – http://barnabe.weblog.com.pt
65 Mar Salgado – http://marsalgado.blogspot.com/
66 Grande Loja do Queijo Limiano – http://grandelojadoqueijolimiano.blogspot.com
67 Do Portugal Profundo – http://doportugalprofundo.blogspot.com/
68 Matos, Rodrigo de, “Correio da Manhã”, 28 de Outubro de 2004 – http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=136546&idselect=9&idCanal=9&p=94
69 Janela Indiscreta – http://janela-indiscreta.blogspot.com
70 Valete Fratres! – http://valetefratres.blogspot.com/

O PULSAR DOS DIÁRIOS VIRTUAIS EM PORTUGAL (XIII)

Os dias 22 e 23 de Janeiro de 2004 seriam de “grande rebuliço” e efervescência na blogosfera (mais de 30 blogues envolvidos), a propósito da discussão sobre a autoria do blogue “Possibilidade do Sentir”, cuja autora se fazia passar pela jornalista Anabela Mota Ribeiro, que apresentava o magazine cultural no novo canal televisivo “A Dois”.

A 12 de Fevereiro, era lançado o livro de António Granado e Elisabete Barbosa: “Weblogs – Diário de Bordo”.

A 29 de Fevereiro, concretiza-se a primeira “mega-fusão” da blogosfera portuguesa, com o Mata-Mouros [54], Cataláxia [55] e Cidadão Livre [56] a concentrarem-se no novo Blasfémias [57], um blogue de cariz “liberal”, a que se juntaria mais tarde o autor do Liberdade de Expressão [58].

Em Abril, a blogosfera volta a agitar-se com a história do despedimento de alegados jornalistas do “Primeiro de Janeiro”, pretensamente devido a expressarem, no blogue que mantinham (Diário de um jornalista [59]), críticas à gestão interna do jornal.

O mesmo mês marca também o início do Afixe [60], que, tendo começado com dois membros, se viria a transformar num dos maiores “conglomerados” da blogosfera, agrupando actualmente 10 colaboradores.
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54 Mata-Mouros – http://matamouros.blogspot.com
55 Cataláxia – http://catalaxia.blogspot.com
56 Cidadão Livre – http://cidadaolivre.blogspot.com
57 Blasfémias – http://ablasfemia.blogspot.com
58 Liberdade de Expressão – http://liberdade-de-expressao.blogspot.com
59 Diário de um jornalista – http://diariodeumjornalista.blogspot.com/
60 Afixe – http://afixe.net