Leonel Vicente
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Archive for the ‘Livro do mês’


MPB.pt (I)

mpb.jpgUma obra que reúne – em texto e em áudio (!) – ideias, pensamentos e histórias contadas de viva voz por nomes como Chico Buarque, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Hermeto Pascoal, Ivan Lins, Maria Rita, Carlinhos Brown, Marisa Monte, Tom Zé, Lenine, Chico César, Edu Lobo, Vanessa da Mata, Egberto Gismonti e Ney Matogrosso, é, necessariamente, obrigatória!

Quando a esse facto se alia a qualidade e oportunidade da intervenção de um grande entrevistador/conversador como é Carlos Vaz Marques (lançando “deixas”, puxando pelo interlocutor, deixando-o “espraiar-se”, sem cercear as suas “divagações”, antes delas tirando partido para enriquecer a conversa), o que resulta é um áudio-livro – MPB.pt (com base em entrevistas do programa de rádio da TSF, “Pessoal e… Transmissível”) – que constitui um singular repertório de diálogos com alguns dos grandes protagonistas da Música Popular Brasileira.

Para “abrir o apetite”, começo por aqui recuperar alguns deliciosos excertos:

Hermeto Pascoal (8 de Outubro de 2005)

“O corpo da gente é o instrumento mais perfeito. Porque é ele justamente que toca todos os instrumentos. É ele que mexe com todos os instrumentos. Eu, no futuro, logo, logo, não vai demorar muito, vou fazer um CD e o nome vai ser o seguinte: Eu e Eu. […] Mais nada. Até bater com os pés no chão, eu não vou bater. Vou fazer tudo com o meu corpo. Vai ser muito louco. As mulheres não podem chegar. […] Tem lugar em que eu vou tocar nu. Eu não estou querendo emagrecer que é para usar a barriga. Como eu estou gordinho… Para ter som.”

Ivan Lins (21 de Março de 2005)

“No ano seguinte, eu estava dirigindo o meu pequeno carrinho na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, quando um disc jockey, na rádio, acabava de chegar dos Estados Unidos e gritava: novidade! Novidade! Olha, a Fitzgerald grava o nosso grande Ivan Lins. Botou e eu parei o carro. Quase engarrafei o tráfego porque eu literalmente parei de dirigir, no meio da rua, e fiquei ouvindo. Atrás de mim, aquela buzinada toda. Eu não quero saber de buzinada. Eu quero é ouvir a Ella Fitzgerald.”

Carlinhos Brown (26 de Maio de 2003)

“Foi numa festa. Eu, de repente, fui levado por uns amigos. Aquilo era na parte mais alta do bairro, uma parte de melhor poder aquisitivo. Eu tinha comprado uma roupa nova, que inclusive nem dava direito em mim. Comprei errado. Aí, eu entro no salão e começo a dançar com os amigos. O dono da festa é que não gostou. E disse: o que é que esses browns querem daqui? E eu disse: brown? Mas eu não sou brown. Aí, os meus amigos começaram a rir. Viram que eu não gostei da brincadeira… Disse: vou me embora, realmente; eu já não fui um convidado da festa, fui levado pelos meus amigos.”

Lenine (28 de Setembro de 2005)

“Até porque ele dizia o seguinte: até aos oito anos de idade a minha participação como pai é ínfima; a partir dos oito anos a minha presença vai-se fazer mais presente. A primeira coisa que ele fazia, quando nós fazíamos oito anos, era dizer: olha, existe mais do que uma conexão com o divino; até aos oito anos de idade vocês foram com sua mãe porque eu acredito que têm uma ligação uterina e não dá para competir com ela; a partir de agora vocês têm opção, vocês querem se conectar com o divino indo na missa com mamãe ou ficando em casa com papai ouvindo música?”

Ney Matogrosso (29 de Janeiro de 2003 / 22 de Setembro de 2004)

“Olha, eu na minha vida real, no meu quotidiano, não sinto a menor necessidade de chamar a atenção sobre a minha pessoa, de ser observado, que prestem atenção a mim. Não. Muito pelo contrário. Eu prefiro observar a ser observado.”

Tom Zé (3 de Maio de 2006)

“Foi por causa de Renato, um amigo meu, que eu me meti em música. Ele me dizia sempre coisas estratosféricas, coisas que não eram da lógica comum. Coisas, digamos, portuguesas. Gostam de fazer brincadeiras sobre os portugueses porque os portugueses não têm a lógica comum. É justamente por isso que é um povo curioso. Renato gostava de me dizer coisas portuguesas, coisas que não tinham lógica cartesiana. Foi por causa dele que eu fui começando a pensar um mundo não aristotélico. Aí, um dia, ele falou: Tom Zé, agora toco violão, não toco mais flauta. E aí tocou. Aquele contraponto da primeira espécie – em que a voz faz dó, si, dó, ré e o violão faz dó, si, lá, sol – me fisgou, me fez perder a noção de espaço, de tempo. Me jogou, realmente, num mundo de relatividade einsteiniana. Quando voltei ao planeta Terra, depois, o meu primeiro pensamento foi: eu quero tocar violão.”

Ainda subsistirá alguma dúvida de que se trata de um livro absolutamente imperdível?

O CODEX ARQUIMEDES (V)

O Stomachion

Trata-se de uma espécie de puzzle – conhecido como a “Caixa de Arquimedes” –, em que 14 peças (polígonos de 3, 4 ou 5 lados) formam um quadrado, no que foi durante séculos entendido como um mero jogo. Mas revelar-se-ia bem mais que isso…

Arquimedes estudara as medidas das várias peças, investigando os seus ângulos, para descobrir como poderiam ser unidas (formando uma linha recta, isto é, unidas a 180 graus).

O Stomachion era afinal uma forma de estudar as diferentes maneiras como as figuras podiam ser combinadas, fundando a combinatória (associada à teoria das probabilidades – que apenas no século XVII viria a ser desenvolvida na Europa), o que se traduziria – em Dezembro de 2003 – numa extraordinária revelação para a ciência, propiciada pelo Palimpsesto Arquimedes!

Stomachion

 

Quantas maneiras poderia haver?

Os matemáticos encarregues de estudar a questão começariam por chegar à conclusão que, inevitavelmente – para que fosse possível respeitar a forma global do quadrado –, as duas peças mais à esquerda não poderiam ser separadas, pelo que se poderiam considerar como se de apenas uma peça se tratasse.

O mesmo raciocínio se aplica a outros 2 pares de peças, reduzindo-se assim o “quebra-cabeças” a apenas 11 peças “efectivas”, em lugar das 14.

Um cientista informático viria a descobrir uma forma de definir o problema em termos de algoritmos informáticos, “descrevendo” ao computador como formar o quadrado, com um programa que simulava todas as combinações possíveis de peças, de forma a verificar as que teriam correspondência, permitindo assim efectuar a contagem das possibilidades correctas. A sua solução seria também validada por outros cientistas e investigadores, com base em fórmulas matemáticas – não obstante não ser possível demonstrar que Arquimedes tivesse efectivamente concluído este cálculo.

Decorrendo de 24 “famílias” básicas de agrupamentos, foram identificadas 536 “soluções básicas”, cada uma das quais podendo gerar 32 “rotações”: 536 x 32 = 17 152!

Concluía-se assim que há 17 152 modos diferentes de combinar as 14 peças, formando o quadrado Stomachion!

O CODEX ARQUIMEDES (IV)

Quem foi Arquimedes?

Matemático e inventor grego, um dos maiores cientistas de todos os tempos – pelas ferramentas que criou e pela forma como a ciência subsequente se viria a desenvolver com base na sua investigação e descobertas, fundando a combinatória (que viria a originar a teoria das probabilidades) –, nasceu em Siracusa (Sicília), então a principal cidade grega do Mediterrâneo Ocidental, por volta do ano 287 a.C., tendo sido educado em Alexandria (Egipto), acabando por se fixar em Siracusa, aí falecendo no ano 212 a.C., aquando do ataque dos Romanos.

Viria a criar um método para calcular o número π (3,1415926535) , o qual traduz a razão entre o perímetro de uma circunferência e o seu diâmetro.

A sua descoberta mais célebre ficaria conhecida como o “Princípio de Arquimedes”: qualquer corpo imerso num fluido em repouso sofre, por parte desse fluido, uma força vertical para cima, cuja intensidade é igual ao peso do fluido deslocado pelo corpo.

Na mecânica, ficou célebre a sua descoberta da alavanca, com a mítica expressão: “Dêem-me um ponto de apoio e eu levantarei o mundo”.

O CODEX ARQUIMEDES (III)

O legado de Arquimedes concentrava-se em três manuscritos, designados Códex A, Códex B – ambos já inexistentes, subsistindo apenas cópias e traduções – e Códex C, o famoso palimsesto.

O que é um palimpsesto? Etimologicamente, deriva das palavras gregas palin (outra vez) e psan (raspar), traduzindo que o pergaminho foi raspado (para apagar o texto inicial) e reescrito.

No caso concreto, o chamado Palimpsesto Arquimedes – um manuscrito medieval, escrito por um copista do século X sobre a pele de um animal, com uma solução de ácido gálico (presente na galha de carvalho), à qual se junta sulfato ferroso –, fora raspado com uma mistura de ácido natural, de forma a apagar as letras nele inscritas, após o que, rodados 90º, e dobrados ao meio, os seus fólios foram reutilizados para escrita de um livro de orações (no início do século XIII)!

O CODEX ARQUIMEDES (II)

O Codex Arquimedes conta-nos a história do palimpsesto e dos textos nele inscritos – desde a sua origem, numa viagem de mais de 2 200 anos –, seguindo o seu “rasto”, os seus desaparecimentos e a forma como foi descoberto, recuperado, restaurado e decifrado, revelando textos do mundo antigo, mudando a história da ciência.

Incompleto, e bastante danificado, é, não obstante, o mais antigo manuscrito existente de Arquimedes, com os seus 174 fólios, constituindo-se na única fonte em grego do seu tratado mais célebre, Dos Corpos Flutuantes, e o único que compreende os textos do Método e do Stomachion.

Desde o leilão no final de Outubro de 1998 – em que o palimpsesto foi vendido a um mecenas anónimo por 2 milhões de dólares, a que acrescem 200 000 dólares de comissão –, à sua chegada ao Museu Walters, em Janeiro de 1999, ao início dos trabalhos por uma vasta equipa, já em Junho de 1999, passando pela separação das folhas (apenas iniciada em Abril de 2000, com os últimos fólios a serem separados em Novembro de 2004!), culminando nas grandes descobertas de 2001 (o Método, ou o “Infinito revelado”) e 2003 (“Stomachion“).

O CODEX ARQUIMEDES (I)

O Codex Arquimedes

De forma diversa das realidades ficcionais que nos têm vindo a ser apresentadas nos anos mais recentes por outros Códigos e Codex, “O Codex Arquimedes” relata a história verdadeira da recuperação de uma obra de um dos maiores génios da humanidade, Arquimedes, combinando com maestria ingredientes como a intriga, acção e ciência, numa fascinante viagem no tempo, aliciante não só para os interessados pela Física, Matemática e História.

O Palimpsesto de Arquimedes – resultado de trabalho de copistas do século X, transcrevendo os rolos de papiro originais – foi adquirido em leilão realizado em Nova Iorque em 1998 pela impressionante verba de mais de 2 milhões de dólares; um antigo livro de orações do século XII era afinal o resultado da reciclagem do famoso “Codex C” (que se julgava desaparecido desde há cerca de 7 séculos, tendo sido a sua descoberta sido anunciada em artigo no The New York Times, em 16 de Julho de 1907 – há precisamente 100 anos!), o qual se encontrava dissimulado sob o referido texto (o texto original havia sido raspado das folhas de pergaminho, as quais, depois de uma rotação de 90º, tinham sido reescritas com as referidas orações).

Um livro que demorou mais de 6 anos a recuperar, reconstruir, conservar e decifrar, com o texto a ser objecto de análise com as mais sofisticadas tecnologias de digitalização de imagens, a par de técnicas magnéticas, e ainda com recurso a raios X.

Culminando em revolucionárias descobertas, como a do Stomachion, forma precursora de cálculo combinatório e de probabilidades – para além de propiciar a única fonte original (em grego) de “Dos corpos flutuantes” e a única cópia integral de “Do método relativo aos teoremas mecânicos”. Permitindo, por outro lado, constatar que a obra de Arquimedes viria a influenciar outras grandes figuras da ciência, como Newton, Galileu, Leonardo da Vinci ou Leibniz.

5 LIVROS

A solicitação de “várias famílias”, aqui deixo a lista dos meus 5 últimos “livros de cabeceira”, de géneros diversos, e a que retornarei nas próximas semanas:

- O Codex Arquimedes – Reviel Netz e William Noel

- Portugal – O Pioneiro da Globalização – Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas

- O Último Cabalista de Lisboa – Richard Zimler

- A Sombra do Vento – Carlos Ruiz Zafón

- MPB.pt – Carlos Vaz Marques

O CODEX ARQUIMEDES – PREFÁCIO

“Nicetas Choniates, irmão do arcebispo de Atenas, presenciou a maior calamidade que alguma vez se abateu sobre o mundo do conhecimento. Em Abril de 1204, os soldados cristãos enviados em missão para libertarem Jerusalém esqueceram o seu propósito e saquearam Constantinopla, a mais rica cidade da Europa. Nicetas relatou o seu testemunho desta carnificina. O tesouro sumptuoso da grandiosa igreja da Hagia Sophia (Santa Sabedoria) foi divido e distribuído pelos soldados. Levaram mulas até ao próprio santuário, para carregarem o saque. Na sé do Patriarca – sobre a qual dançou e entoou cantigas obscenas – sentou-se uma meretriz, que fazia encantamentos e venenos. Os soldados capturaram e violaram as freiras consagradas a Deus. «Ó Deus imortal», lamentou-se Nicetas, «quão grandes foram as aflições dos homens». A realidade obscena da guerra medieval abateu-se sobre Constantinopla e o cerne de um grande império estilhaçou-se.

A cidade saqueada tinha mais livros do que habitantes. Esta era a primeira vez que Constantinopla fora pilhada em 874 anos, desde que fora fundada em 330 por Constantino, o Grande, imperador de Roma. Os seus habitantes ainda se consideravam Romanos e como seu legado a cidade albergava os tesouros literários da Antiguidade. Entre estes tesouros contavam-se tratados do maior matemático da Antiguidade, e um dos maiores pensadores de todos os tempos. Ele calculara o valor aproximado de Pi, elaborou a teoria dos centros de gravidade, e lançou as bases do cálculo, 1800 anos antes de Newton e Leibniz. O seu nome era Arquimedes. Ao contrário de centenas de milhares de livros que foram destruídos no saque da cidade, três livros com textos de Arquimedes escaparam.

Um destes livros, o primeiro a desaparecer, era o Códice B; sabe-se que em 1311 ainda constava da biblioteca do Papa, em Viterbo, a norte de Roma, desconhecendo-se o seu paradeiro desde então. O outro era o Códice A, cujo último registo é de uma biblioteca de um humanista italiano, em 1564. Foi através de cópias destas obras que os mestres da Renascença como Leonardo da Vinci e Galileu conheceram os trabalhos de Arquimedes. Mas Leonardo, Galileu, Newton e Leibniz nada sabiam do terceiro livro. Este continha dois textos extraordinários de Arquimedes, que não constavam dos códices A e B. Comparada com estes textos, a matemática de Leonardo parece uma brincadeira de crianças. Oitocentos anos após o saque de Constantinopla, este terceiro livro, o Códex Arquimedes, o Códice C, na sua designação técnica, apareceu.

Esta é a história verídica e extraordinária do livro e dos textos que contém. Revela como é que os textos sobreviveram ao longo dos séculos, como foram descobertos, como desapareceram novamente, e como viriam finalmente a encontrar um paladino. É também a história do restauro paciente, da tecnologia de ponta e do estudo dedicado que devolveram à vida os textos rasurados. Quando em 1999 iniciou o seu trabalho, a equipa que trabalhou no livro não fazia ideia do que viria a descobrir. Quando concluíram, tinham revelado textos novos do mundo antigo e mudado para sempre a história da ciência.”

(Disponível aqui; vidé também http://www.codexarquimedes.edicoes70.pt/)

O CODEX ARQUIMEDES

“Em 1999, um manuscrito medieval foi vendido em leilão na Christie’s de Nova Iorque por 2 milhões de dólares, a um comprador que, até hoje, se mantém anónimo. Ao ser analisado, o manuscrito revelou-se, na verdade, um palimpsesto: um texto rasurado num pergaminho sobre qual se escreveu um livro de orações no século XIII.

Este é o ponto de partida para uma viagem fascinante, que nos leva num périplo pelo Mediterrâneo – das areias de Siracusa, sitiada pelos Romanos, a Constantinopla e, por fim, a Nova Iorque. É, também, a história do percurso dos textos de uma das maiores mentes matemáticas – Arquimedes – e de como a análise das suas obras, há muito dadas como desaparecidas, nos revela a genialidade do seu pensamento.

Profusamente ilustrada com diagramas elaborados com base nos de Arquimedes, esta é uma obra cativante, num relato que alterna entre o thriller científico, a história, e a divulgação da ciência.”

O CODEX ARQUIMEDES

“O Sr. B disse-me que comprou um livro feio. Como ele pagara dois milhões de dólares por ele, não tomei isto à letra. Mas não. Agora que o tinha nas mãos via que ele fora sincero. Era feio. Era pequeno – mais ou menos do tamanho de um pacote de quilo de açúcar. Ao abri-lo, vi que as páginas tinham manchas castanhas na sua coloração. Eram visíveis marcas de água coincidentes ao abrir as páginas face a face. As páginas tendiam a ser mais claras no meio do que nas margens, onde ainda estavam mais manchadas. Aliás, as pontas das folhas estavam pretas, como se tivessem sido queimadas. Sobreposto ao castanho das páginas estava bordada uma rede de letras gregas castanho escuras todas desordenadas. A monotonia das páginas só era quebrada por uma ou outra mancha vermelha de uma capitular ou, por vezes, por manchas arroxeadas de bolor. Ao folhear as páginas, pude por vezes distinguir os círculos e as rectas de algo que pareciam diagramas que, para grande aborrecimento de quem lia, desapareciam na margem interior, na lombada. Comparado com outros manuscritos em que trabalhara, as páginas não dobravam muito bem e estavam deformadas. Por vezes, quando virava uma página acontecia-me deparar subitamente com um formato diferente. Volta e meia ficava pura e simplesmente com uma página na mão. À medida que fui folheando o livro todo houve quatro páginas que se destacaram por terem um certo encanto, pois tinham gravuras, mas no conjunto foi uma experiência sensaborona. E então para o fim, as páginas tinham um aspecto tão frágil e tão bolorento que fechei o livro, alarmado. Este livro, pelo qual o Sr. B pagara uma fortuna, estava nas últimas.

Esta descrição não é muito útil, por isso, permitam-me que descreva o livro etimologicamente. É um manuscrito, ou em termos mais técnicos, um códice manuscrito. Derivado das palavras latinas manu (à mão) e scriptus (escrito), um manuscrito é todo escrito à mão. Fundamentalmente, difere de um livro impresso porque não é um de muitos livros impressos numa edição. É único. Outros manuscritos podem conter alguns dos textos. Nesta fase, tudo o que eu sabia é que nenhum outro manuscrito continha as obras em grego de Arquimedes, Método, Stomachion ou Dos Corpos Flutuantes. Em segundo lugar, este manuscrito é um palimpsesto. A palavra deriva dos termos gregos palin (outra vez) e psan (raspar), o que significa que o pergaminho utilizado para o fazer foi raspado por mais de uma vez. Como veremos, para fazer pergaminho há que raspar a pele de animais. E se se quiser reutilizar pergaminho já usado para fazer um livro, há que raspar novamente a pele para apagar o texto preexistente antes de se escrever por cima deste. Este palimpsesto manuscrito era composto por 174 fólios. O fólio, do latim folium (folha), tem uma frente e um verso – um recto e um verso –, que equivalem às páginas dos livros modernos. Estavam numerados de 1 a 177 mas, misteriosamente, faltavam três números. Espero que o Sr. B soubesse que lhe faltavam alguns fólios

Actualmente o livro chama-se o Palimpsesto Arquimedes, mas isto pode ser algo confuso. Desenganem-se: o manuscrito é um livro de orações. Parece um livro de orações, tem o toque de um livro de orações, tem até o cheiro de um livro de orações, e são orações o que vê nos seus fólios. Só se chama Palimpsesto Arquimedes porque foram usados para o fazer os fólios retirados a um manuscrito mais antigo que continha os tratados de Arquimedes. Mas, atenção, o texto de Arquimedes fora raspado. Note-se, também, que os copistas do livro de orações usaram fólios retirados de vários outros manuscritos bem como dos manuscritos de Arquimedes. Aquando da venda ninguém fazia ideia do que estava nestes fólios: estes não se pareciam com fólios do manuscrito de Arquimedes nem aparentavam ser todos do mesmo manuscrito.”

O Codex Arquimedes, Reviel Netz e William Noel, Edições 70 (excerto do Capítulo I)

O CODEX ARQUIMEDES

“O SEGREDO DA ÍNDIA”

“Vasco da Gama desprendeu-se das suas recordações. O rei D. Manuel pegava de cima de um móvel baixo num livro encadernado de couro fulvo.

– Isto é uma cópia do Imago Mundi, publicado em 1410 pelo cardeal Pedro d’Ailly, chanceler da Universidade de Paris. Confirma que a terra não é plana, mas esférica, o que já Aristóteles sugeria. O cardeal também faz caso das intuições similares de Ptolomeu, um texto introduzido no início do nosso século pelos venezianos. Aí se encontra até a medida do raio da Terra. As superfícies emersas ocupariam a maior parte, é lógico, já que Deus, diz a Bíblia, criou a Terra para os homens e não para os peixes. Resulta do cálculo dos nossos cartógrafos de Sagres que a distância entre o Cabo da Boa Esperança e a Índia deve ser curta. Alguns dias, quanto muito algumas semanas de mar com ventos favoráveis…

– Verdadeiramente, Senhor? Não consigo acreditar. O capitão Dias também não.

Sem repreender a impertinência, o rei designou-lhe o globo terrestre.

– É uma cópia da famosa esfera que Martim Behaim criou recentemente em Nuremberga. Apaixonado pelas viagens marítimas, este geógrafo, antes de ir para Nuremberga, praticou medicina na corte de Lisboa. Em parte, este globo inspira-se em Ptolomeu. Vede, capitão! Isto diz-vos alguma coisa?

Vasco inclinou-se sobre o globo. O olhar ardia-lhe de curiosidade.

– Senhor, Ptolomeu afirmava não haver passagem a sul de África entre o Atlântico e o Índico. Ora, o que aqui vejo…

– Bem visto, Vasco! Indo contra a opinião de Ptolomeu, Behaim, informado por viajantes venezianos familiarizados com navegadores árabes, abre o caminho a sul de África, o que é confirmado pela nossa Junta dos Matemáticos. Então, Dias não terá mentido? Terá feito a passagem? Mas por que não foi mais além”?

“O Segredo da Índia – A Viagem de Vasco da Gama” (romance), de Jean-Jacques Antier, edição “A Esfera dos Livros”, Fevereiro de 2007, pp. 22, 23

Nos próximos dias, excertos adicionais desta obra sobre a épica expedição de Vasco da Gama, aqui.

“E DEUS PEGOU-ME PELA CINTURA” (V) – PRÉ-PUBLICAÇÃO

E Deus Pegou-me Pela Cintura– Para terminar… vejo que estou a cansá-lo.

– Não, de modo nenhum, senhor inspector.

– Sim, mas é de facto a última pergunta. Conhece o senhor Lourenço Matias, comerciante, proprietário de um antiquário e residente em Cascais?

– Sim. É, ou melhor, era o marido legal de Rute Monteiro.

– Marido legal… quer dizer, é o marido. É o marido e mais nada!

– Era.

“Bom, senhor Guilherme Moutinho, vamos ficar por aqui.

Não sei se voltaremos a chamá-lo aqui à esquadra. Em princípio, estamos face a uma ocorrência mais ou menos normal que, sem uma relação clara de causa efeito, teria precedido um assalto sem grande importância. Delito comum, como se costuma dizer.

É essa piolheira que aí anda, o senhor sabe do que falo. Mas é possível que não. Muito provavelmente, é bem possível, vai ter que provar noutro lado muito do que hoje aqui afirmou. É natural que possamos ter que ficar em contacto nos próximos tempos, não sei se me está a entender… Guilherme interrompeu então o inspector com um sonante “Não!”. O inspector sorriu com um ar condescendente e sem grandes desdramatizações rematou: “É isso mesmo, senhor Guilherme Moutinho. As investigações que estamos agora a levar a cabo, e que são ainda preliminares, é que nos irão dizer se tudo isto não passou de um infeliz mal-entendido, ou se, pelo contrário, o senhor está mesmo metido, como diz o povo, desculpe-me, num verdadeiro molho de brócolos.

Além disso, passando-se o que se passou no Líbano, ou lá onde é que foi, é mais do que normal que o Ministério Público se encarregue de pôr em movimento tudo, mas mesmo tudo, o que se relacione com a jornalista Rute Monteiro. Neste momento, ela é apenas a pessoa mais falada em todo o mundo. Está a ver, senhor Moutinho? Aqui os meus colegas (o inspector levanta-se, esfrega as minúsculas mãos e pisca o olho) dizem que o Taipas tem sempre razão!…

“E Deus Pegou-me Pela Cintura” – Luís Carmelo

“E DEUS PEGOU-ME PELA CINTURA” (IV) – PRÉ-PUBLICAÇÃO

– Crê que a dona da casa teria autorizado essa busca? – Obviamente.

– Sabe que o histórico do Internet Explorer, tenho-o ali comigo (o inspector aponta para o canto da divisão), refere onze sites visitados durante o período em que o senhor Guilherme Moutinho confessa ter estado na casa de Rute Monteiro?

– Não creio que tenham sido tantos…

– O material tem sempre razão, palavra de inspector. Continuemos. Mexeu nas estantes? – Não.

– Mexeu em algum livro, ou levou mesmo consigo algum livro? – Não.

– Mas, olhe senhor Moutinho, há impressões digitais nas estantes, em dois livros e numa espécie de arquivo que estava na segunda prateleira do lado direito… que não coincidem nem com as da dona da casa, nem com as dos assaltantes.

Guilherme alarmou-se, repentinamente. – Assaltantes?

– Sim, senhor Guilherme Moutinho. A casa de Rute Monteiro foi assaltada no passado dia 19 de Outubro. Temos tido um Outono muito movimentado. Repito, portanto, não mexeu nas estantes ou em livros, em nada?

A imagem de um livro e dos sublinhados veio-lhe então à cabeça.

– De facto, lembro-me agora, esta minha memória…, lembro-me agora de ter mexido num ou noutro livro. – Porquê?

– Não sei. Tentei ver o que é que a Rute andava a ler.

– Não a conhecia, portanto, muito bem?

Guilherme achou a questão tão idiota quanto perspicaz. E sentiu-se estranhamente afectado.

– Não nos víamos há 30 anos. Foi um reencontro fulminante.

Guilherme sentiu um verdadeiro aperto na garganta, um arrepio que o consumiu de alto a baixo, mas a frieza logo reatou a gravidade e a impassibilidade do rosto. Felizmente, o questionário aproximava-se do final.

“E Deus Pegou-me Pela Cintura” – Luís Carmelo

“E DEUS PEGOU-ME PELA CINTURA” (III) – PRÉ-PUBLICAÇÃO

– Como é que entrou na casa de Rute Monteiro e porquê?

– Ela pediu-me para regar as plantas ainda no dia 29 de Setembro, talvez já fosse dia 30, era tarde. Tivemos uma noite muito longa.

– E deu-lhe a chave nessa altura?

– Exacto.

– Vai ter de ma devolver agora (quase mecanicamente, o inspector abriu um envelope que estava sobre a secretária e Guilherme limitou-se inserir lá dentro a chave que retirara em segundos do porta-moedas). Tiveram os dois um… caso passional?

Guilherme não respondeu de imediato. Olhou o inspector de frente, baixou depois os olhos e acabou por dar às palavras o sabor de um rasto sem vida.

– Se quiser dizer por essas palavras…

– Já tinha regado as plantas entre o dia 30 de Setembro e o dia 4 de Outubro? – Não.

– E porquê? As plantas ao fim de um dia sofrem muito com a falta de água!

– Tem razão. Foi esquecimento, desleixo, não me lembrei, não sei.

– Durante o tempo que esteve na casa de Rute Monteiro, e devo dizer-lhe que há vizinhos que testemunham a sua presença na casa no dia 4 de Outubro, e apenas nesse dia, esteve no escritório, ou só no piso de cima?

– Estive em ambos os pisos. E a minha consciência está limpíssima.

Guilherme arrependeu-se de ter pronunciado a palavra “consciência”, não era para ali chamada, mas já estava feito.

– Não é isso que está aqui em causa! Mas, já agora, por que é que foi ao escritório, se não havia lá, aparentemente, plantas nenhumas para regar?

– De facto, já lá tinha estado com a Rute e senti-me atraído pelo local onde ela trabalhava. Para mais, tinha acabado de saber do rapto. Sentia-me em estado de choque. – Abriu o computador? – Sim. – E porquê?

– Queria ter notícias sobre o rapto. Queria saber a última hora. – E que sites visitou?

– Talvez a CNN, o Sapo e algum blogue, já não me lembro bem.

“E Deus Pegou-me Pela Cintura” – Luís Carmelo

“E DEUS PEGOU-ME PELA CINTURA” (II) – PRÉ-PUBLICAÇÃO

Guilherme baixou a cabeça, não disse palavra e depois acenou com o peso de uma estátua africana de ébano a quem tivessem removido a história e a lenda. O sol bateu inesperadamente nas cortinas puídas da janela, o inspector Taipas continuou a esfregar as minúsculas mãos e as onze da manhã fizeram-se ouvir. Seguiu-se uma pausa breve, enquanto o dossiê de papel pardo se ia abrindo, página a página, sobre o tampo da secretária. “Senhor Guilherme Moutinho, vou ter que lhe fazer uma série de perguntas. Trata-se de um questionário preliminar, pois ainda não sabemos se alguém, “alguém graúdo” digo eu (com os dedos, Rodolfo Taipas fez o gesto das aspas), irá pegar no caso. Receio bem que sim, pelo meu simples faro, pela experiência e tendo em conta tudo o que se passou… bem, o senhor sabe. Indo directamente ao assunto (Guilherme sentiu-se subitamente bloqueado, enquanto a mente parecia circular à velocidade de um carrossel):

– Onde é que esteve no passado dia 4 de Outubro, entre as 18h30 e as 20h30?

Guilherme lembrava-se perfeitamente do dia: o dia a seguir ao rapto. Fixara-o por isso quase involuntariamente.

– Na rua da Escola Politécnica, na casa de Rute Monteiro ao Príncipe Real e, provavelmente, já no final desse período, no trajecto entre o Príncipe Real e a minha casa na Infante Santo.

– Confirma, portanto, ter estado em casa de Rute Monteiro.

– Confirmo.

– Muito bem. Esteve no quarto de dormir?

– Sim, já tinha lá dormido de 29 para 30 de Setembro, dia em que, ainda de madrugada, Rute Monteiro partiu para o Médio Oriente. No dia 4, lembro-me perfeitamente que foi no quarto que entrei em primeiro lugar, depois de ter aberto a porta.

– Pode provar que já tinha estado na casa de Rute Monteiro antes do dia 4 de Outubro?

Guilherme fez um pequeno silêncio, lembrou rostos, pessoas, datas e sentiu-se no meio de uma súbita confusão.

– Não sei. Será difícil. Rute Monteiro morreu. Talvez algum vizinho…, mas reafirmo que já lá tinha estado e que já lá tinha dormido.

“E Deus Pegou-me Pela Cintura” – Luís Carmelo

“E DEUS PEGOU-ME PELA CINTURA” (I) – PRÉ-PUBLICAÇÃO

É com grande prazer que procederei – ao longo desta semana, no Memória Virtual – à “pré-publicação” de um capítulo do mais recente livro de Luís Carmelo, a lançar brevemente, “E Deus Pegou-me Pela Cintura“:

O dia cinzento, os eléctricos como fios de lâmina, as árvores desfolhadas e o taxista, um insecto lívido e ignorante. Guilherme trocou depois a nota de cinco euros pelos passeios descarnados em direcção ao Calvário. Os tempos desencontraram-se de vez e nada havia já a fazer: as imagens estavam em todos os jornais e passavam na televisão de hora a hora. Previra-o, é verdade; e a frieza mais óbvia que agora acompanhava Guilherme apenas provava o estado mais de premonição do que de consolação que vivera em Portalegre. Sabia-o, sempre o soubera; porventura, desde o dia 15 de Setembro, quando aquele mágico reencontro no Algarve ditou uma imensidão que não fora moldada para este mundo. Diante do gigantismo do destino, “o pobre desconfia” – pensava Guilherme, no momento em que parou em frente da esquadra e leu com atenção a placa: “4ª Divisão – Esquadra de Investigação Criminal”. Entrou serenamente no nº 7 do Largo do Calvário, dirigiu-se ao polícia de serviço, um jovem candidato a James Bond que leu em diagonal a carta registada recebida na Infante Santo. “Pois é, senhor Guilherme Moutinho, aguarde um bocadinho na sala de espera que o senhor inspector já vai recebê-lo”. “Inspector”?, repetiu Guilherme. O polícia sorriu com algum desdém, fez um gesto vago e atendeu de imediato a florista que estava em pulgas por causa de um roubo no quarteirão da frente.

O salão parecia ter sido uma enfermaria noutros tempos – as mesmas janelas largas, metalizadas e brancas; a mesma disposição de cavalaria sobre o comprido e a mesma luminosidade baça e inquietante. As paredes estavam cheias de cartazes, injunções, avisos e um calendário com uma mulher meio despida que marcava o dia de hoje: segunda-feira, dia 30/10/2006. Na porta do fundo que estava entreaberta, surgiu um sujeito alto de sobrancelhas arqueadas, lábios crispados e umas mãos pequeninas que se agitavam como salmões a subir um rio. “Rodolfo Taipas, faça o favor de entrar!” (o inspector olhou detalhadamente para o interlocutor como se já há muito o conhecesse).

Guilherme sentou-se e ouviu aquele tipo de prólogo moralista que menos poderia suportar: “O tema, a pessoa de quem vou falar, as notícias de choque que estão a passar a toda a hora nos media, tudo isso me embaraça e até inibe, senhor Guilherme Moutinho. Mas eu sou um profissional, compreenderá, e tenho que agir como tal… seja em que circunstância for. É o meu trabalho”.

“E Deus Pegou-me Pela Cintura” – Luís Carmelo

“A FÓRMULA DE DEUS” (IV)

Entrando na fase final das suas aventuras em busca da “Fórmula de Deus”, Tomás chega a Lhasa, capital do Tibete, com a missão de se encontrar com Tenzing Thubten, um velho budista tibetano, colaborador de Einstein nos anos 50, com quem espera poder falar no majestoso, sereno e “elevado” Palácio Potala – dando a sensação de se poder flutuar entre o céu e a terra.

Ainda antes do encontro, em Shigatse, Tomás vê-se novamente refém dos iranianos, contando mais uma vez com a colaboração de Ariana para recuperar a liberdade.

Finalmente em contacto com Tenzing Thubten, é confrontado com a revelação do tema da “Fórmula de Deus”, a “maior busca jamais empreendida pela mente humana, a demanda do mais importante enigma do universo, a revelação do desígnio da existência.”

Ou, de como os 6 “dias da criação” bíblica corresponderiam a um total de cerca de quinze mil milhões de anos…

As descobertas de Tomás culminariam em Coimbra, passando pela Biblioteca Joanina, um “Monumento” com quase três séculos – integrado num espaço com cerca de 700 anos de ensino, a Universidade de Coimbra -, com os seus três majestosos salões, repletos com cerca de 100 000 livros!


Com a colaboração de Carlos Fiolhais e João Queiró, professores de Física e de Matemática da Universidade de Coimbra, na revisão científica do texto, José Rodrigues dos Santos apresenta-nos um romance orientado – a par da acção e da intriga “cinematográfica”, à “maneira” de Dan Brown – para aspectos de índole científica (mas, também, sem negligenciar uma componente espiritual), numa espécie de “homenagem” a Einstein (cujo centenário da sua famosa Teoria da Relatividade se celebrou no ano passado).

Escrevendo as suas obras – como o próprio autor confirma – ao “correr da pena”, de um jacto, “A Fórmula de Deus” não evita, aqui e ali, alguns “desequilíbrios”, assim como linguagem ou expressões que, algumas vezes, soam a “postiço”. O resultado final não deixa, não obstante, de ser amplamente positivo, devendo realçar-se a componente “didáctico-pedagógica” da sua escrita (expressa em qualquer dos seus três romances: “A Filha do Capitão”, “O Codex 632″ e “A Fórmula de Deus” – com os quais sempre aprendemos bastante).