Leonel Vicente
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Archive for the ‘Jogos Olímpicos’


JOGOS OLÍMPICOS – 2004 – ATENAS (XV)

No quadro final de medalhas dos Jogos Olímpicos, os países mais premiados foram (indicando-se, sucessivamente, as medalhas de ouro / prata / bronze – e o total de medalhas):

1. EUA – 35 / 39 / 29 – 103
2. China – 32 / 17 / 14 – 63
3. Rússia – 27 / 27 / 38 – 92
4. Austrália – 17 / 16 / 16 – 49
5. Japão – 16 / 9 / 12 – 37
6. Alemanha – 14 / 16 / 18 – 48
7. França – 11 / 9 / 13 – 33
8. Itália – 10 / 11 / 11 – 32
9. Coreia do Sul – 9 / 12 / 9 – 30
10. Grã-Bretanha – 9 / 9 / 12 – 30
11. Cuba – 9 / 7 / 11 – 27
12. Ucrânia – 9 / 5 / 9 – 23
13. Hungria – 8 / 6 / 3 – 17
14. Roménia – 8 / 5 / 6 – 19
15. Grécia – 6 / 6 / 4 – 16
16. Noruega – 5 / 0 / 1 – 6
17. Países Baixos – 4 / 9 / 9 – 22
18. Brasil – 4 / 3 / 3 – 10
19. Suécia – 4 / 1 / 2 – 7
20. Espanha – 3 / 11 / 5 – 19

61. Portugal – 0 / 2 / 1 – 3

De entre os 202 países participantes, só 75 obtiveram medalhas; apenas 57 países conseguiram a glória de ter um Campeão Olímpico, adquirindo o direito à medalha de ouro.

Portugal, 61º classificado na tabela hierarquizada em função das medalhas de ouro, posicionou-se, em termos de número de medalhas alcançadas, no 51º lugar – 13º país de entre os antigos 15 da União Europeia (à frente da Finlândia e Luxemburgo); 19º na nova “Europa a 25″ (suplantando, relativamente aos novos membros da União Europeia, Eslovénia, Estónia, Chipre e Malta). No que respeita exclusivamente ao Atletismo, com a medalha de prata de Francis Obikwelu e a de bronze de Rui Silva, Portugal alcançou a 26ª posição.

Na tabela geral – que, inevitavelmente, reflecte um padrão global evolutivo em termos políticos e económicos dos últimos 15 anos -, os EUA mantêm o primeiro lugar, destacados em termos de número de medalhas, bastante “ameaçados” pela China no que respeita a medalhas de ouro; os chineses, com um forte investimento nos últimos anos (apostando em algumas modalidades “menos mediáticas”), alcançando o seu melhor resultado de sempre, preparam o ambicioso “assalto” ao primeiro lugar em Pequim, em 2008.

A Rússia experimenta algumas dificuldades em travar o “declínio”, perdendo em particular no que respeita a títulos olímpicos (apesar da significativa recuperação nos 3 últimos dias dos Jogos, que lhe permitiu ultrapassar a Austrália e o Japão – bastante medalhados nos primeiros dias, respectivamente em natação e no judo), em que, pela primeira vez nos últimos 50 anos, não ocupa um dos dois primeiros lugares.

Embora não seja “legítimo” fazer a adição das medalhas dos países da ex-União Soviética (porque, ao participarem separadamente, multiplicam o número de atletas e, portanto, as hipóteses de medalhas), dessa adição das medalhas da Ucrânia, Bielorrussia, Geórgia, Uzbequistão, Cazaquistão, Lituânia, Azerbaijão, Letónia e Estónia, resultaria um total global de 147 medalhas, das quais 45 de ouro.

Analogamente, não sendo também “legítima” a adição das medalhas dos países da União Europeia, os 22 países medalhados (apenas o Chipre, Luxemburgo e Malta não alcançaram qualquer medalha) somaram um impressionante total de 286 medalhas, das quais 82 de ouro – isto, não obstante as maiores potências desportivas da União (Alemanha – em “queda”, com o pior desempenho das últimas quatro décadas -, França, Itália e Grã-Bretanha) se encontrarem “bastante longe” dos países de topo.

Referência final para o bom pecúlio da Grécia (capitalizando o investimento associado ao facto de “jogar em casa”), Países Baixos e Espanha.

Os Jogos Olímpicos Atenas-2004 acabaram; vivam os Jogos Olímpicos!

[1660]

JOGOS OLÍMPICOS – 2004 – ATENAS (XIV)

Thessaloniki (Salónica)

Para quem teve oportunidade de acompanhar “in loco” os Jogos Olímpicos em Atenas, foi possível constatar um natural entusiasmo com as Olimpíadas – não no Torneio de Futebol, evidentemente… em que apenas a 1/2 final entre a Argentina e a Itália permitiu que o Estádio ficasse minimamente “composto” (com cerca de 30 000 espectadores); apesar de a Final ter ultrapassado os 40 000 espectadores, não chegou a alcançar uma ocupação de 2/3 do Estádio Olímpico.

E, todavia, o problema de “bilheteira” não foi exclusivo do futebol; durante a primeira semana dos Jogos, as audiências nos locais de provas eram fracas e só as provas de atletismo levaram os espectadores a afluir em massa ao renovado e bonito Estádio Olímpico.

Na minha deslocação à Grécia, tive oportunidade de visitar 4 das 5 “cidades olímpicas” (Atenas, Salónica, Heraklion e Patras – apenas não tendo visitado Volos); como já antes escrevi , nas cidades que albergaram o Torneio Olímpico de futebol, o “entusiasmo” pelo facto de poderem “viver” localmente os Jogos Olímpicos não foi muito significativo (apesar dos relativamente acessíveis preços dos bilhetes, entre 10 e 30 euros).

A sombra do “terrorismo” não deixou de se fazer sentir, com uma forte retracção de adeptos de países como os EUA e a Grã-Bretanha; seriam os italianos e brasileiros a assumir – a par dos gregos – a festa.

Porém, se na entrada para os recintos desportivos a segurança e controlo eram bastante “apertados”, já nos transportes se assistia a uma dualidade de situações de difícil compreensão: controlo absoluto (com detectores de metais) na estação de comboios de Salónica e na estação de Atenas onde chegavam os comboios do Norte da Grécia; nenhum controlo na estação de Atenas – situada a 100 metros da primeira – que faz a ligação com o Oeste (Peloponeso) e Sul da Grécia.

Atenas foi uma cidade que “girou” nestas semanas em torno de dois núcleos olímpicos (o novo Complexo Olímpico, no qual se incluia o Estádio, na parte nordeste da cidade; o centro olímpico de Falira, na região do Pireu, a sudoeste da cidade), ambos enquadrando a região central de Plaka e da Acrópole (local de “peregrinação” de todas as comitivas, com os novos “deuses do Olimpo” a prestarem o seu tributo à história milenar da Grécia).

Acrópole

A circulação na cidade – de dimensões relativamente reduzidas – era bastante fácil, com os “autocarros olímpicos” e um sistema de metropolitano (sobretudo de superfície – apenas com 3 linhas), que, com facilidade e rapidez permitia o acesso às diversas áreas desportivas.

Nestas semanas, Atenas viveu naturalmente num ambiente de festa, num contexto quase “irreal”, recuperando o seu ancestral estatuto de “centro do mundo”.

Mas, no mundo mediatizado dos dias de hoje, os Jogos foram também um grande espectáculo televisivo, com os três canais estatais da televisão grega a apresentarem uma ininterrupta emissão “olímpica”, de manhã à noite, vibrando com os feitos dos atletas gregos, com um novo “herói” / “deus do Olimpo” a cada dia.

A Grécia acabaria por registar uma excelente presença competitiva, com um total de 16 medalhas (6 das quais de ouro), mas a grande vitória foi – sublimada com a belíssima cerimónia de abertura – a demonstração de que um país “pequeno” foi capaz (apesar das “reticências do mundo”) de organizar uns Jogos Olímpicos que, não sendo perfeitos, não deixaram de constituir motivo de orgulho para todos os gregos – num projecto mobilizador, envolvendo milhares de voluntários que, orgulhosamente, “passeavam os seus uniformes” pela cidade -, podendo constituir um exemplo para outros “pequenos países”…

[1659]

JOGOS OLÍMPICOS – 2004 – ATENAS (XIII)

O maior flagelo do desporto nos dias de hoje é o doping ou a tentativa de obtenção de resultados à custa de meios ilícitos.

Depois do caso mais famoso (a desclassificação de Ben Johnson, em benefício de Carl Lewis, nos Jogos Olímpicos de Seoul, em 1988), estes foram os Jogos em que o doping mais foi falado – mesmo ainda do seu início, as duas maiores “estrelas” do atletismo grego, os atletas Constantinos Kenteris (Campeão olímpico de 200 metros em Sidney, em 2000) e Ekaterini Thanou (medalha de prata nos 100 metros em Sidney), tiveram de renunciar à participação nos Jogos por faltarem a controlos anti-doping.

Desde o dia 30 de Julho, foram já 25 os casos de doping assinalados, com destaque para as (7) perdas de medalhas daí decorrentes:

- o atleta húngaro Robert Fazekas (medalha de ouro no lançamento do disco)

- o atleta húngaro Adrian Annus (medalha de ouro no lançamento do martelo)

- a atleta russa Irina Korzhabenko (medalha de ouro no lançamento do peso)

- o halterofilista húngaro Ferenc Gyurkovics (medalha de prata na categoria de – 105 kg)

- o halterofilista grego Leonidas Sabanas (medalha de bronze na categoria de – 62 kg)

- a remadora ucraniana Olena Olefirenko (medalha de bronze em scull de quatro)

- a ciclista colombiana Maria Luisa Calle Williams (medalha de bronze na prova por pontos).

Há 1 ano no Memória Virtual – Futebol, futebol e… futebol

[1658]

CAMPEÕES OLÍMPICOS – 2004 – ATLETISMO (M)

100 m – Justin GATLIN – EUA – 9.85
200 m – Shawn CRAWFORD – EUA – 19.79
400 m – Jeremy WARINER – EUA – 44.00
800 m – Yuriy BORZAKOVSKIY – Rússia – 1.44.45
1 500 m – Hicham EL GUERROUJ – Marrocos – 3.34.18
5 000 m – Hicham EL GUERROUJ – Marrocos – 13.14.39
10 000 m – Kenenisa BEKELE – Etiópia – 27.05.10
Maratona – Stefano BALDINI – Itália – 2:10:55
110 m barreiras – Xiang LIU – China – 12.91
400 m barreiras – Felix SANCHEZ – R. Dominicana – 47.63
3 000 m obstáculos – Ezekiel KEMBOI – Quénia – 8.05.81
Estafeta 4 x 100 m – Grã-Bretanha – 38.07
Estafeta 4 x 400 m – EUA – 2.55.91
20 Km marcha – Ivano BRUGNETTI – Itália – 1:19:40
50 km marcha – Robert KORZENIOWSKI – Polónia – 3:38:46
Salto em altura – Stefan HOLM – Suécia – 2,36m
Salto em comprimento – Dwight PHILLIPS – EUA – 8,59m
Salto à vara – Timothy MACK – EUA – 5,95m
Triplo-salto – Christian OLSSON – Suécia – 17,79m
Lançamento do peso – Yuriy BILONOG – Ucrânia – 21,16m
Lançamento do disco – Virgilijus ALEKNA – Lituânia – 69,89m
Lançamento do martelo – Koji MUROFUSHI – Japão – 82,91m
Lançamento do dardo – Andreas THORKILDSEN – Noruega – 86,50m
Decatlo – Roman SEBRLE – R. Checa – 8 893 p.

[1656]

CAMPEÕES OLÍMPICOS – 2004 – ATLETISMO (F)

100 m – Yuliya NESTERENKO – Bielorrussia – 10,93
200 m – Veronica CAMPBELL – Jamaica – 22.05
400 m – Tonique WILLIAMS-DARLING – Bahamas – 49.41
800 m – Kelly HOLMES – Grã-Bretanha – 1.56.38
1 500 m – Kelly HOLMES – Grã-Bretanha – 3.57.90
5 000 m – Meseret DEFAR – Etiópia – 14.45.65
10 000 m – Huina XING – China – 30.24.36
Maratona – Mizuki NOGUCHI – Japão – 2:26:20
100 m barreiras – Joanna HAYES – EUA – 12.37
400 m barreiras – Fani HALKIA – Grécia – 52.82
Estafeta 4 x 100 m – Jamaica – 41.73
Estafeta 4 x 400m – EUA – 3.19.01
20 km marcha – Athanasia TSOUMELEKA – Grécia – 1:29:12
Salto em altura – Yelena SLESARENKO – Rússia – 2,06m
Salto em comprimento – Tatyana LEBEDEVA – Rússia – 7,07m
Salto à vara – Yelena ISINBAYEVA – Rússia – 4,91m
Triplo-salto – Françoise MBANGO ETONE – Camarões – 15,30m
Lançamento do peso – Yumileidi CUMBA – Cuba – 19,59m
Lançamento do disco – Natalya SADOVA – Rússia – 67,02m
Lançamento do martelo – Olga KUZENKOVA – Rússia – 75,02m
Lançamento do dardo – Osleidys MENENDEZ – Cuba – 71,53m
Heptatlo – Carolina KLUFT – Suécia – 6 952 p.

[1655]

JOGOS OLÍMPICOS – 2004 – ATENAS (XII)

A “modalidade rainha” dos Jogos Olímpicos sempre foi, tradicionalmente, desde os Jogos da Grécia antiga, o Atletismo.

Em 2004, foram consagrados 8 “reis do Estádio”, que acumularam com o título de Campeão Olímpico, ainda outra(s) medalha(s):

- Veronica Campbell (Jamaica) – 3 medalhas: 2 de ouro, nos 200 metros e na Estafeta 4 x 100 metros; bronze nos 100 metros

- Kelly Holmes (Grã-Bretanha) – 2 medalhas de ouro (800 m e 1500 m)

- Hicham El Guerrouj (Marrocos) – 2 medalhas de ouro (1500 m e 5 000m)

- Jeremy Wariner (EUA) – 2 medalhas de ouro: 400 metros e Estafeta 4 x 400 metros

- Justin Gatlin (EUA) – 3 medalhas: ouro nos 100 metros, prata na Estafeta 4 x 100 metros e bronze nos 200 metros

- Kenenisa Bekele (Etiópia) – 1 medalha de ouro (10000 m) e 1 medalha de prata (5000 m)

- Shawn Crawford (EUA) – 2 medalhas: ouro nos 200 metros e prata na Estafeta 4 x 100 metros

- Derrick Brew (EUA) – 2 medalhas: ouro na Estafeta 4 x 400 metros e bronze nos 400 metros.

A par do nadador norte-americano Michael Phelps, acabam por ser coroados como heróis maiores desta Olimpíada a britânica Kelly Holmes (a atingir a consagração máxima aos 34 anos de idade) e o marroquino Hicham El Guerrouj (repetindo o feito de Paavo Nurmi 80 anos atrás) – os únicos a conseguir bisar o título de Campeão Olímpico em provas individuais; eles que tanto o haviam visado sem nunca o ter alcançado em anteriores Olimpíadas.

Destaque particular ainda para o etíope Kenenisa Bekele, que, também em duas provas individuais, alcançou o ouro e a prata (sofrendo, na prova dos 5 000 metros, com este 2º lugar, o primeiro grande “revés” da sua carreira, demonstrando ser afinal um ser “humano”, também com limitações e não imbatível, pese embora o potencial que vem confirmando e que poderão fazer dele o maior atleta de sempre).

[1654]

JOGOS OLÍMPICOS – 2004 – ATENAS (XI)

Outros Campeões olímpicos que acumularam títulos ou medalhas nos Jogos Olímpicos de Atenas foram:

- Catalina Ponor (Roménia) – 3 medalhas de ouro em ginástica (1 por equipas)

- Paul Hamm (EUA) – 2 medalhas em ginástica: uma de ouro e uma de prata

- Carly Patterson (EUA) – 2 medalhas em ginástica: uma de ouro e uma de prata

- Nicolas Massu (Chile) – 2 medalhas de ouro em ténis (singulares e pares)

- Ryan Bayley (Austrália) – 2 medalhas de ouro em ciclismo

- Brad McGee (Austrália) – 2 medalhas em ciclismo: uma de ouro e uma de prata

- David Cal (Espanha) – 2 medalhas na canoagem: ouro nos 1 000 metros; prata nos 500 metros

- Leontien Zijlaard van Moorsel – 2 medalhas em ciclismo: ouro no contra-relógio individual e bronze na prova de perseguição

- Adam van Koeverden (Canadá) – 2 medalhas em canoagem: ouro nos 500 metros e bronze nos 1 000 metros

- Maria Grozdeva (Bulgária) – 2 medalhas no tiro: ouro na pistola a 25 metros e bronze na pistola a 10 metros

[1653]

JOGOS OLÍMPICOS – 2004 – ATENAS (X)

Os Jogos Olímpicos de Atenas (Jogos da XXVIII Olimpíada) – acompanhados por uma audiência televisiva global de 4 biliões de espectadores – bateram records de participação: 11 099 atletas, provenientes de 202 países.

Em termos desportivos, foram também batidos records mundiais por 21 vezes (11 em halterofilia, 5 de natação, 3 em ciclismo, 1 em atletismo, 1 em tiro), para além de outros 15 records olímpicos (7 em natação, 4 em ciclismo, 3 em halterofilia e 1 em tiro)

Consagraram alguns grandes campeões, quais “deuses do Olimpo”, que hoje aqui destaco (começando pelos medalhados nas provas de Natação, os quais beneficiam da participação em provas de diversas distâncias e estilos):

Michael Phelps- Michael Phelps (EUA) – aos 19 anos, sagra-se como a maior figura destes Jogos Olímpicos, com um total de 8 medalhas: 6 de ouro (100 metros mariposa, 200 metros mariposa, 200 metros estilos, 400 metros estilos, Estafetas 4 x 100 metros estilos e 4 x 200 metros livres) e 2 de bronze (nos 200 metros livres e Estafeta 4 x 100 metros livres); tornando-se no atleta mais medalhado de sempre nuns Jogos Olímpicos (a par do ginasta soviético Alexander Dityatin, em 1980).

- Aaron Peirsol (EUA) – 3 medalhas de ouro, em 100 e 200 metros costas e Estafeta 4 x 100 metros estilos

- Ian Thorpe (Austrália) – um total de 4 medalhas: 2 medalhas de ouro (nos 200 metros e 400 metros livres), 1 de prata (Estafeta 4 x 200 metros livres) e 1 de bronze (100 metros livres)

- Kirsty Coventry (Zimbabwe) – 3 medalhas: 1 de ouro (200 metros costas), 1 de prata (100 metros costas) e 1 de bronze (200 metros estilos)

- Yana Klochkova (Rússia) – 2 medalhas de ouro, em 200 e 400 metros estilos

- Kosuke Kitajima (Japão) – 2 medalhas de ouro, nos 100 e 200 metros costas

- Pieter van den Hoogenband (Holanda) – 3 medalhas: ouro nos 100 metros livres, e duas de prata, nos 200 metros livres e na Estafeta 4 x 100 metros livres

- Otylia Jedrzejczak (Polónia) – 3 medalhas: 1 de ouro nos 200 metros mariposa e duas de prata, nos 100 metros mariposa e nos 400 metros livres

- Roland Mark Shoeman (África do Sul) – 3 medalhas: uma de ouro (Estafeta 4 x 100 metros livres), uma de prata (100 metros livres) e uma de bronze (50 metros livres)

- Inge de Bruijn (Holanda) – 3 medalhas: ouro nos 50 metros livres, prata nos 100 metros livres e bronze nos 100 metros mariposa

- Laure Manaudou (França) – 3 medalhas: ouro em 400 metros livres, prata em 800 metros livres e bronze em 100 metros costas.

Há 1 ano no Memória Virtual – Vocação: famoso

[1651]

JOGOS OLÍMPICOS – 2004 – ATENAS (IX)

Francis Obikwelu, nascido em Novembro de 1978 na Nigéria (portanto, ainda apenas com 25 anos), com 1,91 metros de altura, este “gigante” atleta começou a afirmar-se muito cedo, tendo-se sagrado campeão mundial de juniores em 1996 em 100m e 200m.

Após se ter estabelecido em Portugal em 1994 (com 16 anos – não regressando ao seu país de origem, na sequência de um campeonato do Mundo de Juniores então realizado em Lisboa), Francis Obikwelu participaria nos Jogos Olímpicos de Atlanta (1996) e Sidney (2000), ainda em representação da Nigéria.

Em 2001, ao fim de 7 anos de estadia em Portugal – tendo, na fase inicial dessa estadia, chegado a trabalhar na construção civil, antes de ser “descoberto” o seu talento para o atletismo, cuja carreira como senior viria a desenvolver integralmente no nosso país -, adquiriu a cidadania portuguesa.

Ao longo da sua carreira, conquistou já diversos lugares no pódio:

- Vice-Campeão Mundial na estafeta 4×100m (Nigéria), em 1997 (Atenas)
- 3º classificado no Campeonato do Mundo de 1999, em 200m (Sevilha)
- 3º classificado no Campeonato do Mundo de 1999, na estafeta 4×100 m, pela selecção da Nigéria (Sevilha)
- 3º classificado no Campeonato do Mundo de Pista coberta de 1997, em 200m (Paris)
- Vice-Campeão da Europa, em 100m (Munique)
- Vice-Campeão da Europa, em 200m (Munique)
- Vencedor da Taça do Mundo, em 200m, em 2002

Com a magnífica prestação na prova dos 100m, nos Jogos Olímpicos de Atenas, com uma excepcional “ponta final”, Francis Obikwelu estabeleceu um fabuloso Record da Europa, com o excelente registo de 9.86s, uma das melhores marcas mundiais de todos os tempos (igualando a melhor marca alguma vez alcançada pelo “campeoníssimo” Carl Lewis, quando se sagrou Campeão e Recordista Mundial da distância em 1991), superando dois dos três norte-americanos em competição (o Campeão Olímpico de 2000 e o Campeão Olímpico de 200m em 2004), para se tornar Vice-Campeão Olímpico… por 1 centésimo de segundo (equivalente a 10 cm!!!):

1. Justin GATLIN (EUA) – 9.85
2. Francis OBIKWELU (Portugal) – 9.86
3. Maurice GREENE (EUA) – 9.87
4. Shawn CRAWFORD (EUA) – 9.89
5. Asafa POWELL (Jamaica) – 9.94
6. Kim COLLINS (St. Kitts & Nevis) – 10.00
7. Obadele THOMPSON – Barbados – 10.10
8. Aziz ZAKARI (Ghana) – Desistiu

Francis Obikwelu, assolado durante a época por lesões que impediram o seu normal treino para a prova em que tradicionalmente sempre se revelou mais forte (200m), acabaria por “quedar-se” na Final Olímpica desta prova pelo 5º lugar. Evidenciando a sua grande humildade, pediria desculpa aos portugueses por não ter conseguido “oferecer-nos” mais uma medalha…

[1649]

JOGOS OLÍMPICOS – 2004 – ATENAS (VIII)

A prova provada de que “filho de peixe sabe nadar”: Sérgio Paulinho, nascido em 1980, é filho de um grande ciclista (Jacinto Paulinho), o qual se caracterizava pela sua combatividade e empenhamento, conseguindo quase sistematicamente, ano após ano, arrancar longas fugas (na maior parte das vezes solitárias), que o conduziram a sucessivas vitórias em etapas na Volta a Portugal.

Aos 24 anos, Sérgio ultrapassou já os feitos do pai: um dos melhores valores do ciclismo português, foi já medalhado internacionalmente a nível das camadas jovens; na Volta a Portugal, foi o vencedor do contra-relógio individual da etapa decisiva, posicionando-se nos primeiros 10 classificados na tabela geral final.

Demonstrando a fibra que herdou do pai, e à semelhança do que este regularmente fazia, o corajoso Sérgio Paulinho arrancou do pelotão, chegando a liderar durante largos quilómetros a dura prova de estrada de ciclismo dos Jogos Olímpicos, apenas com a companhia do italiano Paolo Bettini, que não podia superar no sprint final, dadas as diferentes características competitivas de ambos.

A classificação final da prova olímpica, que tão inesperada quanto justamente o consagrou como Vice-Campeão Olímpico (curiosamente, à frente de outro filho de um grande campeão ciclista, Eddy Merckx), foi a seguinte:

1. Paolo BETTINI (Itália) – 5:41:44
2. Sérgio PAULINHO (Portugal) – 5:41:45
3. Axel MERCKX (Bélgica) – 5:41:52
4. Erik ZABEL (Alemanha) – 5:41:56
5. Andrej HAUPTMAN (Eslovénia) – 5:41:56
6. Kim KIRCHEN (Luxemburgo) – 5:41:56
7. Roger HAMMOND (Grã-Bretanha) – 5:41:56
8. Frank HOJ (Dinamarca) – 5:41:56

[1648]

JOGOS OLÍMPICOS – 2004 – ATENAS (VII)

Tendo começado a praticar atletismo aos 16 anos, no Estrela Ouriquense, transferiu-se para o Sporting em 1997; actualmente, aos 27 anos, Rui Silva é já um atleta consagrado, um dos melhores do mundo na sua disciplina (1500 metros), com vários títulos e medalhas conquistados:

- Campeão do Mundo de Pista coberta, em 2001 (Lisboa)

- Campeão da Europa de Pista coberta, em 1998 (Valencia)

- Campeão da Europa de Pista coberta, em 2002 (Viena)

- Campeão da Europa de sub-23, em 1999 (Gotemburgo)

- 2º classificado na Taça do Mundo, em 1998 (Joanesburgo)

- Vice-Campeão da Europa, em 1998 (Budapeste)

- Vice-Campeão da Europa, em 2002 (Munique)

- Vice-Campeão da Europa de Pista coberta (3000 m), em 2000 (Gent)

Foi também recordista nacional das seguintes distâncias: 800m (2002), 1000m (1999), 1500m (2002), Milha (1999)e 2000m (1999). Em Pista coberta, alcançou também records nacionais em 800m (1999), 1000m (2001), 1500m (1999), Milha (2001), 2000m (2001) e 3000m (2000).

Depois de Carlos Lopes, é o atleta português mais premiado a nível internacional, alcandorando-se ao lugar de melhor meio-fundista português, depois de Lopes e Mamede.

Na prova disputada nos Jogos Olímpicos de Atenas, numa corrida notável (em que seria mesmo o atleta mais rápido no troço final de 200 metros), Rui Silva foi, mais uma vez, o melhor atleta da Europa, apenas cedendo perante dois africanos: o “imbatível” El Guerrouj e outro atleta de grande classe mundial, Bernard Lagat:

1. Hicham EL GUERROUJ (Marrocos) – 3:34.18
2. Bernard LAGAT (Quénia) – 3:34.30
3. Rui SILVA (Portugal) – 3:34.68
4. Timothy KIPTANUI (Quénia) – 3:35.61
5. Ivan HESHKO (Ucrânia) – 3:35.82
6. Michael EAST (Grã-Bretanha) – 3:36.33
7. Reyes ESTEVEZ (Espanha) – 3:36.63
8. Gert-Jan LIEFERS (Holanda) – 3:37.17

Há 1 ano no Memória Virtual – Os caminhos da descendência de Abraão

[1647]

JOGOS OLÍMPICOS – 2004 – ATENAS (VI)

Estádio Olímpico Atenas

Também o Judo português começa a ter “tradição olímpica”, alcançando com regularidade bons resultados.

Os judocas João Neto e João Pina alcançaram os 1/4 final, terminando as respectivas provas no 7º lugar.

Outra jovem esperança, Telma Monteiro (18 anos) classificou-se em 9º lugar.

Nuno Delgado, medalha de bronze em Sidney, em 2000, de quem muito se esperava nestes Jogos Olímpicos, acabou por ser afastado na 1ª ronda, tendo participado em inferioridade física, devido a lesão, com uma mão ligada.

A fechar o lote dos participantes portugueses com classificações nos 8 primeiros lugares, o atleta Alberto Chaíça (4º classificado no Campeonato do Mundo), foi desta vez 8º na prova da Maratona, ainda assim à frente do recordista do mundo Paul Tergat.

Finalmente, já para além dos 8 primeiros, referência ainda para o 10º lugar de João Vieira nos 50 km Marcha.

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JOGOS OLÍMPICOS – 2004 – ATENAS (V)

Centro Olímpico Atenas

Para além do Atletismo, a modalidade que mais sucessos olímpicos tem proporcionado a Portugal é a Vela.

Mais uma vez, os velejadores portugueses fizeram prova de uma grande regularidade, conquistando posições entre os melhores do mundo, sem porém conseguir chegar às ambicionadas medalhas:

- Gustavo Lima (campeão do mundo em 2003 e 6º classificado nos Jogos de Sidney, em 2000) obteve o 5º lugar na Classe Laser.

- João Rodrigues (campeão do mundo em 1995) foi 6º na Classe Mistral.

- A dupla Álvaro Marinho / Miguel Nunes (5º classificados em Sidney, em 2000) alcançou o 7º lugar na Classe 470.

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JOGOS OLÍMPICOS – 2004 – ATENAS (IV)

Centro Olímpico Atenas

Passando aos aspectos mais positivos, Portugal obteve na presente edição dos Jogos Olímpicos (da XXVIII Olimpíada), o melhor conjunto de resultados de sempre; apenas em 1984, Portugal conseguira alcançar 3 medalhas, então uma de ouro (Carlos Lopes, na Maratona) e duas de bronze (António Leitão, nos 5 000 metros, e Rosa Mota, na Maratona).

Para além das 3 medalhas (duas de prata, por Francis Obikwelu e Sérgio Paulinho e uma de bronze, por Rui Silva), os participantes portugueses alcançaram mais 10 classificações até ao 8º lugar, em 6 modalidades.

Em termos comparativos – e tendo em atenção uma classificação elaborada com base numa tabela de pontuação que atribui de 8 pontos ao vencedor até 1 ponto ao 8º classificado – Portugal obteve 44 pontos (resultando de dois 2º, um 3º, dois 5º, dois 6º, quatro 7º e dois 8º lugares) – ultrapassando pela primeira vez os 40 pontos -, face a apenas 30 pontos em Sidney, em 2000 (duas medalhas e seis classificações até ao 8º lugar); em 1996, em Atlanta, Portugal alcançara 35 pontos (duas medalhas e 7 classificações até à 8ª posição).

Começando pelos mais jovens, Vanessa Fernandes, Emanuel Silva e Nuno Merino.

Vanessa Fernandes (filha do grande campeão ciclista, exemplo ímpar de longevidade competitiva, Venceslau Fernandes), apenas com 18 anos, concluiu a prova do Triatlo no 8º lugar, depois de ser 5ª na prova de corrida; faltou-lhe um melhor desempenho na prova de bicicleta (em que se “limitou” a integrar o “pelotão”) para poder chegar mais longe.

Emanuel Silva, também de 18 anos, atingiu o 7º lugar na prova de K1000 (Canoagem), num excelente desempenho, premiado com a outorga do papel de porta-estandarte português na cerimónia de encerramento.

Nuno Merino, jovem ginasta tomarense, de 24 anos, foi 6º classificado na prova de Trampolim.

Fora dos 8 primeiros, mas também uma jovem de grande potencial é a atleta Naide Gomes, de origem são-tomense (Heptatlo), também com 24 anos, já este ano campeã mundial em pista coberta.

Para estes jovens, em “início de carreira”, os Jogos “a sério” serão os de Pequim, em 2008, implicando os necessários apoios à sua progressão, mas sem a pressão da “obrigação” de conquista de medalhas, que ninguém nunca, em nenhuma modalidade, pode antecipadamente garantir.

Há 1 ano no Memória Virtual – Carlos Lopes

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JOGOS OLÍMPICOS – 2004 – ATENAS (III)

Jogos Olímpicos - Final Futebol

Sobre o jogo com a Costa Rica – selecção cujo real valor ficou patente no jogo dos 1/4 final com a Argentina (derrota 0-4) – é também dificilmente compreensível um descalabro desta natureza (nova derrota, também por 2-4!).

A selecção portuguesa de futebol foi, nesta competição, uma equipa que pareceu nunca assumir a 100 % (para lá das palavras…) o “objectivo Jogos Olímpicos”.

Desde o início, sofrendo muitas pressões externas, começando pela “reclamação” do Manchester United (relativamente à convocatória de Cristiano Ronaldo) e pela “indignação” do FC Porto (por ter 6 convocados), passando pela mal explicada ausência de Quaresma (um dos jogadores do FC Porto com melhor desempenho na pré-época, não convocado por, supostamente, não se encontrar em condições físicas…), culminando com as “dispensas” de Hélder Postiga e Tiago.

Os três jogadores com mais de 23 anos, permitidos pelo regulamento da prova, acabaram por não se traduzir no reforço esperado: Frechaut, “vítima” das indefinições tácticas; Boa Morte, expulso no primeiro jogo, não voltaria a jogar; Fernando Meira, com um auto-golo no jogo com a Costa Rica, que, culminando uma “mão-cheia” de falhas defensivas, “acabou” com a equipa portuguesa, sempre desconcentrada, jogando muito numa base individualista, esquecendo que o futebol é um jogo colectivo, “de equipa”!

Mas, o pior de tudo foi a (falta de) atitude e carácter olímpico (inclusivamente ao nível do comportamento disciplinar, bastante negativo). Não houve a personalidade, nem sequer a calma ou serenidade, para evitar sucessivas advertências disciplinares, que se viriam a revelar decisivas, nos casos das expulsões de Boa Morte (no jogo com o Iraque) e de João Paulo (contra a Costa Rica).

Quando, aos 5 minutos da 2ª parte, a Costa Rica empatou o jogo, pensou-se que a qualificação iria ser perdida. Ainda assim, a jogar apenas com 10, Portugal assumiu o “jogo pelo jogo”, procurando o ataque, conseguindo alcançar o 2-1 que, aparentemente, lhe deveria dar alguma (relativa) tranquilidade.

…Até cerca dos 70 minutos, altura em que a defesa portuguesa cometeu “hara-kiri” por duas vezes, “entregando” a vitória ao adversário!

Portugal tentaria ainda, “mais com o coração que com a cabeça” (teve 2 ou 3 oportunidades para empatar o jogo a 3-3 e poder qualificar-se), mas a Costa Rica teria também 2 bolas nos postes… antes de, já em período de descontos, chegar ao 4-2, que lhe dava a qualificação para os 1/4 final, eliminando Portugal e Marrocos (que, com o resultado em 3-2, e vencendo no seu jogo o Iraque por 2-1, se encontrava “qualificado”).

Estádio Olímpico - Final Futebol

Uma palavra final para destacar o justíssimo Campeão Olímpico: a Argentina – nem sempre as melhores equipas triunfam, mas a equipa argentina mostrou estar a grande distância competitiva de todas as restantes: 6 jogos, 6 vitórias, 17-0 em golos (8 da nova estrela, Carlos Tevez), com o “requinte” de ganhar ao vice-campeão da Europa de sub-23 (a Sérvia), por 6-0 e de, nas 1/2 finais, bater o Campeão da Europa (Itália), por 3-0!

A Final acabaria por ser o jogo menos “exuberante”, com a Argentina a vencer o Paraguai por 1-0. Num “triste” jogo de apuramento do 3º lugar, a Itália venceria também o Iraque, igualmente por 1-0.

Argentina que, assim, voltava a conquistar – 52 anos depois – nova medalha de ouro na sua história olímpica; no mesmo dia, conseguiria uma outra medalha de ouro, no Basquetebol, frente à Itália, acabando assim por sagrar-se Campeã Olímpica das duas modalidades desportivas mais profissionalizadas (Futebol e Basquetebol).

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JOGOS OLÍMPICOS – 2004 – ATENAS (II)

Estádio Heraklion

No que respeita à organização do Torneio Olímpico de Futebol, a competição “ficou a léguas” do EURO 2004.

Quando decidi deslocar-me à Grécia para, juntando à visita turística, acompanhar os Jogos Olímpicos, ia numa perspectiva de “reviver” / prolongar a “grande festa” que tinha sido o EURO 2004…

Contudo, “festa” foi uma coisa que quase sempre esteve ausente deste torneio – independentemente da má carreira da equipa portuguesa de futebol.

Cenários “desoladores”, com estádios quase vazios, completa “falta de ambiente”; quase chegou a ser deprimente ver os jogos decorrer sem qualquer entusiasmo nas bancadas, quase uma “competição clandestina”: 6 000 espectadores no Portugal-Iraque, 7 500 no Portugal-Marrocos; 11 000 no Portugal-Costa Rica; um único jogo com números “condignos”, na meia-final entre a Argentina e a Itália – as duas melhores equipas da prova – com 30 000 espectadores a comporem a lotação do Estádio do Olympiakos em Atenas.

Depois da (infeliz) estreia na cidade de Patras, o segundo jogo da selecção portuguesa seria disputado em Heraklion – capital da ilha de Creta -, frente a Marrocos.

Na cidade de Heraklion, não era visível qualquer referência ao torneio olímpico de futebol (!), nem (no centro da cidade), uma única indicação da direcção do Estádio (Pankritio) – um bonito Estádio, construído expressamente para os Jogos Olímpicos, com capacidade para cerca de 26 000 espectadores, confinando com a praia de Ammoudara – era possível ver (por entre as aberturas de acesso às bancadas, as ondas a chegar à praia…).

Não havia um esquema devidamente organizado de transporte para o Estádio; ao invés, um bom esquema de transporte para o centro da cidade, no final dos jogos (cerca de 5 minutos de percurso), com sucessivos autocarros, a “carregar” e a “arrancar”.

Um bom esquema de segurança ao nível de acesso aos Estádios (todas as entradas com portas com detectores de metais e tapetes para inspecção “raio-x”!).

Assistente Estádio HeraklionMuitos (mas mesmo muitos…) “assistentes” (voluntários, com os seus bonitos uniformes); em excesso, relativamente ao número de espectadores.

Bastante polícia dentro e nas imediações do Estádio. Praticamente nenhuma no centro da cidade! Alguma “insegurança” latente, com a polícia sempre “inquieta” (e bastante vigilante) perante as manifestações de apoio dos adeptos, temendo/receando eventuais confrontos que dificilmente se proporcionariam, perante assistências (no que respeita a adeptos dos países contendores) que raramente terão ultrapassado as 500 pessoas.

A equipa portuguesa surgiria neste segundo jogo bastante intranquila, “com a bola a queimar nos pés” (à semelhança do verificado no Portugal – Rússia no EURO 2004…).

E com um sintoma claramente notório: em todas as bolas “divididas”, os portugueses nunca arriscavam a “meter o pé”, procurando acima de tudo evitar qualquer eventual lesão nesta fase de início de época nos seus clubes.

Depois, no contra-ataque, os marroquinos surgiam sempre bastante mais velozes! Valeu a evidente superioridade técnica e física da equipa portuguesa que, ainda assim, depois de chegar aos 2-0, não conseguiria evitar o sofrimento nos 5 minutos finais, quando Marrocos reduziu a desvantagem para 1-2.

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JOGOS OLÍMPICOS – 2004 – ATENAS (I)

Atenas - 2004

Chegaram ao termo os Jogos da XVIII Olimpíada, realizados entre os dias 11 e 29 de Agosto, em cinco cidades gregas: Atenas, Salónica, Heraklion, Patras e Volos.

Até final da semana, aqui ficará um balanço desta edição dos Jogos Olímpicos, com os seus principais campeões, assim como uma breve análise ao comportamento de alguns dos participantes portugueses.

E, começando pelo mais negativo, sobre a desastrada presença da selecção portuguesa de futebol neste Torneio Olímpico, é importante reter que não se trata de “uma campanha para esquecer”, mas antes de “uma campanha para relembrar… e não repetir!”.

Tal como no EURO2004, Portugal termina os Jogos Olímpicos como segunda melhor equipa da Europa (apenas atrás da Itália… e, desta vez, “à frente” da Grécia!); porém, sem qualquer glória e com muito pouca honra (entre os 16 participantes, Portugal, Grécia e Sérvia terminariam nos três últimos lugares da prova!).

Não deixa de ser irónico que o Paraguai, a quem Portugal bateu clamorosamente na semana anterior aos Jogos Olímpicos (por rotundos 5-0) tenha atingido a Final da competição, sagrando-se Vice-Campeão Olímpico! Portugal desperdiçou claramente esta medalha…

Em termos mais gerais, os fracos resultados das selecções europeias não deveriam deixar de constituir base de reflexão por parte da FIFA e da UEFA, nomeadamente sobre a forma de disputa da prova (equipas “sub-23″ anos), uma vez que a mesma acabaria por resultar em (muito) fracas assistências (sobretudo justificadas pela reduzida mobilização de espectadores dos países participantes, o que automaticamente retira parte do “colorido à festa”).

Dado encontrar-me em viagem de Atenas para Creta, não tive oportunidade de acompanhar a estreia da equipa portuguesa, contra o Iraque.

De qualquer forma, parece evidente que a selecção portuguesa, com os “pergaminhos” que tem a defender (uma equipa que, para atingir os Jogos Olímpicos, teve de afastar, sucessivamente, grandes potências como a Inglaterra, França e Alemanha – sempre com vitórias no terreno do adversário!) e com o grau de profissionalismo que a caracteriza (com jogadores das melhores equipas da Europa, como o Manchester United, Chelsea, Stuttgart, para além de FC Porto, Sporting e Benfica) “não pode” sofrer 4 (!) golos de uma desconhecida e “amadora” selecção do Iraque…

E as coisas até tinham começado bem, com o golo logo nos primeiros 15 minutos, marcado pelo adversário na própria baliza. Mas foi “sol de pouca dura”: rapidamente os iraquianos “deram a volta ao resultado”.

Tendo alcançado o empate a 2 golos ainda antes do intervalo, é dificil compreender o “descalabro” da segunda parte; entrando já avisada que as coisas não iriam ser fáceis, a equipa portuguesa não soube ter a necessária serenidade para impor o seu melhor futebol, acabando por “entregar-se” com a expulsão de Boa Morte.

Embora nada estivesse ainda perdido, o resultado final de 2-4 não augurava nada de bom…

Há 1 ano no Memória Virtual – Os blogues na vida académica

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JOGOS OLÍMPICOS – 2004 – ATENAS

Atenas - 2004

A Grécia foi o berço das Olimpíadas originais da antiguidade, tendo celebrado também os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna, em 1896.

108 anos depois, os Jogos Olímpicos regressam a casa, com a realização dos Jogos da XVIII Olimpíada, depois de Atenas ter conseguido suplantar as candidaturas de Buenos Aires, Cape Town, Roma e Estocolmo.

Ao longo de 16 dias (entre 13 e 29 de Agosto – efectivamente, com o torneio de Futebol a ter início a 11 de Agosto), em 28 modalidades desportivas, são disputadas 301 provas, com mais de 10 500 atletas, representando 201 Comités Olímpicos Nacionais.

Portugal participará com uma delegação de cerca de 80 atletas, a terceira maior de sempre.

E, à partida, embora seja necessário ter os “pés assentes na terra” quanto às hipóteses de medalhas, espera-se uma participação com um nível qualitativo elevado, com expectativas de boas classificações no Futebol (em teoria, apenas Itália e Argentina terão um potencial à altura da equipa portuguesa), Judo (Nuno Delgado e João Pina), Vela (Álvaro Marinho, Miguel Nunes, João Rodrigues, Gustavo Lima, Diogo Cayola e Nuno Barreto), Hipismo (Carlos Grave), Ginástica (Trampolim, por intermédio do “tomarense” Nuno Merino), Heptatlo (Naide Gomes), Tiro (João Costa) e Triatlo (Vanessa Fernandes).

No Atletismo, as “principais figuras” poderão ser (para além de Naide Gomes), Alberto Chaíça, Ana Dias e Helena Sampaio (Maratona), Rui Silva (1 500m), Susana Feitor (20 km marcha), Francis Obikwelu (100m e 200m) e Fernanda Ribeiro (10 000m).

Uma surpresa poderá vir ainda do Voleibol de praia (João Brenha e Miguel Maia, 4º classificados nas 2 anteriores Olimpíadas) e do Ciclismo (com Nuno Ribeiro, Sérgio Paulinho e Gonçalo Amorim procurando apoiar Cândido Barbosa).Boa sorte a todos!

P. S. Ao longo das últimas semanas, aqui fui apresentando breves resumos dos principais factos relativos a cada edição dos Jogos Olímpicos, principalmente com base na página http://www.olympic.org/uk/games/index_uk.asp (de onde provêm igualmente as imagens dos posters relativos a cada Olimpíada).

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