Leonel Vicente
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Archive for the ‘Internacional’


Guiné-Bissau – País de futuro (?)

A propósito do momento atribulado que, uma vez mais, se vive na Guiné-Bissau – um dos países mais pobres do mundo -, com os assassínios, em dias consecutivos, do Chefe do Estado Maior das Forças Armadas do país, General Tagmé Na Waié, e do Presidente da República, João Bernardo (“Nino”) Vieira (entre os quais haveria uma forte rivalidade), aqui recupero um texto que tinha já publicado no Memória Virtual, em Setembro de 2003. Infelizmente, cerca de 5 anos e meio (e quase 11 anos depois da minha estadia), a evolução do país pouco parece ter tido de positivo…

________

Estive na Guiné-Bissau no ano de 1998, por duas vezes, nos meses de Janeiro e Abril (regressei cerca de um mês antes do “golpe de Estado” de Ansumane Mané), prestando colaboração profissional na EAGB – Electricidade e Águas da Guiné-Bissau, em missão ao serviço do Banco Mundial. 

O Banco Mundial concedera financiamento ao Estado da Guiné-Bissau, a afectar especificamente ao investimento em infra-estruturas de distribuição de água e energia eléctrica. A missão seria recorrente, caso não se tivesse seguido uma época conturbada na história do país, com a paralização quase integral da economia, que terá levado a que o Banco Mundial tivesse de vir a perdoar a dívida. 

No segundo semestre de 1998, e também na primeira parte de 1999, as instituições bancárias na Guiné-Bissau estiveram inoperacionais; na época, foi Cardoso e Cunha (antigo Comissário Europeu e depois responsável de primeira linha na EXPO98) que investia numa fábrica de cervejas, a qual viria a funcionar como “banco”, pela intermediação que proporcionava, a nível da disponibilização de fundos. 

A EAGB reflectia um pouco a realidade do país: fora dirigida nos anos anteriores por responsáveis franceses (da EDF – Electricité de France), que haviam contribuído para que a empresa se organizasse e equipasse, nomeadamente, em termos administrativos, a nível informático, mas com elevados custos decorrentes das “comissões de gestão” impostas. Encontrava-se em processo de reestruturação, com avultados investimentos em grupos geradores eléctricos (operando a fuel/gasóleo, uma fonte de produção de energia extremamente dispendiosa, uma vez que, na ausência de barragens, o país não dispunha de produção hidro-eléctrica) e em infra-estruturas de distribuição de água. 

A gestão francesa acabara de partir (a meio de 1997) e deixara os guineenses um pouco “entregues à sua sorte”. Previa-se a abertura de um processo de privatização da empresa, ao qual se supunha viessem a concorrer, pelo menos, a EDP (portuguesa) e a EDF (francesa); projectos que ficaram adiados. 

Os franceses tinham uma presença importante, inclusivamente a nível cultural, mas os resultados da sua intervenção não eram efectivamente visíveis. Podia talvez sublinhar-se como intervenção mais “desinteressada” a cooperação prestada pela Suécia. 

As infra-estruturas do país, não obstante os então recentes investimentos em curso, transitavam ainda, em larga medida, da época colonial; o país parecia ter parado nos últimos 25 anos, com traços visíveis de degradação, nomeadamente nos próprios edifícios mais importantes de Bissau. 

A chegada a Bissau – para quem contactava pela primeira vez com a realidade africana – foi um “choque”, começando pelo clima tropical (um “bafo” extremamente quente, à saída do avião, no início de Janeiro, com o “ar pesado” devido ao elevado nível de humidade), pelas sumárias “infra-estruturas” do aeroporto; a primeira visita à cidade de Bissau não deixou de ser uma experiência “enriquecedora”: a singeleza da cidade, os seus edifícios degradados, em contraste com a “agressiva” dinâmica do trânsito automóvel (talvez com cerca de 60 % de “táxis”) e com a imensidão de gente que se acumulava à beira da estrada (entre o aeroporto e a cidade) e no “Mercado do Bandim” (se bem me lembro do nome), vendendo de tudo um pouco (principalmente produção agrícola básica, nomeadamente frutas tropicais). 

Mas, ao mesmo tempo, a simpatia calorosa do povo guineense, a sua “reverência” para com os portugueses e o instinto de “portugalidade” que transportavam ainda (durante a semana, era fácil ouvir em espaços públicos a RDP Internacional; ao fim-de-semana, toda a gente vibrava com os relatos de futebol; na segunda-feira, discutiam-se as exibições do Benfica, Porto e Sporting como em qualquer localidade portuguesa…). 

Um povo que aparentava contentar-se com pouco; não dispondo de uma infinidade de recursos materiais que temos normalmente no nosso dia a dia, mas, não obstante, um povo “feliz”. A esplanada da “Baiana”, numa das principais praças (“Che Guevara”, mesmo ao lado da EAGB) era o ponto de encontro da comunidade portuguesa, assim como o restaurante “Asa Branca” (se bem me recordo dos nomes, a esta distância temporal). Havia até uma discoteca “Kapital”! 

A Guiné era um país absolutamente tranquilo, onde era possível, sem qualquer tipo de receio, andar sozinho na rua à noite (por exemplo, na estrada que ligava o aeroporto à cidade, tendo o Hotel a “meio do caminho”), sem qualquer iluminação pública, ou seja, completamente às escuras. 

Nada indicava que, cerca de um mês depois, fosse desencadeada uma guerra, nunca completamente esclarecida, mas que terá sido despoletada tendo por motivação a defesa de interesses de um conjunto de militares. Foi um processo doloroso, em que a Guiné terá sofrido grande destruição. 

Procurou-se depois instaurar um regime democrático, mas o processo tem sido muito complexo, desde logo com as divergências entre o primeiro-ministro do governo de transição e o Presidente da República (Kumba Ialá) e, mais tarde, com a morte do líder dos revoltosos de 1998 (Ansumane Mané). 

Passaram cinco anos. Em que o país esteve “parado”. Um compasso de espera demasiado longo para quem tem tanto (quase tudo) por fazer. 

Ontem, novo “golpe de Estado”, como sempre partindo dos militares; que interesses estarão na sua base? Quais os seus objectivos e consequências? Haverá condições para a realização de eleições minimamente livres? Poderemos esperar alguma evolução na democracia guineense no curto prazo? 

Para que a Guiné-Bissau possa vir a singrar no contexto dos países da África Ocidental, para que seja um “país de futuro”, é absolutamente imprescindível (passe o pleonasmo e a evidência que se segue) que possa ser “bem governada”; não dispondo de particulares recursos naturais, é essencial que a cooperação internacional seja utilizada em proveito de todos os guineenses e do real desenvolvimento do país. É fundamental que haja estabilidade política que permita criar as condições para atrair o investimento estrangeiro. Não será uma tarefa fácil, mas depende principalmente dos guineenses!

(ver, a propósito, o artigo de Francisco Seixas da Costa no seu blogue Duas ou três coisas, “A Tragédia da Guiné“).

Presidente Obama – 1ª página


(via)


Discurso inaugural – Presidente Barack Obama


Texto completo
/ Vídeo e transcrição (NYT) / Tradução para português (Público)

(Pode consultar os “Discursos inaugurais” desde 1789 – infografia New York Times)

Inauguration Day – Transição de poder nos EUA

Desde as 17 horas de hoje, dia 20 de Janeiro de 2009:

Até às 17 horas era assim…

Hoje:

Ontem…

“Inauguration Day”

I do solemnly swear that I will faithfully execute the office of the President of the United States, and will to the best of my ability, preserve, protect, and defend the Constitution of the United States.


(foto The New York Times – 2005)

Franklin D. Roosevelt – 04.03.1933 – “The only thing we have to fear is fear itself.”

Harry Truman – 12.04.1945 – “Our demand has been, and it remains: unconditional surrender! We will not traffic with the breakers of the peace on the terms of the peace.” (16.04.1945)

Dwight Eisenhower – 20.01.1953 – “A people that values its privileges above its principles soon loses both.”

John F. Kennedy – 20.01.1961 – “My fellow Americans: Ask not what your country can do for you – ask what you can do for your country.”

Lyndon B. Johnson – 22.11.1963 – “All I have I would have given gladly not to be standing here today.” (27.11.1963)

Richard Nixon – 20.01.1969 – “We cannot learn from one another until we stop shouting at one another – until we speak quietly enough so that our words can be heard as well as our voices.”

Gerald Ford – 09.08.1974 – “I assume the presidency under extraordinary circumstances never before experienced by Americans. This is an hour of history that troubles our minds and hurts our hearts.”

Jimmy Carter – 20.01.1977 – “We are a pure idealistic nation, but let no one confuse our idealism with weakness.”

Ronald Reagan – 20.01.1981 – “In this present [economic] crisis, government is not the solution to our problem.”

George H. W. Bush – 20.01.1989 – “I have spoken of a thousand points of light, of all the community organizations that are spread like stars throughout the nation, doing good. We will work hand in hand, encouraging, sometimes leading, sometimes being led, rewarding.”

Bill Clinton – 20.01.1993 – “There is nothing wrong with America that cannot be cured by what is right with America.”

George W. Bush – 20.01.2001 – “The enemies of liberty and our country should make no mistake: America remains engaged in the world by history and by choice, shaping a balance of power that’s favors freedom.”

Fonte: GOOD Sheet: The First 100 Days (ver também Inaugural Addresses)

A acompanhar em directo (também nesta parceria CNN/Facebook), a partir das 17 horas, a cerimónia da investidura de Barack Obama como 44º Presidente dos Estados Unidos da América.


(el Periódico.com)

Moeda comemorativa 5 euros – Holanda

Fantástica! Esta moeda comemorativa holandesa, alusiva ao tema “A Holanda e a Arquitectura”, da autoria de Stani Michiels (que aqui detalha o seu processo de concepção e desenho), apresentando numa das faces uma combinação da lombada de livros de arquitectura, moldando no seu interior a silhueta do mapa do país, e, na outra face, o nome de mais de 100 famosos arquitectos holandeses, formando a imagem da rainha holandesa (Beatriz).

(via Arrastão)

90 anos do armistício

Comemoram-se hoje 90 anos da assinatura do Tratado do Armistício, que colocou termo à I Guerra Mundial.

Blog Action Day – Poverty


Blog Action Day 2008 Poverty from Blog Action Day on Vimeo.
Today thousands of bloggers will unite to discuss a single issue – poverty. We aim to raise awareness, initiate action and to shake the web!

Prémio Nobel da Paz

O prémio Nobel da Paz foi hoje atribuído ao antigo Presidente da Finlândia Martti Ahtisaari, pelos seus «importantes esforços, em vários continentes e ao longo de mais de três décadas, para resolver conflitos internacionais», de que se destacam a sua acção no processo de independência da Namíbia, no acordo de paz com os ex-rebeldes independentistas do Movimento Aceh Livre na Indonésia e como mediador no Kosovo.

Portugal reconhece independência do Kosovo

A este propósito, farei apenas remissão para o texto que aqui publiquei há quase 8 meses (18 de Fevereiro): «a decisão está tomada e acabará por ir, inevitavelmente, no sentido do reconhecimento da independência… Porquê então o protelamento?»

Expo Zaragoza 2008

Ao chegar ao último fim-de-semana da EXPO 2008, em Zaragoza (com encerramento agendado para Domingo, 14 de Setembro, após 3 meses de exibição), podemos começar a apelar à memória, por via de uma galeria de fotos, disponível para consulta.

9/11 – 7 anos

O dia em que o mundo mudou…

UNITA aceita resultados das eleições em Angola

O líder da UNITA, Isaías Samakuva, anunciou o reconhecimento dos resultados eleitorais em Angola, felicitando o MPLA pela vitória obtida (cerca de 82 % dos votos, face a apenas cerca de 10 % para a UNITA).

O processo eleitoral havia sido já – após as reticências inicialmente expressas, na manhã de sexta-feira – considerado “transparente”, e representando um “avanço para a paz” pelos observadores da União Europeia.

Ver artigo na BBC.

MPLA com mais de 80 % dos votos

Quando estão já escrutinados cerca de metade dos votos das eleições legislativas em Angola, o MPLA lidera as contagens, com mais de 80 % dos votos, face a apenas cerca de 10 % da UNITA, o que origina controvérsia sobre a validade destas eleições.

UNITA pede repetição das eleições em Luanda

Alegando que «não houve condições para que o processo fosse considerado normal», Isaías Samakuva requereu hoje a repetição das eleições legislativas em Luanda.

P. S. Mais informações sobre as eleições em Angola, aqui, na BBC.

«Visando garantir o direito de voto a todos os cidadãos eleitores», de forma a concretizar a realização da votação nas assembleias onde o acto eleitoral não pudera ter lugar ou onde tivera de ser interrompido, a Comissão Nacional Eleitoral decidiu prolongar para sábado o acto eleitoral na província de Luanda.

Maus augúrios

O líder da UNITA, Isaías Samakuva afirmou esta manhã que «a votação em Luanda está uma grande confusão, um completo desastre. Espero que as coisas melhorem ao longo do dia», e, ainda, «se as coisas continuarem assim, a votação é inaceitável».

P. S. Mais informações aqui, no Le Monde.

Rede da Memória Virtual Brasileira

A Rede da Memória Virtual Brasileira é um projecto com a ambição de automatizar e disponibilizar no ciberespaço os acervos de todas as instituições brasileiras que disponham de um património visual ou textual, constituindo-se numa verdadeira memória digital, de acesso alargado.

(via Jornalismo & Internet)

Maio de 68

Nos 40 anos do “Maio de 68″, o projecto “68bis” (da arte.tv) oferece-nos, dia a dia, os despachos originais da Agência France-Presse, de há 4 décadas, que – a partir de hoje – desfilarão também pela barra lateral do Memória Virtual.