Leonel Vicente
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Archive for the ‘Euro-2004’


EURO 2004 – A a Z (H)

Hélder Postiga – Uma participação reduzida em termos de tempo, mas que se revelaria decisiva; seria dele o golo do empate com a Inglaterra (a 8 minutos do fim), que nos levaria ao prolongamento. Depois, foi aquela loucura de um penalty, transformado – “à Panenka” – de forma absolutamente inconsciente (dada a responsabilidade de nos poder provocar automaticamente a eliminação), mas, dado o seu “final feliz”, com uma marca de génio, que deixou um grande sorriso em Deco e uma enorme alegria em todos os portugueses.

Henry – O avançado do Arsenal vinha creditado como o melhor jogador do mundo na época agora finda. Completamente fora de forma, esgotado por uma longa e exigente temporada, passaria quase ao lado da prova; os dois golos contra a Suíça foram uma magra consolação, para uma equipa que deverá agora passar por um processo de renovação.

Holanda – Tradicionalmente uma grande potência futebolística, talvez a equipa europeia com maior potencial ofensivo em termos históricos. Surgiu menos forte nesta prova; não obstante, foi conseguindo levar “a água ao seu moinho”, até se deparar com um Portugal imparável. Repetiu o 3º lugar do EURO 2000.

Hooligans – Felizmente, quase não se viram durante os jogos. A realçar o desportivismo com que todas as comitivas de adeptos se comportaram, de início a fim da prova, participando activamente na grande festa que foi o EURO. Quero crer que os desacatos de Albufeira, com adeptos ingleses, se deram com indivíduos que nem sequer assistiram a qualquer jogo.

[1492]

EURO 2004 – A a Z (G)

GréciaGrécia – A maior (enorme!) surpresa da prova. Com o seu (limitado) historial, partia sem responsabilidades; sagrou-se Campeã! Começou por derrotar Portugal no jogo de abertura, alcançaria, com sorte o empate com a Espanha, quase garantindo, logo aí, o apuramento. Nos ¼ final, aproveitou a apatia francesa para alcançar uma histórica qualificação para as ½ finais. Aí, de forma matreira, beneficiaria de algum desgaste acusado pela equipa checa para fazer o seu melhor jogo da prova, surgindo em grande força no prolongamento, para, de forma traiçoeira e cruel para os checos, os afastar da Final. Repetiria a “dose” frente a Portugal, com uma eficácia absoluta: 1 canto, 1 remate à baliza, 1 golo. Como diz Rui Costa, sem tirar o mérito aos gregos, o Campeonato é conquistado pela equipa mais defensiva da prova, numa espécie de “negação do futebol”, em que o primordial era assegurar a inviolabilidade da sua baliza, sabendo depois aproveitar todas as oportunidades para marcar e ganhar. Diziam-me os adeptos gregos: «Os nossos jogadores podem não ser os melhores do mundo, mas “têm um grande coração”»… Parabéns à Grécia, que concretiza um “feito único” na história do futebol!

A classificação final do Campeonato da Europa ficou assim estabelecida:

1º Grécia
2º Portugal
3º Holanda
3º R. Checa
5º França
6º Inglaterra
7º Suécia
8º Dinamarca
9º Itália
10º Espanha
11º Alemanha
12º Croácia
13º Rússia
14º Letónia
15º Suíça
16º Bulgária

[1491]

EURO 2004 – A a Z (F)

Fernando Couto – O grande capitão. Entrou na prova como titular, mas não resistiria à revolução de Scolari, na sequência da derrota com a Grécia. A partir daí, Ricardo Carvalho mostrou ser dono incontestável da defesa portuguesa… e Couto só voltaria a ter (curto) espaço, a reforçar a defesa nos últimos minutos dos jogos com a Espanha e Holanda.

Figo – Sobre ele pesava a responsabilidade de conduzir a equipa portuguesa. Acusou também o peso da época esgotante que teve no Real Madrid, não conseguindo manter o ritmo nos 90 minutos. Reagiu mal às substituições, comportou-se como um “menino mimado” na conferência de imprensa antes do jogo com a Espanha; jogou – não de raiva, mas com prazer – com a Holanda, merecendo o troféu que o distinguiu como melhor jogador. De qualquer forma, decisivo na solidez da equipa portuguesa, formando um meio-campo de luxo com Costinha, Deco, Maniche e Cristiano Ronaldo.

França – Uma equipa nos limites. A sua solidez competitiva, a qualidade técnica dos seus executantes, davam sempre a ideia de que, a qualquer momento, poderia decidir a seu favor todos os jogos. Acabaria por não ser assim, acabando a prova num “cinzento” 5º lugar; no jogo com a Grécia, revelar-se-ia particularmente apática e, após sofrer o golo, quase que “se entregou”. Alguns dos seus jogadores (com Desailly como melhor exemplo) terão chegado ao fim da carreira na selecção. A França deverá proceder a uma importante renovação.

[1490]

EURO 2004 – A a Z (E)

Espanha – O “habitual”: uma das melhores equipas da Europa, mais uma vez a falhar numa grande competição. Com grandes figuras, como Vicente e Joaquín, não teria um Raul na sua melhor forma. Acabaria eliminada depois de ceder o empate contra a Grécia, num jogo em que exercera claro domínio, vítima do “mata-mata” contra Portugal; esteve a centímetros de ser apurada, caso a Rússia não tivesse desperdiçado, no final da partida com a Grécia, o 3-1 (que eliminaria os gregos…).

Há 1 ano no Memória Virtual – Balanço – 1ª semana

[1488]

EURO 2004 – A a Z (D)

Davids – Sempre “um poço de energia”, a chegar a esta competição em boa forma física. Espalhou algum pânico entre a defesa portuguesa, sendo o jogador holandês que mais perigo levou à nossa área.

Deco – Alvo de muita polémica (mesmo no seio da selecção, com Figo à cabeça), a sua naturalização e integração na equipa portuguesa revelar-se-ia decisiva. Começou como suplente, mas, a partir do primeiro jogo, assumiria naturalmente a titularidade. Foi sempre um jogador muito esforçado, a atacar e a defender, sem “virar a cara à luta”. Acusando naturalmente o esforço de uma época exigente como a que teve no FC Porto – chegava exausto ao final das partidas – teve um papel preponderante na garantia do controlo do jogo, nos seus momentos finais, quando Portugal precisava de conservar a vantagem (contra a Espanha e Holanda) e assegurar o prolongamento (com a Inglaterra). Um dos melhores jogadores deste Europeu!

Dinamarca – Uma equipa discreta, sem a exuberância da “Danish Dynamite” dos anos 80 (ou daquela que se sagrou campeã em 1992), mas com grande poderio, assente num guarda-redes muito bom (Sorensen), que lhe deu uma base para partir deliberadamente para o ataque (em que pontificaram Jon Dahl Tomasson e Gronkjaer). Seria infeliz no jogo com a R. Checa, sofrendo um pesado castigo, num jogo que estava a ser equilibrado.

[1486]

EURO 2004 – A a Z (C)

Campeões – Quem são estes quase “ilustres desconhecidos”, agora sagrados Campeões da Europa, quais “deuses do Olimpo”: Antonios Nikopolidis, Konstantinos Chalkias, Ioannis Goumas, Giorgios Seitaridis, Angelos Basinas e Dimitrios Papadopoulos (todos do Panathinaikos), Mihalis Kapsis, Theodoros Zagorakis, Vassilios Lakis, Konstantinos Katsouranis e Vassilios Tsiartas (AEK Atenas), Theo. Katergiannakis, Stylianos Venetidis, Pantelis Kafes e Giorgos Georgiadis (Olympiakos), Panagiotis Fyssas (Benfica), Traianos Dellas (Roma), Nikolaos Dabizas (Leicester), Stylianos Giannakopoulos (Bolton), Giorgos Karagounis (Inter), Themistolakis Nikolaidis (At. Madrid), Angelos Charisteas (Werder Bremen) e Zisis Vryzas (Fiorentina).

Costinha – O médio defensivo titular da selecção portuguesa, num final de época muito desgastante, teve uma acção de formiguinha, nem sempre se evidenciando, mas assumindo, ainda assim, um papel determinante no controlo dos jogos. Faltou-lhe, desta vez, o habitual golo.

Cristiano Ronaldo – A nova “coqueluche” portuguesa; impôs-se pela facilidade com que assume riscos, pela grande força de vencer. Começando no banco, acabaria por ganhar o lugar a Simão Sabrosa. O golo na meia-final contra a Holanda seria determinante na “abertura do caminho” para a Final. Atenas e os Jogos Olímpicos esperam por ele…

Croácia – Uma equipa que teve um desempenho global aquém do esperado. Algo ingénua e voluntariosa na procura do golo, depois de um jogo de grande ansiedade contra a Suíça e de uma boa partida contra a França, seria traída por um golo marcado “cedo demais” contra a Inglaterra, esquecendo-se de defender quando perdeu a vantagem.

[1485]

EURO 2004 – A a Z (B)

Ballack – Numa equipa alemã em processo de renovação (Lahm, Schweinsteiger, Frings, Kuranyi, …), seria o experiente Ballack a destacar-se; procurou carregar com a sua equipa, foi eleito melhor jogador em campo, revelando ser de facto, nesta altura, o único jogador alemão de verdadeira classe mundial; insuficiente para evitar o desastre alemão.

Baros – A maior revelação da prova e um dos melhores jogadores do torneio; o jovem checo, beneficiando da sua postura de grande mobilidade, mesmo sem ser um verdadeiro “ponta-de-lança”, viria a sagrar-se melhor marcador da prova, com os 5 golos que obteve nos 4 primeiros jogos. Esteve perto de marcar também na meia-final com a Grécia, mas, nesse dia, nada saiu bem a uns checos a denotar já alguma fadiga física… e mental. A sua ambição actual é a de procurar impor-se no seu clube, o Liverpool, o que não conseguira ainda na época agora finda.

Beckam – O galáctico, integrando o casal mais mediático do mundo do futebol, não foi feliz neste Europeu. Começou por falhar um penalty que daria o 2-0 no Inglaterra-França; repetiria a infelicidade contra Portugal. A sua passagem pela prova nunca atingiu o nível superior que dele se esperava.

Beto – Um dos poucos portugueses que não tiveram oportunidade de “fazer o gosto ao pé”. Com a melhor dupla defensiva do campeonato (Ricardo Carvalho e Jorge Andrade), a que se somava ainda o titular inicial e capitão da selecção (Fernando Couto), acabou por não haver espaço para que Beto jogasse pela selecção portuguesa.

Buffon – Não foi por causa do guarda-redes italiano, talvez o melhor da Europa, que a Itália foi eliminada logo na primeira fase. Sempre seguro e com inegável classe.

Bulgária – Uma entrada bastante negativa no jogo com a Suécia (derrota por 0-5 – não obstante tivesse equilibrado o jogo na sua fase inicial) acabaria por condicionar definitivamente a prestação da equipa. Esforçaram-se muito no último jogo frente à Itália, mas acabariam a prova só com derrotas. Uma selecção em fase de renovação, acabaria por revelar ser a mais fraca de entre as 16 finalistas.

[1484]

EURO 2004 – A a Z (A)

Alemanha – A maior decepção do EURO. Os actuais vice-campeões do Mundo e tri-campeões da Europa (o país com melhor historial na prova) atravessam uma fase de renovação, mas o seu futebol estereotipado não mostrou capacidade de adaptação, perante as diferentes cambiantes de cada encontro; começaram a ganhar à Holanda, permitindo o empate; não tiveram arte e engenho para marcar à Letónia; apesar de marcarem primeiro no jogo com a R. Checa, acabariam por ser inapelavelmente derrotados. Uma antiga “máxima” definia o futebol como “um jogo em que participam 11 de cada lado e, no fim, ganham os alemães”; cada vez parece ser menos verdade… nas últimas 2 fases finais de Europeus, a Alemanha soma 6 jogos consecutivos sem alcançar uma única vitória! (P. S. A não ser que essa “máxima” seja extensiva ao alemão Otto Rehhagel, treinador da Grécia, novo Campeão Europeu…).

Alenitchev – Campeão europeu de clubes pelo FC Porto, o russo mostraria – apesar da fraca prestação da sua selecção – estar muito acima dos seus companheiros, revelando-se como o único com verdadeira classe europeia; insuficiente para ir mais além que a primeira fase.

[1483]

EURO 2004 – A a Z

A – Alemanha / Alenitchev
B – Ballack / Baros / Beckam / Beto / Buffon / Bulgária
C – Campeões / Costinha / Cristiano Ronaldo / Croácia
D – Davids / Deco / Dinamarca
E – Espanha
F – Fernando Couto / Figo / França
G – Grécia
H – Hélder Postiga / Henry / Holanda / Hooligans
I – Ibrahimovic / Inglaterra / Itália
J – Joaquín / Jorge Andrade
K – Kahn / Karagounis
L – Letónia / Lucílio Baptista
M – Maniche / Miguel / Moreira / Mostovoi
N – Nedved / Nikopolidis / Nuno Gomes / Nuno Valente
O – Organização / Otto Rehhagel / Owen
P – Pauleta / Paulo Ferreira / Petit / Poborski / Portugal
Q – Quim
R – R. Checa / Raul / Ricardo / Ricardo Carvalho / Rui Costa / Rui Jorge / Rússia
S – Scolari / Simão Sabrosa / Suécia / Suíça
T – Tiago
U – Urs Meier
V – Van Nistelrooy / Vicente
W – Wayne Rooney
X – Xabi Alonso / Xis (Empates)
Y – Yakin
Z – Zagorakis / Zidane

(… 70 “temas”, a “desenvolver” ao longo da semana)

P. S. Era um balanço “muito mais alegre” o que esperava estar aqui a fazer, a partir de hoje; mas “a vida continua”, há que saber tirar ensinamentos das coisas (muito) boas que aconteceram nestas 3 semanas – e não só em termos meramente desportivos, aproveitando o impulso da capacidade de “fazer bem” que demonstrámos e alargando-o a outras áreas – e, principalmente, das que correram menos bem. A nível desportivo, projectamos já as nossas esperanças para os Jogos Olímpicos, daqui a 1 mês, na Grécia… Oxalá sejamos (mais) felizes.

Há 1 ano no Memória Virtual – “Le Tour – La Grande Boucle”

[1481]

EURO 2004 – PORTUGAL

Portugal

VICE-CAMPEÃO EUROPEU


[1481]

EURO 2004 – 1/4 FINAL – 1/2 FINAIS – FINAL

     1/4 FINAL               1/2 FINAIS              FINAL

PortugalInglaterra2-2
PortugalHolanda2-1
SuéciaHolanda0-0 Portugal0

FrançaGrécia0-1 Grécia1
GréciaR. Checa1-0
R. ChecaDinamarca3-0

[1480]

EURO 2004 – FINAL

PortugalGrécia0-1

Esta página volta a ser actualizada, ainda hoje.

Para dizer algumas coisas:

1. Foi uma festa linda!

2. Estou muito orgulhoso de ser português.

3. Portugal é Vice-Campeão da Europa – a melhor classificação de sempre!

4. Foi enorme a decepção que sofremos hoje.

5. Infelizmente, só conseguimos ser os Campeões das “vitórias morais”.

6. Não sei se a vitória da Grécia é injusta; provavelmente sim… mas tenho que dizer que, a uma equipa que ganha a Portugal (2 vezes!), à França e à R. Checa, temos que reconhecer-lhe o mérito de potenciar os seus pontos fortes.

7. Provavelmente, vou ter dificuldade em dormir esta noite, pelo que vou ficar por aqui a escrever, fazendo o balanço desta magnífica prova.

Antes de “entrar na matéria” propriamente dita, uma palavra para a magnífica “cerimónia de encerramento”; já tive oportunidade de a rever na televisão, mas posso garantir-vos que, “ao vivo”, no Estádio, foi das coisas mais bonitas que já vi: magnífica a “calçada portuguesa”, muito boa a coreografia da entrada de Nelly Furtado, com a música oficial do EURO (“Com uma Força”) e interessante a ideia da “caravela futurista” a saír de dentro da “bola gigante”. Verdadeiramente emocionante!

Também seria linda a cerimónia da entrega da Taça, com o colorido azul e branco e o fogo de artifício (fico a imaginar como teria sido estrondosamente bela se as cores fossem o verde e o vermelho… “que pena”!).

Sobre o jogo, nenhuma surpresa; tudo aconteceu como “esperado”: Portugal a tomar a iniciativa do jogo, a ser a única equipa a procurar o ataque; a Grécia, sempre na expectativa, à espera do “milagre” que haveria de resultar do erro do adversário.

E assim – exactamente com a mesma estratégia, táctica e forma de jogar -, a Grécia vencia sucessivamente os grandes “colossos” França, R. Checa e Portugal.

É que, inevitavelmente, o erro surge sempre… e os gregos não se fizeram rogados a aproveitá-los, sempre que a oportunidade surgiu.

Uma equipa matreira, implacavelmente traiçoeira. Tal como no jogo com a R. Checa, bastou uma desatenção num canto, para ganharem… e se sagrarem Campeões da Europa.

É verdade que, a partir do meio da primeira parte – à medida que se via que os gregos estavam a “levar a água ao seu moínho” -, a equipa portuguesa começou a revelar sintomas de intranquilidade, baixando bastante de produtividade.

Até final da primeira parte, a ideia que a equipa portuguesa transmitia começava a ser bastante similar à que os checos haviam dado: a equipa começava a denotar falta de frescura física… e psicológica. Os jogadores-chave da equipa (Deco, Maniche, Cristiano Ronaldo, Figo) haviam sido submetidos a um imenso desgaste nos jogos anteriores (com a Espanha, Inglaterra e Holanda) e já não dispunham de muitas reservas…

Jogava bastante lento, e sem soluções para penetrar na organizada “barreira” formada pelos gregos.

E, nas bancadas, os 10 000 gregos começavam já a fazer a festa: chegar à meia-hora de jogo com 0-0 era já uma vitória!… para uma equipa que parece ter uma concepção do futebol como um jogo em que, acima de tudo, o principal não é marcar, mas sim “não sofrer”.

Na segunda parte, Portugal entrou bastante melhor, acelerando o ritmo, com uma boa dinâmica, fazendo renascer a esperança.

Contudo, aos 57 minutos, na sequência de um canto, a Grécia acabava com as nossas aspirações. Um rude golpe, como costuma dizer-se, um autêntico “balde de água fria”.

Logo aí, receou-se o pior; a espaços, Portugal daria ainda a ilusão de que seria capaz de chegar ao golo, mas à medida que o tempo avançava (a “grande velocidade”), a equipa pareceu começar a descrer, até se chegar a um momento em que eram sempre os gregos os mais rápidos, os primeiros a chegar às bolas divididas.

À entrada do último quarto de hora, a “vontade de vencer” dos gregos parecia ser maior que a dos portugueses; com a extrema motivação que lhes proporcionava o golo de vantagem, os gregos aplicavam-se a fundo em todas as lutas pela posse de bola.

Portugal teria ainda, quase em cima da hora, uma excelente oportunidade para empatar, mas o remate de Figo saíu a centímetros do poste.

No final, um claro domínio em termos de posse de bola – pela primeira vez presente numa Final, Portugal assumia claro favoritismo para a vitória e conquista do título de Campeão Europeu -; soube assumir esse favoritismo, partindo “sem complexos” para o ataque, tomando a iniciativa do jogo, sabendo que era a equipa a quem competia procurar o golo.

Como em todos os jogos realizados pela Grécia neste Europeu, a sensação de que Portugal foi (tal como os restantes adversários dos gregos) claramente superior, mas, mais uma vez, o resultado final a não traduzir essa superioridade.

As estatísticas do jogo (praticamente todas favoráveis a Portugal) são bem elucidativas: 17-4 em remates; 5-1 em remates à baliza; 10-1 em cantos (o dos gregos resultaria em golo!…); 58 % / 42 % em termos de posse de bola…

Conclusão: a Grécia, muito bem orientada, perita em defender (como diz Rui Costa, não deixa de ser “irónico” que a equipa mais defensiva da prova se sagre campeã…), seguiu “à risca” o seu plano, esperou pelos adversários e, quando a oportunidade surgia, ganhava o jogo… por 1-0.

A Grécia é Campeã da Europa, depois de ter realizado a seguinte carreira nesta prova (em 14 jogos, 10 vitórias: 7 por 1-0 (!); 2 por 2-0; e 1 por 2-1):

Grécia – Espanha – 0-2
Ucrânia – Grécia – 2-0
Grécia – Arménia – 2-0
I. Norte – Grécia – 0-2
Espanha – Grécia – 0-1
Grécia – Ucrânia – 1-0
Grécia – Arménia – 1-0
Grécia – I. Norte – 1-0
………………………………..
Portugal – Grécia – 1-2
Espanha – Grécia – 1-1
Rússia – Grécia – 2-1
Grécia – França – 1-0
Grécia – R. Checa – 1-0
Portugal – Grécia – 0-1

Portugal Ricardo, Miguel (43m – Paulo Ferreira), Ricardo Carvalho, Jorge Andrade, Nuno Valente, Costinha (60m – Rui Costa), Figo, Deco, Maniche, Cristiano Ronaldo, Pauleta (74m – Nuno Gomes)

Grécia Antonis Nikopolidis, Giourkas Seitaridis, Traianos Dellas, Mihalis Kapsis, Costas Katsouranis, Panagiotis Fyssas, Angelos Basinas, Stelios Giannakopoulos (76m – Stylianos Venetidis), Theodoros Zagorakis, Zisis Vryzas (81m – Dimitrios Papadopoulos), Angelos Charisteas

0-1 – Charisteas – 57m

“Melhor em campo” – Zagorakis (Grécia)

Amarelos – Costinha (11m) e Nuno Valente (93m); Basinas (45m), Seitaridis (62m), Fyssas (67m) e Papadopoulos (84m)

Árbitro – Markus Merk (Alemanha

Estádio da Luz – Lisboa (19h45)


“Filme do jogo”:

3m – Pauleta é travado à entrada da área, mas o árbitro não sanciona

5m – Cristiano Ronaldo combina bem com Deco, mas o remate embate na defesa grega

8m – Figo em drible na área, depois tem de sair, segurando a bola, acabando por ganhar o primeiro canto da partida; na sequência, Nikopolidis a antecipar-se a Pauleta

11m – Seitaridis “desce” pelo corredor direito; Costinha obrigado a travá-lo em falta, vendo o cartão amarelo; livre sem perigo

13m – Miguel remata cruzado, à entrada da área, com muito perigo, obrigando Nikopolidis a desviar para canto com dificuldade

15m – Charisteas a isolar-se, na sequência de uma combinação com Vryzas, com Ricardo a safar com os pés, com alguma dificuldade

16m – Pauleta a rematar de longe, fácil para Nikopolidis; apesar de ter “largado” para a frente, teve espaço para recuperar

18m – Deco é novamente travado em falta (para “amarelo”), mas o árbitro não sanciona Charisteas

18m – Cristiano Ronaldo perde-se em dribles na área, acabando por permitir o desarme

21m – Pauleta e Miguel na área grega, tentam ambos ir à bola, acabando por “chocar” um com o outro

24m – Deco a cruzar do lado direito, ganha o terceiro canto para Portugal; marcado por Deco, com a bola a chegar a Maniche, que rematou forte, ligeiramente ao lado

27m – Jogada de algum perigo da Grécia, com Vryzas a cruzar, mas a bola a chegar às mãos de Ricardo

28m – Livre para a Grécia, com Giannakopoulos a marcar, novamente para as mãos de Ricardo

29m – Bola lançada em profundidade para a área da Grécia, com Pauleta a tentar ganhar a Nikopolidis, mas sem conseguir

32m – Deco combina bem com Cristiano Ronaldo, com a bola quase a sobrar para Pauleta, que se isolava perigosamente, mas acabaria por se perder a oportunidade

33m – Miguel lesiona-se; seria substituído alguns minutos depois, já depois de ter sido “longamente” assistido

33m – Livre apontado por Figo, com a bola a sair por alto e sem que surgisse o desvio

37m – Vryzas imita Figo, driblando à entrada da área; acabaria por perder a bola

44m – Nuno Vaente a cair dentro da área, mas provavelmente sem falta

45m – Basinas corta a bola com a mão, numa jogada de contra-ataque de Portugal; vê o amarelo

48m – Charisteas a libertar-se de Nuno Valente, a cruzar para a área, onde não apareceu nenhum grego

49m – Cristiano Ronaldo a abrir bem, com Pauleta a entrar na área, tentando passar por um adversário, mas a rematar contra a “barreira” grega

51m – Jogada perigosa de Deco, que passa por 3 gregos, sendo travado em falta quando entrava na área, mas o árbitro nada assinala

52m – Deco a rematar de longe, por alto e ao lado

55m – Deco a cair novamente dentro da área, com o árbitro a mandar seguir

57m – Seitaridis, depois de, em esforço, conseguir dominar a bola dentro das quatro linhas, e perante a oposição de Cristiano Ronaldo, ganha o primeiro canto (seria o único…) para a Grécia; Basinas a marcar, com Charisteas a surgir a desviar de cabeça para o golo

58m – A Grécia a levar novamente o perigo à área portuguesa, mas Ricardo a antecipar-se, a evitar o cabeceamento

59m – Cristiano Ronaldo ganha espaço, remata forte, obrigando Nikopolidis a uma defesa difícil, “a soco”

60m – Deco marca um livre; a bola bate na malha lateral… do lado de fora

61m – Rui Costa, recém-entrado, a fazer um “slalom” magnífico, por entre 3 gregos, mas a não encontrar ninguém para finalizar, dando seguimento ao centro

63m – Livre de Deco, com a bola a sair muito por cima

64m – Na sequência de uma boa iniciativa, remate de Figo, já dentro da área, mas com Nikopolidis a defender com segurança

67m – Figo marca um livre, para as mãos de Nikopolidis

69m - Portugal desaproveita mais três (!) cantos

72m – Nuno Valente dentro da área, a centrar – directamente para as mãos de Nikopolidis

73m – Rui Costa tenta a sorte de longe, mas a bola a passar ligeiramente ao lado

75m – Rui Costa num magnífico passe, a isolar Cristiano Ronaldo, que, “na cara” do guarda-redes, remata já em esforço, por cima, perdendo a maior oportunidade de Portugal chegar ao golo

79m – Nuno Valente a cruzar, mas Nikopolidis a interceptar

81m – Nova combinação entre Rui Costa e Cristiano Ronaldo, que remata contra o corpo de Dellas, ganhando o canto

82m – Ricardo Carvalho, numa boa iniciativa, aparece a rematar com força, com Nikopolidis a defender mais uma vez a soco, para a frente, não surgindo ninguém para a recarga que daria o golo

85m – Um adepto irrompe pelo campo, para atirar uma camisola do Barcelona à cara de Figo; passariam 2 minutos até o jogo ser retomado

88m – Figo combina com Nuno Gomes, ganhando mais um canto; na sequência, Maniche é apanhado em “fora de jogo”

89m – Dentro da área grega, Figo a conseguir fazer a rotação e a remata com a bola a rasar o poste, após um desvio num jogador grego, na que seria a melhor oportunidade de golo para Portugal; do canto, nada resultaria

90m – Deco a cruzar para a área, com Jorge Andrade a cabecear ao lado

94m – Paulo Ferreira a “despejar” a bola para a área grega, onde o árbitro assinala falta a Nuno Gomes; na sequência, Zagorakis a rematar de longe, com muita força, procurando afastar a bola o mais possível

95m – A Grécia é Campeã da Europa

[1479]

EURO 2004 – UMA VITÓRIA

PortugalNo dia 12 de Junho, escrevi aqui: “É claro que é importante que Portugal tenha sucesso desportivo nesta prova…”, “Mas, acima de tudo, devemos consciencializar-nos que, mais importante do que a vertente desportiva (embora não completamente dissociável), a prova que “somos obrigados a vencer” é a de mostrar ao mundo a capacidade de organização de um torneio desta dimensão, com centenas de milhares de visitantes…”.

Hoje, as palavras dos responsáveis máximos da UEFA (o seu presidente, o sueco Lennart Johansson e o Director do EURO, o suíço Martin Kallen) são a confirmação do que vivemos e sentimos ao longo destas 3 semanas; este é considerado o “melhor EURO” de sempre, com um balanço “fantástico”:

- com um “retorno” três vezes maior que o anterior
- com bons jogos de futebol, muito equilíbrio e competitividade
- com uma adesão entusiástica de todos os portugueses
- com a nossa tradicional excelente hospitalidade
- com milhares de adeptos de todos os países a confraternizar, numa grande “festa”
- com 96 % dos bilhetes vendidos (1,1 milhão de bilhetes)
- com records de audiência televisiva
- com grande fair-play
- com uma final inédita, entre dois estreantes, da qual sairá o 9º país a sagrar-se Campeão da Europa (Portugal e Grécia “já ganharam”).

No mesmo texto, finalizava assim: “Trata-se de uma oportunidade singular que, provavelmente, não se repetirá no espaço de uma geração (25/30 anos). Temos portanto de agarrá-la! PORTUGAL precisa de sentir orgulho de “si próprio” e de voltar a “ser feliz”. Vamos mobilizar-nos (todos!) e fazer do EURO 2004 uma “grande festa.!”

No balanço que é possível já fazer, é patente que fomos capazes de “agarrar a oportunidade”, de “sentir orgulho de nós próprios” e de “ser felizes”.

Ansiamos (todos) por ver a Taça de Campeões da Europa a ser entregue a Fernando Couto e Luís Figo… e, a seguir, a Rui Costa… e aos restantes 20! A “grande festa” final espera por nós logo à noite. Portugal merece esta festa!

É com grande entusiasmo que terei o prazer de nela participar “ao vivo”, no belíssimo Estádio da Luz, a partir das 19h30, vibrar, emocionar-me e libertar a alegria esfusiante que guardámos para logo.

Entretanto, a classificação deste Campeonato da Europa está praticamente definida, faltando apenas apurar o Campeão e o Vice-Campeão:

3º Holanda
3º R. Checa
5º França
6º Inglaterra
7º Suécia
8º Dinamarca
9º Itália
10º Espanha
11º Alemanha
12º Croácia
13º Rússia
14º Letónia
15º Suíça
16º Bulgária

Se as coisas correrem bem, como todos esperamos (estou a lembrar-me que Pauleta, Figo e Costinha ainda não marcaram…), provavelmente, esta página só voltará a ser actualizado já amanhã (depois da meia-noite!)…

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EURO 2004 – 1/4 FINAL – 1/2 FINAIS – FINAL

     1/4 FINAL               1/2 FINAIS              FINAL

PortugalInglaterra2-2
PortugalHolanda2-1
SuéciaHolanda0-0 Portugal-

FrançaGrécia0-1 Grécia-
GréciaR. Checa1-0
R. ChecaDinamarca3-0

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EURO 2004 – 1/2 FINAIS – GRÉCIA – R. CHECA

GréciaR. Checa1-0

E continua a fazer-se história!…

Pela primeira vez, a Final de uma grande competição internacional colocará frente a frente as mesmas equipas que participaram no jogo de abertura: Portugal e Grécia!

A Grécia que, continuando a surpreender, conseguiu travar a fulgurante caminhada da R. Checa, hoje a começar a denotar já alguns sintomas de fadiga física… e psicológica, para acabar com a grande frustração de sofrer um “golo de prata” que, na prática foi um “golo dourado”, uma vez que foi obtido em cima dos 105 minutos, portanto no termo da 1ª parte do prolongamento.

E, no entanto, os checos, “avisados” iniciaram a partida com grande fulgor: aos 3 minutos, já Rosicky rematava com estrondo, ao “ferro”… para, dois minutos depois, Jankulovski obrigar Nikopolidis a uma defesa muito “apertada”.

Mas rapidamente os gregos conseguiriam impor um ritmo que mais lhes convinha, “adormecendo” o jogo.

Apenas aos 23 minutos, Poborsky, na marcação de um livre, para a “molhada”, no centro da área, provocaria um momento de bastante confusão e algum apuro para a defesa grega.

Cinco minutos mais tarde, a Grécia criava finalmente a sua primeira oportunidade, com Cech em apuros, para “safar” o golo.

Aos 32 minutos, Jankulovski, a fazer uma grande partida, obrigava novamente Nikopolidis a “aplicar-se”.

Mais três minutos, e um rude golpe para a R. Checa: Nedved lesionava-se com (aparente) gravidade, ainda tentou aguentar-se em campo até aos 40 minutos, altura em que teria de ser substituído, deixando a sua equipa bastante perturbada. Ainda assim, seria mais uma vez Jankulovski, do “meio da rua”, a tentar explorar o adiantamento do guarda-redes grego, já a fechar a primeira parte, aos 43 minutos.

A R. Checa pareceu entrar mais “retraída” no segundo tempo, o que os gregos, percebendo esse “receio”, logo aproveitaram para começar a “tentar a sua sorte”.

O encontro decorreria em toada repartida, sobretudo disputado na zona intermediária do terreno, com os gregos a conseguirem afastar o jogo da sua área; por volta das 65 minutos, era bem patente a apreensão dos checos nas bancadas… e no “banco”, ao mesmo tempo que os gregos começavam a “fazer a festa”, numa altura em que Vryzas cabeceava perigosamente, embora para as mãos de Cech.

Aos 68 minutos, de forma algo fortuita, Poborsky quase surpreendia Nikopolidis com um “balão” a fazer lembrar o “chapéu” com que eliminara Portugal em 1996.

Mas é notório que os checos parecem “perder gás”, começando a faltar-lhe a frescura física.

Ainda assim, aos 80 minutos, na melhor jogada da partida, Koller desperdiça inacreditavelmente o golo, com a bola a saír a “rasar” o poste. E, três minutos depois, já em contra-ataque, uma excelente iniciativa individual de Baros, leva a bola a saír novamente muito próximo do poste. Seria o “canto do cisne” checo…

Aos 91 minutos (penúltimo minuto de jogo), numa das raras vezes em que a Grécia chegou “lá à frente”, criava uma situação de bastante perigo. Pouco depois, terminava o tempo regulamentar; pela primeira vez neste Campeonato, a R. Checa não ganhava o encontro!

No prolongamento, a condição física da Grécia “viria ao de cima”; a R. Checa, depois de uma prova bastante intensa, de futebol muito positivo, correndo riscos, “dando a volta” a três resultados desfavoráveis, parecia fraquejar.

Aos 93 minutos, Giannakopoulos obrigava Cech à defesa da noite, a saír da baliza, em antecipação ao cabeceamento adversário; para, logo no minuto seguinte, o mesmo jogador ameaçar novamente a baliza checa.

Parecia começar a adivinhar-se o desempate por penalties; até que, aos 102 minutos, surgia o “pré-aviso”: livre marcado por Tsiartas (de muito longe), surginda Dellas a desviar na área, para mais uma defesa espectacular de Cech.

Aos 105 minutos, o “golo de prata”: na sequência de um canto, Dellas, de cabeça, ao primeiro poste, a antecipar-se a toda a defesa checa. Era a grande festa grega! Segundos depois, Collina apitava para o termo da partida. A Grécia garantia a presença na final, com Portugal.

Os checos, absolutamente impotentes, incrédulos, viam escapar esta magnífica oprtunidade. Depois de uma brilhante carreira na prova, “coroada” com 4 vitórias em 4 jogos, com um futebol “total” muito positivo e ofensivo, a R. Checa “claudicava” fisicamente, depois de ter dado mostras de fraquejar também psicologicamente, a partir do momento em que começou a “recear” a surpresa grega.

Mais uma vez, sem proporcionar espectáculo (tal como no jogo com a França), os gregos conseguiam ser eficazes, superando todas as suas (melhores) expectativas. O seu percurso na prova está cumprido; desejamos todos que o futebol positivo que Portugal mostrou nesta prova saia vencedor, consagrando a melhor equipa deste Europeu.

Grécia Antonis Nikopolidis, Giourkas Seitaridis, Traianos Dellas, Mihalis Kapsis, Costas Katsouranis, Panagiotis Fyssas, Angelos Basinas (71m – Stelios Giannakopoulos), Theodoros Zagorakis, Georgios Karagounis, Zisis Vryzas (90m – Vassilis Tsiartas), Angelos Charisteas

R. Checa Petr Cech, Zdenek Grygera, Tomas Ujfalusi, René Bolf, Marek Jankulovski, Tomas Galasek, Karel Poborsky, Tomas Rosicky, Pavel Nedved (40m – Vladimir Smicer), Milan Baros, Jan Koller

1-0 – Dellas – 105m

“Melhor em campo” – Dellas (Grécia)

Amarelos – Seitaridis (22m), Charisteas (69m) e Karagounis (87m); Galasek (48m), Smicer (54m) e Baros (102m)

Árbitro – Pierluigi Collina (Itália)

Estádio do Dragão – Porto (19h45)

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EURO 2004 – ESTAMOS NA FINAL!

A BolaPúblicoL'ÉquipeRecord

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EURO 2004 – 1/4 FINAL – 1/2 FINAIS – FINAL

     1/4 FINAL               1/2 FINAIS              FINAL

PortugalInglaterra2-2
PortugalHolanda2-1
SuéciaHolanda0-0 Portugal-

FrançaGrécia0-1 Vencedor do Grécia-R. Checa-
GréciaR. Checa
R. ChecaDinamarca3-0

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EURO 2004 – 1/2 FINAIS – PORTUGAL – HOLANDA

PortugalHolanda2-1

Já estamos a “fazer História”!

Neste preciso momento, tudo parece ainda algo “irreal”; precisamos de algum tempo para interiorizar o que tem vindo a acontecer nas últimas duas semanas.

Agora mesmo, são lindas as imagens que nos chegam em directo, com a Av. da Liberdade repleta de portugueses em festa, munidos de milhares de bandeiras de Portugal, num prolongamento da grande festa iniciada no Estádio José Alvalade com esta brilhante vitória portuguesa frente a uma das selecções mais fortes do Mundo.

Portugal pareceu disposto a entrar em campo com uma estratégia de ataque organizado, de forma continuada, com a Holanda a lançar bolas em profundidade.

As equipas denotavam algum receio mútuo; no primeiro quarto de hora, o ritmo do jogo ia sendo progressivamente “adormecido” pelos holandeses; Portugal que controlara na fase inicial do jogo, permitiria o reequilíbrio.

À passagem dos 20 minutos, o ritmo decaíra bastante; ninguém parecia estar disposto a arriscar, fazendo-se sentir o peso da responsabilidade de uma partida que daria acesso à Final; o jogo era muito táctico.

Até que, num momento de magia, Portugal chega ao golo! Nos 5 minutos seguintes, a Holanda tem uma forte reacção, com duas ocasiões de muito perigo, num excelente jogo de Davids, a transportar a sua equipa para a frente.

Portugal tenta aproveitar o contra-ataque, mas Pauleta permite que van der Sar evite o segundo golo.

O árbitro, bastante permissivo, não assinala faltas a favor de Portugal, com Deco a ser muito castigado.

Figo vai tentando pautar o jogo, na sua melhor partida neste Campeonato.

A segunda parte inicia-se numa toada “morna”, até que, por volta dos 10 minutos, Portugal começa a criar oportunidades, chegando ao golo, em novo momento “mágico” de Maniche, super-confiante, sempre a arriscar o remate à baliza.

Pedia-se então à equipa que não se deslumbrasse… com a Final ali “mesmo à mão”. Até que, num lance relativamente ocasional, um momento infeliz de Jorge Andrade daria o golo à Holanda (o 3º golo “oferecido” aos adversários, depois de Paulo Ferreira e Costinha).

Portugal teria ainda de sofrer bastante; passou, no imediato, 5 minutos de grande dificuldade, até à entrada de Petit; outras substituições e alguns cartões amarelos quebrariam o ritmo do jogo, e a Holanda só conseguiria pressionar novamente nos últimos minutos da partida, altura em que Portugal (tal como no jogo frente à Inglaterra) desperdiçaria ainda oportunidades para elevar o marcador.

Foi um jogo menos exuberante de Portugal, quando comparado com os dois anteriores, mas a Holanda também pareceu uma equipa bastante mais perigosa, com um ataque muito forte e que foi sendo sucessivamente reforçado à medida que o jogo se aproximava do fim.

Ainda assim, e não obstante o domínio bastante repartido, uma vitória justa, com Portugal a “fazer história”, alcançando o que nunca tinha conseguido: a presença na FINAL da mais importante competição de futebol da Europa.

Uma vitória que é fruto de uma equipa que foi sendo construída e reforçada na sequência da derrota do primeiro jogo, com grande mérito (e alguma “estrelinha”) de Scolari (feliz nas substituições em vários jogos); uma equipa que foi capaz de se ir unindo, de ir ganhando auto-confiança e de criar um clima de “intercâmbio” com os adeptos, num ciclo “virtuoso”, em que a equipa vai “puxando” pelos adeptos e estes vão “puxando” pela equipa, que sempre tem retribuído com fantásticas vitórias, de que só podemos sentir um grande orgulho.

O grande sonho está agora a 90 minutos de distância. Que magnífica alegria seria a vitória portuguesa no Domingo. VAMOS ACREDITAR!

Portugal Ricardo, Miguel, Ricardo Carvalho, Jorge Andrade, Nuno Valente, Costinha, Figo, Maniche (87m – Fernando Couto), Deco, Cristiano Ronaldo (67m – Petit), Pauleta (75m – Nuno Gomes)

Holanda Edwin van der Sar, Michael Reiziger, Jaap Stam, Wilfred Bouma (55m – Rafael van der Vaart), Giovanni van Bronckhorst, Philip Cocu, Clarence Seedorf, Edgar Davids, Marc Overmars (45m – Roy Makaay), Arjen Robben (81m – Pierre van Hooijdonk), Ruud van Nistelrooy

1-0 – Cristiano Ronaldo – 26m
2-0 – Maniche – 57m
2-1 – Jorge Andrade (p.b.) – 62m

“Melhor em campo” – Figo (Portugal)

Amarelos – Cristiano Ronaldo (26m), Nuno Valente (43m) e Figo (89m); Overmars (38m) e Robben (70m)

Árbitro – Anders Frisk (Suécia)

Estádio José Alvalade (Alvalade XXI) – Lisboa (19h45)


“Filme do jogo”:

4m – Primeira jogada de relativo perigo, na sequência de um ataque rápido da Holanda

5m – Jorge Andrade lança em profundidade, surgindo Pauleta pela esquerda, a bola sobra para Figo, que combina com Deco, chegando novamente à zona de Pauleta que não consegue desviar de cabeça; intranquilidade de van der Sar

8m – Nistelrooy lança um “balão” para a área; defesa fácil de Ricardo

9m – Num cruzamento de Figo do lado direito, a “rasgar” a área, Cristiano Ronaldo chega uma fracção de segundo atrasado ao “desvio para o golo”

11m – Deco travado em falta, não assinalada pelo árbitro; na resposta, Cocu a rematar cruzado, de fora da área, ao lado, mas não muito afastado da baliza

18m – Figo percorre todo o “corredor” esquerdo, centra atrasado para Cristiano Ronaldo, que remata fraco e à figura de van der Sar

22m – Os holandeses dominam a bola na área portuguesa, mas aparece Ricardo Carvalho a “dobrar” bem Jorge Andrade

24m – Figo faz nova investida rápida pelo “corredor” esquerdo, colocando a defesa holandesa “em sentido”, mas Pauleta não consegue controlar a bola, deixando-se antecipar pela defesa

25m – Agora é Cristiano Ronaldo que faz “sofrer” Reiziger, sempre pela ala esquerda do ataque de Portugal; ganha o primeiro canto da partida

26m – Deco marca o canto, colocando a bola “milimetricamente” na cabeça de Cristiano Ronaldo que, aproveitando a sua estatura marca o primeiro GOLO de Portugal

28m – Ricardo Carvalho “salva” na área, de cabeça, mas a bola sobra para Overmars que, sozinho, do lado direito, “enche o pé”, rematando “para as nuvens”, com a baliza completamente à disposição

30m – Davids “senta” Miguel no chão, cruza para o centro da área, onde Seedorf salta com a defesa, ganhando o canto, que Ricardo afasta a soco

33m – Figo ganha o canto do lado direito; marca curto para Deco, que lhe devolve a bola, resultando num centro-remate para as mãos de van der Sar

35m – Deco ganha a bola no meio campo, passa a Maniche, que cruza para Pauleta que, sozinho na área, remata para a “defesa da noite” de van der Sar; Portugal insiste no ataque e ganha mais um canto

38m – Dois holandeses a anteciparem-se na área portuguesa, a bola a ser introduzida na baliza, mas em posição de fora-de-jogo

40m – O árbitro “perdoa” o segundo amarelo a Overmars, em falta sobre Nuno Valente

41m – Jogada fantástica de Figo, com um fenomenal remate em arco, a embater estrondosamente no poste

42m – Livre perigoso para a Holanda; Robben marca e Stam cabeceia ao lado

44m – Figo, mais uma vez pelo lado esquerdo, cruza para a área; mais uma vez, Pauleta não chega à bola; na sequência, Maniche remata de longe, por cima

45m – Bouma agarra Pauleta; livre perigoso; Deco remata forte, mas contra a barreira

46m – Portugal entra bem na segunda parte, ganhando mais um canto

53m – Contra-ataque rápido iniciado por Deco, que coloca em Figo, que remata bastante ao lado

54m – Um pontapé longo de Ricardo, a isolar Pauleta que, “cara a cara” com van der Sar, remata forte, mas à figura. Na resposta, a Holanda ganha o canto, com Portugal a sentir muitas dificuldades para aliviar

56m – Deco ganha mais um canto, desta vez do lado direito

57m – Novo canto, ganho por Cristiano Ronaldo do lado esquerdo do ataque; Deco marca curto para Maniche fazer um “GOLAÇO“!… num remate em “banana”, “gigante”, para o poste mais afastado

59m – Figo ganha novo canto

61m – Seedorf remata forte, ao lado

62m – Cruzamento do lado esquerdo do ataque holandês, Jorge Andrade intercepta a bola, procurando evitar que chegasse a van Nistelrooy, mas o desvio trai Ricardo: auto-golo

65m – Livre perigoso para a Holanda, com dois holandeses na área, a chegar ligeiramente atrasados ao desvio para a baliza

68m – Portugal ganha um livre; Deco remata novamente contra a barreira

70m – Jorge Andrade salta mal com van Nistelrooy, mas surge Nuno Valente, a “obrigar” o holandês a fazer falta

74m – van Nistelrooy atinge Ricardo com um pontapé; um árbitro mais rigoroso expulsá-lo-ia

77m – Miguel vai à linha de fundo, assiste Nuno Gomes, mas o remate sai contra o defesa holandês

81m – van Nistelrooy assiste van der Vaart, mas Ricardo antecipa-se

88m – Remate perigoso, com Ricardo a defender

91m – O árbitro marca falta à entrada da área; van Hooijdonk remata contra a barreira

94m – Deco surge isolado frente a van der Sar, mas falha “clamorosamente” o 3-1. O árbitro apita: PORTUGAL ESTÁ NA FINAL!

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