Leonel Vicente
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Memória Virtual via e-mail


Archive for the ‘"Blogosfera" em 2004’


“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXV)

A 27 de Outubro, a “blogosfera” é “sacudida” com o caso “Do Portugal Profundo“, com a Polícia Judiciária a confiscar o computador do autor do “blogue” por alegada quebra do sigilo judicial a propósito do caso de pedofilia na Casa Pia, conforme relatado em artigo do Correio da Manhã:

“Casa Pia – PJ confisca computador a autor de blogue

PORTUGAL PROIBIDO

Eram 7h00 quando dois agentes da Polícia Judiciária (PJ) de Leiria, acompanhados por um procurador adjunto do Ministério Público (MP), bateram à porta de António Caldeira, autor do blogue ‘Do Portugal Profundo’. Um caso de “censura” e “tentativa de intimidação”, considera o professor universitário de Alcobaça, que tem divulgado na internet pormenores do processo Casa Pia.

“Eles entraram e apreenderam disquetes, CD e o meu computador. Fizeram isso também em casa da minha mãe, de onde levaram um computador que eu já não usava há dez anos”, contou Caldeira ao CM. O professor de Marketing terá sido constituído arguido do crime de desobediência, por ter desrespeitados os autos que proibiram a reprodução das peças processuais ou documentos incorporados no processo Casa Pia. “Sou notificado de desobediência, mas isso pressupõe que eu conhecesse os autos. Como podem eles ter a certeza disso?”Caldeira terá também sido sujeito a termo de identidade e residência.

ENTRE A BÉLGICA E A ITÁLIA

António Caldeira não tem dúvidas: “há uma rede pedófila de controlo do Estado a tentar silenciar o meu blogue e intimidar a minha acção”, considera, dizendo ter sido essa rede a fazer a denúncia que motivou o MP.

O blogue ‘Do Portugal Profundo’ nasceu há mais de um ano como um ‘site’ generalista, e a dada altura passou a dar grande atenção ao processo Casa Pia. “Tomei conhecimento de que a questão era equivalente ao escândalo de pedofilia da Bélgica, só que mais grave. A rede pedófila é semelhante à Máfia de Itália, com a diferença de que ainda não fez mortos”, diz o professor. “Escrevo em nome do País e da democracia. Move-me a necessidade de limpeza do Estado desta rede pedófila.”

Apesar daquilo que considera ser uma “tentativa de intimidação e limitação da liberdade de expressão”, António Caldeira promete continuar a alimentar o seu blogue, que continua activo no endereço http://doportugalprofundo.blogspot.com. “Enquanto eu puder, no cumprimento da lei, continuarei a falar do que acho importante”.

Contactado pelo CM, Jorge van Krieken, autor do ‘site’ ‘ReporterX’, que também publica informação de cariz semelhante, não quis revelar se alguma vez foi alvo de acções do MP. “Não vou prestar quaisquer declarações ao vosso jornal”, disse.

AINDA NO AR

Na sua mensagem mais recente o blogue ‘Do Portugal Profundo’ publica na íntegra o relatório do Serviço de Informações e Segurança (SIS), concluído em 1999, intitulado ‘A Pedofilia em Portugal: ponto da Situação’. “Este documento, apresentado no Conselho de Informações e Segurança, foi transmitido à Polícia Judiciária e motivou a investigação consequente”, explica Caldeira. O ‘site’ nunca divulgou os nomes das vítimas.”

Rodrigo de Matos

[1904]

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXIV)

A 11 de Outubro, a blogosfera vive mais um episódio caricato, com um “blogue” de um deputado madeirense, instalado na plataforma de “blogues” disponibilizada pela Assembleia da República – com a curiosa denominação de “Os cães ladram e a caravana passa” -, que, num tom algo polémico, parecia deixar antever tendências separatistas. O episódio ficaria por aí, dado que o “blogue” teria uma vida muito efémera, de poucos dias (ver “entradas” de Paulo Querido, de Paulo Gorjão e do deputado José Magalhães).

A 15 de Outubro, numa iniciativa de Nuno Peralta e Rui Branco, é lançado um repto – em primeira análise à comunidade “bloguística”, mas extensível a todos os portugueses – o de encontrar uma “alternativa ao bloco central“:

“Queremos uma Alternativa Real ao Bloco Central. Acreditamos na liberdade. Na liberdade de expressão. Na liberdade de iniciativa. Mas também defendemos a responsabilidade. E defendemos que quem clama por direitos não se pode esquecer dos seus deveres. Não há por aí mais gente desiludida com os partidos de poder, que se posicione ideologicamente ao centro, interessada em criar um movimento político que condicione o actual “bloco central”? Alguém que se preocupe com o futuro do país e que queira fazer algo, levar avante as reformas necessárias, sem objectivos de carreirismo partidário? Como fazer? Vamos a ver.”

[1902]

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXIII)

A 6 de Outubro, dá-se o “Caso Marcelo“, com a suspensão dos comentários de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, devido a alegadas pressões sofridas, também na sequência de críticas do Ministro dos Assuntos Parlamentares ao formato da sua intervenção televisiva, “sem contraditório”.

A blogosfera – como sempre – reagiu de imediato (conforme destacado em artigo de Cristina Bernardo Silva no “Expresso” online – ver em “entrada estendida”):

- Causa Nossa“Factos: a) Um Ministro condena duramente o comentário político dominical de MRS na TVI; b) O visado reserva-se o direito de responder no próximo programa; c) Depois de uma conversa com o proprietário da estação, por inicitiva deste, MSR anuncia a imediata cessação do seu programa; d) MRS não dá explicações para esta súbita decisão, dizendo somente que durante mais de quatro anos sempre pôde conceber e executar “livremente” o seu programa, deixando entender que essa liberdade teria deixado de existir. As perguntas são óbvias: (i) O que é que Paes do Amaral disse a MRS, para forçar este a abandonar o programa, que claramente fazia com inexcedível gozo? (ii) O que é que levou Paes do Amaral a provocar o fim de um programa que evidentemente trazia enormes vantagens à estação? (iii) O que é que o Governo teve a ver com isso?”

- Tugir“Deduz-se, do nevoeiro ainda envolto nesta rescisão de serviços, que há dedo do Governo e que um canal de televisão cedeu ao poder político.”

- Bloguitica (“entrada” nº 1988, a 06.10.04) – “Em poucas linhas, Marcelo Rebelo de Sousa sai da TVI fazendo estragos demolidores. Em primeiro lugar, o comentador dominical da TVI deixa bem claro que Paes do Amaral vergou perante as pressões de Pedro Santana Lopes. O presidente da Media Capital solicitou uma conversa com Marcelo Rebelo de Sousa que não foi certamente para discutir fait-divers. Em segundo lugar, Marcelo Rebelo de Sousa deixa bem claro que sempre comentou livremente na TVI. Infere-se das suas palavras que agora não o poderá continuar a fazer, precisamente devido à interferência de Paes do Amaral e de… Santana Lopes!”

- Barnabé“O que se passou hoje – o afastamento de Marcelo da TVI – foi o caso mais grave de censura em Portugal desde os tempos revolucionários. [...] Um ministro atacou agressivamente um comentador e exigiu que a Alta-autoridade agisse sobre esse comentador. O patrão da Media Capital chamou esse comentador para uma conversa. Esse comentador demitiu-se e já nem sequer faz o seu próximo comentário, onde em princípio responderia ao ataque do ministro.”

- Blogue de Esquerda“Respondendo às perguntas dos jornalistas, há pouco mais de 10 minutos, Santana Lopes não evitou os mais eloquentes sinais de embaraço, quando confrontado com o affaire Marcelo. Ou seja, o que começou por ser um simples tiro no pé, ameaça transformar-se agora numa ameaçadora gangrena política, de consequências imprevisíveis. Pior: em vez de encarar com frontalidade o problema, esclarecendo o que fosse passível de explicação (se é que existe explicação para um cada vez mais evidente caso de pressão política censória), o primeiro-ministro limitou-se, na sua conferência de imprensa, a ensaiar desajeitadíssimas manobras de fuga à responsabilidade que lhe cabe, inteira, nesta barafunda.”

- Abrupto (“Rigorosos e especiosos” – 07.10.04) – “Em qualquer democracia o que ele fez são pressões. São pressões para Marcelo, são pressões para a Media Capital, são pressões para a AACS, são pressões para toda a gente…”

- Blasfémias“Ver ou não ver, gostar ou não gostar dos comentários de Marcelo Rebelo de Sousa é completamente indiferente. O Governo PSD/PP utilizou a pressão política e económica para silenciar alguém que é incómodo ao poder. É grave e muito preocupante.”

- Mar Salgado“O jogo mudou. Marcelo beneficia de efeitos conhecidos de há meio-século em Psicologia Social no campo da mudança de atitudes: o da “credibilidade da fonte ” e o da “confiança da fonte”. [...] Se a isto acrescentarmos o poder da simplificação da mensagem televisiva e a ausência de anti-corpos críticos na massa de indivíduos que julgavam receber um banho de cultura semanal do Prof. Marcelo, compreende-se o pânico do Governo. É humano.”
(mais…)

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXII)

A 3 de Outubro, a propósito do papel da blogosfera como fonte noticiosa – um tema que voltou a estar na “agenda” nos últimos dias (e, novamente, por via de artigos no jornal “Público”, “baseados em entradas de blogues”) -, Joaquim Furtado apresentava em “A coluna do provedor”, precisamente no “Público”, um interessante texto, “Contar com os blogues”, em que refere nomeadamente:

“[...] há dois ou três anos, se quisesse prestar o seu testemunho, Rogério Santos teria escrito para o provedor, ou para o jornal e aguardaria que os critérios destes divulgassem o seu contributo. Hoje, em vez desse caminho “tradicional”, escolheu intervir através de um veículo que lhe garante automaticamente a difusão da mensagem: a blogosfera, esse novo mundo que habita o mundo novo que é a Internet e que, cada vez mais se apresenta como incontornável aos “velhos” mundos da comunicação.

Dos efeitos da sua vitalidade crescente começa a haver todo o tipo de exemplos, quer no estrangeiro quer em Portugal, obrigando a reflexões e análises de que é exemplo recente, um texto da autoria de José Pacheco Pereira.

Afirma o colunista: “Os jornalistas, principalmente da imprensa escrita, vão hoje buscar imensa coisa aos blogues, umas vezes citam, outras não, e os leitores dos jornais desconhecem a importância dessa contribuição. Ainda recentemente uma notícia de primeira página do PÚBLICO teve origem num blogue. O jornal demorou uns dias a referir a fonte, mas depois fê-lo quando por todo o lado na blogosfera havia protestos. Num blogue, essa ausência de citação seria impossível porque a cultura do hipertexto torna a citação do outro um elemento identitário da blogosfera”.”

Há 1 ano no Memória Virtual – “Blogues no Sapo”

[1896]

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXI)

A 18 de Setembro, numa organização de Zecatelhado, realizou-se mais um grande jantar reunindo um conjunto alargado de “bloguistas”, retratado em diversas “entradas” publicadas no dia 21 de Setembro) pela Maria.

A partir de estudo realizado no âmbito de Tese de Licenciatura em Comunicação Social, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Joana Baptista apresentava em “blogue“, a sua metodologia de trabalho, hipóteses de reflexão e primeiras conclusões de inquérito realizado a alguns “bloggers”:

“Este estudo não pretende de todo ser um ponto de chegada, mas antes o início de um longo caminho a explorar em investigações futuras. De facto, trata-se de um fenómeno ainda pouco aprofundado, pelo que a informação e bibliografia disponíveis se revelaram escassas ao longo da investigação. Esta foi talvez a maior dificuldade que sentimos. No entanto, essa dificuldade foi amenizada pela sensação de descoberta e pela brilhante colaboração dos utilizadores da blogosfera. A sua empatia pelos blogues e a sua disponibilidade impulsionaram a nossa dedicação a este projecto”.

[1894]

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XX)

A 16 de Setembro, no “Público”, Pacheco Pereira apresentava um novo balanço da “blogosfera”:

Media-esfera, Blogosfera e Atmosfera
Por JOSÉ PACHECO PEREIRA
Quinta-feira, 16 de Setembro de 2004

“Há cerca de um ano, escrevi sobre os blogues no PÚBLICO, coincidindo com a sua descoberta por um público mais vasto. Houve, em seguida, o habitual surto de breve fama, centenas de blogues foram criados e dezenas de artigos mais ou menos apressados, mais ou menos informados, foram publicados. Tudo quanto era órgão de comunicação social publicou pelo menos um artigo sobre os blogues. Depois os blogues passaram de moda, muitos dos blogues criados desapareceram, embora a “audiência” global dos blogues tenha aumentado significativamente, mantendo-se esse efeito até hoje. É altura de fazer um balanço deste novo tipo de publicação electrónica.

A blogosfera portuguesa mudou muito durante este ano, deixou de ser constituída por um pequeno grupo pioneiro, que a usava quase como um “espaço íntimo”, para se tornar, de um dia para o outro (a rapidez é uma característica do meio), mais agressiva, politizada no mau sentido, ressentida e implicativa. Mas essa fase também já passou e o melhor dos primeiros tempos “íntimos” e o melhor da fase de democratização da blogosfera permaneceram. Cerca de 20 a 30 blogues portugueses fornecem todos os dias novas ideias, reflexões, informações, que um cidadão avisado e culto não deve perder.”

(ver continuação em “entrada” estendida)

Há 1 ano no Memória Virtual – “Almoços grátis”
(mais…)

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XIX)

De 12 de Junho a 4 de Julho, decorreu em Portugal a maior organização alguma vez levada a cabo no nosso país, o Campeonato da Europa de Futebol; 3 semanas em que o país se mobilizou, voltou a sentir orgulho de si próprio, reganhando a sua auto-estima, com milhares de bandeiras de Portugal desfraldadas ao vento.

Perdoe-se-me a imodéstia de incluir o Memória Virtual nesta resenha da “blogosfera” em 2004, mas não tenho conhecimento de uma cobertura tão ampla e exaustiva como a que aqui foi apresentada e que agora tenho o prazer de recordar.

A 22 de Julho, é a vez de Manuel Alegre lançar o seu “blogue” associado à candidatura ao cargo de Secretário-Geral do Partido Socialista.

A 1 de Agosto, os “blogues políticos” (Abrupto / Barnabé / Causa Nossa) são objecto de destaque no Telejornal da RTP1.

A 17 de Agosto, tem o início o Gávea, um “blogue” de dois portugueses (Francisco José Viegas e Pedro Mexia) sobre literatura brasileira:

“O Gávea Blog será um site dedicado à literatura brasileira, mantido por dois portugueses que gostam, intermitentemente, do Brasil ou da literatura do Brasil.”

A 1 de Setembro, Jorge van Krieken ameaça a Grande Loja do Queijo Limiano com uma queixa-crime por alegada “difamação e calúnia grave” – a propósito desta “entrada”, relacionada com o caso de pedofilia na Casa Pia.

No dia seguinte, Luis Ene propõe, no Ene Coisas, uma “antologia de blogues”, projecto ainda em standby.

Há 1 ano no Memória Virtual – Novos membros da União Europeia – Letónia

[1890]