Leonel Vicente
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Archive for the ‘2003 - Ano dos "Blogues"’


2003 – ANO DOS “BLOGUES” (XV)

Em 19 de Junho, Pacheco Pereira volta a tratar o tema “blogues” na sua coluna no “Público”:

«Seja como for, a comunicação na esfera pública ganhou com os blogues. Ainda não tem uma massa crítica estável, mas já tem uma massa crítica instável. É um mundo efervescente, com nascimentos e mortes todos os dias, com um mercado rude de influência e opinião, de relações de poder e guerras intestinas, digno da “mão invisível” de Adam Smith ou de Florença e Veneza dos bons tempos dos Medici e dos Pazzi. Às vezes espreme-se tudo num dia e fica pouca coisa, mas o que fica é bom e fica sempre alguma coisa. O mesmo se passa com o resto da comunicação social – também, quando se espreme, às vezes não fica quase nada. Por isso, os blogues somam».

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2003 – ANO DOS “BLOGUES” (XIV)

Também no dia 18, Pedro Mexia é o primeiro dos membros de “A Coluna Infame” a retomar um “blogue” (uma semana depois do encerramento do anterior), o “Dicionário do Diabo“: «Aqui se escreverá sobre política, artes e letras, comportamentos. Haverá diálogos com os leitores. Umas quantas polémicas serão inevitáveis. E não recuso uma boa dose de pura escrita diarística, cujo conceito também se discutirá nesta página».

Seguiu-se-lhe de imediato Pedro Lomba, a 20 de Junho, com o Flor de Obsessão.

No mesmo dia, nasceu também o Socio[B]logue, de João L. Nogueira - “Diário de campo: observações, reflexões e interrogações sociológicas”, introduzindo o estudo sociológico na blogosfera, uma visita obrigatória para uma melhor compreensão do “fenómeno”.

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2003 – ANO DOS “BLOGUES” (XIII)

A 18 de Junho, os “blogues” chegavam à rádio, pela mão de Francisco José Viegas, na Antena 1, no programa “Escrita em Dia”, num debate com a participação de José Mário Silva (do Blog de Esquerda), Nuno Costa Santos (do Desejo Casar), Pedro Lomba (ex-A Coluna Infame) e Pedro Mexia (Dicionário do Diabo).

Nuno Costa Santos começou por afirmar ser um “novo-rico da blogosfera”, dada a recente chegada, enquanto Pedro Lomba divulgou o seu novo “blogue” e Pedro Mexia anunciou o Dicionário do Diabo, com maior abrangência para além do campo político.

Francisco José Viegas lançou a questão colocada pelo Abrupto sobre o “umbiguismo na blogosfera”, tendo José Mário Silva defendido que os «blogues são um media alternativo, são diários…. e que se trata de “blogues de personalidades”»

Pedro Lomba relativizou a importância do fenómeno: “A Coluna tinha 500 ou 700 leitores diários, não é importante…”. Não obstante, afirmou que podem ser “um incentivo para os jornais melhorarem”.

Sobre o seu papel pioneiro nos “blogues”, José Mário Silva referiu o “desprezo inicial do jornalismo clássico” perante o fenómeno, situação invertida com a chegada de muitos jornalistas, assim como a de Pacheco Pereira.

Pedro Mexia recordou o contexto do aparecimento dos “blogues políticos em Portugal, na altura da guerra do Iraque”, reflectindo posições políticas de direita ou de esquerda, num “momento muito politizado”.

José Mário Silva concluiu sublinhando ainda a «surpreendente qualidade de alguns textos editados nos “blogues.“»

P. S. Este resumo é baseado no texto de Pedro Fonseca, no Contra Factos e Argumentos, a quem devo desculpas por não ter sido expressa e previamente citado. Conforme referido na primeira entrada desta série (“2003 – Ano dos “Blogues” (0)”), de 30 de Novembro (nº 646), no levantamento de textos que apresentarei até ao final do ano, socorri-me principalmente dos blogues de António Granado (Ponto Média) e Pedro Fonseca (Contra Factos e Argumentos) -particularmente no que respeita à “pré-história da blogosfera” -, sendo também de referência obrigatória o Blog Clipping (de Elisabete Barbosa) e Metablogue (inicialmente de Joaquim Paulo Nogueira e de João L. Nogueira).

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2003 – ANO DOS “BLOGUES” (XII)

A 12 de Junho, começa o “Desejo Casar“, “blogue” colectivo formado por um alargado grupo que inclui jornalistas, arquitectos, designers, juristas, argumentistas, filósofos.

No dia seguinte, o editorial de José Manuel Fernandes no “Público” fala sobre O Fim da “Coluna” (ver texto completo em “entrada estendida”): «A “Coluna Infame” acabou. A blogosfera está mais pobre. E o país também – mesmo que a maioria nunca tenha ouvido falar nem da “Coluna”, nem da blogosfera.» E também: «A blogosfera é mais democrática, mais aberta, mais plural, mais interessante e mais rica do que os espaços de debate da maioria dos meios de comunicação tradicionais, mesmo os famosos fóruns de discussão radiofónicos (para não falar dos talk-shows televisivos). Na blogosfera reage-se à actualidade em cima da actualidade, e o comentário (ou “post”) colocado num blog gera quase de imediato uma cascata de reacções».

O texto de abertura da secção “Media” do “Público”, de 14 de Junho, lança o tema: “Warblogs” Interpelam “Medias” Convencionais, a propósito do papel que os “blogues” começavam a assumir na discussão pública da guerra do Iraque: “Nos Estados Unidos, muitos internautas manifestaram “reservas sobre a capacidade crítica dos correspondentes do seu país e procuraram fontes internacionais de notícias mais equilibradas, ao mesmo tempo que crescia a importância de fontes não convencionais, muito particularmente dos (war)blogs”, afirma José Luis Orihuela, professor de Comunicação na Universidade de Navarra”.

Entretanto, em crónica no DNA, Miguel Esteves Cardoso (que mantém o sítio denominado “Pastilhas“) escrevera: «Blogar é escrever num meio terrivelmente aberto - interactivo, instantâneo, espúrio – a partir de um momento terrivelmente particular – o eu, o ser, a alma», e, mais adiante, «A força do blogue está no facto de não haver mediações; do salto ser puro; da combustão ser total», finalizando assim: «Não espanta por isso que seja nos blogues que hoje se vê a nossa língua a saltar e a correr, a fazer das suas e das dela e das tuas e das minhas, envergonhando a prosa paralisada que hoje passa por escrita – e por português – nos nossos jornais. É belo. Belo de ver e belo de ler e belo para escrever».

A 16 de Junho, Francisco José Viegas anuncia o início da vida do Aviz para o dia seguinte, dando mais um impulso decisivo para a expansão e afirmação da blogosfera.

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2003 – ANO DOS “BLOGUES” (XI)

No início de Junho, o Blog de Esquerda (por intermédio do “convidado” Daniel Oliveira) e A Coluna Infame (na pessoa de João Pereira Coutinho) “desentendem-se”, na sequência de uma “provocação”/referência de ligação à “extrema-direita” (“entrada” de dia 5 no Blog de Esquerda), a que J. P. Coutinho respondeu em A Coluna Infame a 6 de Junho, resposta não subscrita pelos outros membros do “blogue” (ainda com “contra-resposta” de Daniel Oliveira, no mesmo dia).

Após a cisão, com a saída, no dia 7, de João Pereira Coutinho, o episódio acabaria por culminar, a 10 de Junho, na suspensão da Coluna Infame:

“A Coluna Infame termina aqui a sua jornada. Começámos em Outubro de 2002, fascinados pelo fenómeno blogger, e convencidos de que era útil travar deste modo novo o combate cultural contra a hegemonia intelectual da esquerda. Desde essa data, o número de blogs mais que duplicou, e muitos deles defendem os mesmos valores que nós. Facto inédito, a «não-esquerda» domina mesmo a blogosfera portuguesa. Paralelamente, cresceu o interesse dos media por este fenómeno. Para além de uma pequena legião de talentos anónimos, cultos e inteligentes, os blogs começaram também a atrair figuras públicas. A blogosfera (política em particular) passou a ser um assunto de conversa”.

“Por aqui passaram também as artes e as letras, as observações quotidianas, os fascínios e embirrações. E, claro, uma boa dose de polémica. Esta última foi, porém, longe demais, e não nos eximimos das nossas culpas nessa matéria. Depois dos acontecimentos recentes que levaram à cisão conhecida, entenderam os dois outros autores ser inviável prosseguir, tendo em conta os conflitos gerados, a acrimónia, e o próprio feedback negativo que recebemos. Obrigado a todos os que fizeram, de um modo ou de outro, esta Coluna, incluindo os nossos adversários (mas não inimigos)”.

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2003 – ANO DOS “BLOGUES” (X)

Em 2 de Junho, Pedro Fonseca apresenta, também no suplemento “Computadores” do “Público”, novo artigo sobre a conferência Blogtalk, realizada em Viena: “Maioria dos ‘bloggers’ ainda são info-ricos”.

Surge no Abrupto, a 3 de Junho, o que terá sido o primeiro poema em Portugal a usar a palavra “blogue”, um soneto de Vasco Graça Moura (“recusando” a solicitação para que abrisse também um “blogue”):

“Não há nada no mundo que me pague
para aqui estar. não há nada que jogue
e nada que responda ou faça blague
por eu, panteramente, estar no blog.

não há verso do rilke que me afague,
por mais que o vgm aqui dialogue
com o jpp, quer me embriague,
quer passe fome, ou me espreguice e drogue.

sou a pantera fora da internet.
passo lá por acaso. depois saio
e volto às grades onde alguém me mete.

e rujo e rosno e mordo e não me ensaio
nada nas piruetas da disquette
de apagá-la depois. só me distraio..

Haviam então começado (já desde 9 de Abril) os eventos do “É a cultura, estúpido!” (“happening” cultural organizado pelas “Produções Fictícias“); na terceira sessão, a 4 de Junho, sendo o tema “Livros de Verão”, reuniram-se alguns “bloguistas” (nomeadamente os “polemistas2 Pedro Mexia e José Mário Silva), debatendo também a situação da blogosfera, com moderação de Anabela Mota Ribeiro, fechando com o stand-up de Ricardo de Araújo Pereira. José Mário Silva fez uma analogia entre a blogosfera e os cafés de antigamente; foi também realçada a qualidade da escrita nos “blogues”.

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2003 – ANO DOS “BLOGUES” (IX)

A 9 de Maio, o “Público” (no suplemento Y) faz nova referência aos “blogues” nacionais.

A propósito da “chegada” de Pacheco Pereira, a 10 de Maio é a vez do “Diário de Notícias” abordar o tema “blogues” (ver texto de Armando Rafael em “entrada estendida”), lançando pistas para a descoberta deste “admirável mundo novo”, com sugestões de “blogues” posicionados à direita e à esquerda, humorísticos ou “literários”…

Nesta altura, o Blogs em .pt regista já mais de 400 “blogues” portugueses, subindo para 500 a 20 de Maio.

A 17 de Maio, no “Expresso”, Paulo Querido lança o tema da abertura do - até então - “mundo fechado da blogosfera” e a viragem dos “blogues” para o exterior, não só para o público da net, mas, de forma mais alargada, para o público em geral.

A 26 de Maio, no suplemento “Computadores” do “Público”, Pedro Fonseca faz o relato do que se passou no encontro “Blogtalk - European Conference on Weblogs“, em Viena, a 23 e 24 de Maio.

Ainda em Maio, o “Diário Económico” publica também um interessante e pertinente artigo sobre weblogs, da autoria de Carlota Mascarenhas, referindo que: “A política é o tema mais discutido nos “weblogs”, devido à liberdade de expressão”. Mas há também espaços de humor, por exemplo com o “Blogue dos Marretas”, onde se analisa a actualidade e o universo dos “blogs” com um tom irónico e divertido. (ver texto completo em “entrada estendida”).

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2003 – ANO DOS “BLOGUES” (VIII)

A Revista “Meios”, no seu número referente ao mês de Maio, edita um texto sob o tema: “Blogs”: o outro lado da Internet (ver o texto completo também aqui, em “entrada estendida”).

A 4 de Maio de 2003, são editados no “Público” novos artigos sobre o fenómeno dos “weblogs”, de Pedro Miguel Madeira.

No dia 6 de Maio, inicia-se o “blogue” mais mediático da “blogosfera”, o Abrupto, de Pacheco Pereira - que, para que não restassem dúvidas sobre a autoria, anunciou no dia seguinte o tema do texto que iria apresentar no “Público” a 8 de Maio.

A 7 de Maio, Carlos Pinto Coelho fala sobre os “blogues” no “Acontece” (na RTP2).

Também a 8 de Maio, nasce “O Meu Pipi“, talvez o mais famoso “blogue” português – “Blog a pisar o risco do mau gosto, mas sem o ultrapassar. Palavrões não, caralho”. Começava assim: “Tenho dois sonhos: um é instituir a paz no mundo, fazendo com que por meu intermédio os dirigentes de todos os países dêem as mãos e comecem a construir juntos um mundo melhor. O outro é dar uma foda relatada por Gabriel Alves. No primeiro não faço muita questão, mas este gostava mesmo de levar a cabo”. Estava dado o mote.

“O Meu Pipi” viria a afirmar-se com inúmeros textos (“não reproduzíveis”), tendo sempre presentes os ingredientes do sexo, humor, a par de uma vasta gama de palavrões (desde os mais “vulgares” até recuperações de “calão” há muito caído no esquecimento), sendo escrito num português de qualidade, inclusivamente com diversas referências literárias.

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2003 – ANO DOS “BLOGUES” (VII)

Em 20 de Março de 2003, Pacheco Pereira apresenta como tema na sua coluna no “Público” as discussões a propósito da guerra do Iraque, então “bem acesas” na “blogosfera” portuguesa.

A 25 de Abril, nasce o Gato Fedorento, “blogue” de humor, mantido por Ricardo Araújo Pereira, Zé Diogo Quintela, Miguel Góis e Tiago Dores (que integram a equipa das “Produções Fictícias”) – “um blog com opiniões, nenhuma das quais devidamente fundamentada”… na verdade, o grande “blogue” humorístico em Portugal (a par do “Blogue dos Marretas“).

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2003 – ANO DOS “BLOGUES” (VI)

No “Público” de 25 de Janeiro, António Granado escrevia, pela primeira vez, sobre os “blogues” de maior projecção: “A Coluna Infame” e “Blog de Esquerda“. A 28, Pedro Mexia refere a “Coluna Infame” no “Diário de Notícias”; a 30 de Janeiro, novamente no “Público”, era a vez de Eduardo Prado Coelho se referir aos “blogues”.

A 1 de Fevereiro, ainda no “Público” (suplemento “Mil Folhas”), foi Isabel Coutinho a fazer-lhes referência.

Também em Fevereiro, a 21, seria Paulo Pinto Mascarenhas, a referir-se aos “blogues”, no “Independente”.

A 23 de Fevereiro de 2003, inicia-se o Blogue dos Marretas, um dos “blogues” mais humorísticos da blogosfera, que reuniu ao “Statler” (Nuno Jerónimo) e “Waldorf” (João Canavilhas), o “Animal” (Jorge Bacelar), docentes na Universidade da Beira Interior, na Covilhã, respectivamente de Sociologia, Comunicação e Design.

Já em Março, no dia 1, José Mário Silva escrevia no suplemento DNA do “Diário de Notícias”, uma crónica sobre “blogues”, também disponível no “Escrita Automática” (ver aqui, de seguida, o texto completo em “entrada estendida”).

Em 8 de Março de 2003, nascia mais um “site” sobre webjornalismo em português, chamado webjornalismo.com, da autoria de João Canavilhas (o “Waldorf” do Blogue dos Marretas), com textos, links e notícias, “procurando juntar num único sítio alguns trabalhos que estão dispersos em sites generalistas sobre comunicação ou jornalismo”.

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2003 – ANO DOS “BLOGUES” (V)

Ainda em Janeiro de 2003, Pedro Fonseca, do ContraFactos & Argumentos, disponibilizara já uma lista de weblogs portugueses, então pouco mais que 150. O Blogs em Pt viria a listar os “blogues” criados por portugueses ou em Portugal, entre 25 de Janeiro e 2 de Julho de 2003.

A propósito, “A Coluna Infame” apresentava, a 30 de Janeiro, o seguinte texto:

“BLOGS EM PORTUGAL: Encontrámos uma listagem de blogs portugueses. Surfámos por todos eles.

Feita a ronda, constatamos que os únicos sites indispensáveis são mesmo o Ponto Média de António Granado e o Blog de Esquerda. Além destes vossos criados. Mas temos a certeza que os próximos tempos representarão um salto também qualitativo na blogosfera portuguesa. Daremos notícias”.

Surgiriam depois outros apontadores, entre os quais o Bloco-Notas (que anunciou entretanto a desactivação do serviço em 16 de Novembro, numa altura em que referenciava 2 724 “blogues”), o Blogues no Sapo, o Frescos, Blogo no Sapo, o Weblog.com.pt e, por fim (a 4 de Novembro), o Blogs.sapo.pt.

Entre 26 de Abril e 27 de Agosto, o Posto de Escuta apresentara também uma página a que chamou “Ecos da blogosfera”, a qual consistia em citações de “entradas” de diversos “blogues”.

A título de curiosidade, o grande “boom” ocorreu na semana de 30 de Junho a 7 de Julho (com 216 novos “blogues”, de acordo com a listagem do Bloco-Notas); o dia mais “produtivo” foi o de 2 de Julho (mais 96 “blogues”); o mês mais “activo” o de Julho (mais 800 “blogues”!).

Também segundo a mesma lista, dos 615 “blogues” referenciados a 18 de Junho, passou-se a 791 em 30 de Junho e a 998 a 5 de Julho; a quantidade referida a 18 de Junho foi “duplicada” em 16 de Julho (1249 “blogues”). No final de Julho, atingiam já 1591, subindo para 1878 no fim de Agosto. O número de 2000 “blogues” foi atingido a 8 de Setembro, ultrapassando-se os 2500 a 18 de Outubro.

P. S. Como refere o Carlos Antunes, nas listas do Bloco-Notas, foram sendo eliminados os “blogues” sem actividade há mais de 4 meses, não obstante continuarem online. Nesta data, o número total de “blogues” deverá rondar os 4000!

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2003 – ANO DOS “BLOGUES” (IV)

Na passagem do ano de 2002 para 2003, surgem dois novos “blogues”:

- a Íntima Fracção (em 30 de Dezembro de 2002), de Francisco Amaral, para “contar tudo o quiserem e tudo o que eu quiser – fraccionadamente e na intimidade do ciberespaço”, sobre o histórico programa de rádio com o mesmo nome; e

- a 1 de Janeiro de 2003, o Blog de Esquerda, de José Mário Silva (editor-adjunto do DNA) e do irmão Manuel Deniz Silva, nascendo “um novo espaço de pensamento e opinião… sobre política e cultura”, que viria a constituir um “contraponto” face à Coluna Infame, com quem travaram acesos debates, culminando com o episódio que originaria a suspensão desta. Conforme disse José Mário Silva: “Senti que eles tinham uma importância e uma qualidade de reflexão política muito boa e era preciso equilibrar”.

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2003 – ANO DOS “BLOGUES” (III)

Em 27 de Fevereiro de 2002, teve início o .blogue. de Elisabete Barbosa, Jornalismo Digital.

A 8 de Abril de 2002, nascia o Jornalismo e Comunicação, criado no âmbito do Mestrado em Informação e Jornalismo da Universidade do Minho.

A 15 de Outubro de 2002, seria lançada, por João Pereira Coutinho (colunista de “O Independente”, Pedro Lomba e Pedro Mexia (críticos literários do Diário de Notícias), “A Coluna Infame“, “blogue português de artes, literatura, política e ideias, para conservadores, liberais e independentes...”

Também em Outubro de 2002, Manuel Pinto, da Universidade do Minho, adoptou os “blogues” como ferramenta de trabalho, com o Aula de Jornalismo, weblog da turma de terceiro ano de Jornalismo, coordenado pelos respectivos docentes, Manuel Pinto e Sandra Marinho.

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2003 – ANO DOS “BLOGUES” (II)

Segundo uma pesquisa do jornalista António Granado (Ponto Media), alguns dos primeiros weblogs portugueses terão sido o “Altas Doses de Cafeína“, criado a 19 de Agosto de 2000; o “HiperBock“, criado a 29 de Setembro de 2000, e o “Sonhos Virtuais“, criado a 15 de Novembro de 2000; acrescenta ainda (em artigo no “Público”, de 23 de Junho) que, entre os primeiros, estariam também o “Macacos Sem Galho” (início a 30 de Março de 1999), o “Gildot.org” (início a 31 de Março de 1999), o “Dee’s Life” (início a 3 de Outubro de 1999), o “Nónio.com” (início a 15 de Agosto de 2000 e o “Velouria.org“.

Celebrando a passagem do milénio, António Granado inaugurava, em 2 de Janeiro de 2001, o Ponto Media, escrevendo:

“Se tem dúvidas sobre o que é um weblog, então vale a pena ler este artigo fresquinho (ainda que escrito no século passado) do jornal “The New York Times”: “The concept is simple enough. Create a Web page. Update it regularly with brief personal reflections or witty commentary, sprinkled with links to other pages. Put new entries at the top of the page, pushing older ones down. Voilà, you’ve got yourself a Web log.

Alguém está a ler isto?”

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2003 – ANO DOS “BLOGUES” (I)

Os weblogs (contracção de web - “rede” - e log - “diário de bordo”) são páginas na Internet, regularmente actualizadas, com ligações a artigos noutras páginas da web, frequentemente com comentários. Os textos são, em regra, datados, sendo geralmente apresentados por ordem cronológica inversa, dos mais recentes para os mais antigos.

O primeiro weblog foi o primeiro website: http://info.cern.ch, o sítio construído em 1992 por Tim Berners-Lee (criador da HTML - linguagem que permite a navegação por hipertexto e que abriu a World Wide Web) no CERN, cujo conteúdo se encontra arquivado no World Wide Web Consortium.

Seguiu-se a página What’s New de NCSA, até que surgiu a página What’s New na Netscape, o “grande blogue” do período de 1993 a 1996. Deu-se então a “explosão” da Internet e, com ela, dos “blogues”.

Dave Winer, hoje considerado o pai dos “blogues”, criou o seu primeiro weblog em Fevereiro de 1996, como parte do website do “24 Hours of Democracy“; em Abril de 1996, iniciou uma news page, que se tornaria, em 1 de Abril de 1997, no Scripting News, um dos primeiros “blogues” de sempre e actualmente o mais antigo na Internet.

Outros weblogs percursores foram os de Robot Wisdom, Tomalak’s Realm e CamWorld.

Como assinalou António Granado (no “Público” de 23 de Junho deste ano), foi contudo preciso esperar ainda dois anos para que as coisas tomassem um rumo nunca antes esperado. A 23 de Agosto de 1999, foi criado o Blogger.com, uma ferramenta gratuita para criação de weblogs, que revolucionou a edição de textos na Web. Em 3 de Setembro de 2000, a Pyra criou o Blogspot.com, um “site” que aloja gratuitamente milhares de weblogs, em troca de anúncios colocados no topo das páginas. O sucesso foi tal que, em pouco mais de dois meses (a 7 de Novembro de 2000), o Blogspot viu nascer o seu 10.000º blog. No final de Junho, o Blogger anunciava ter mais de 1,5 milhões de utilizadores registados, ainda que muitos weblogs não tivessem mais do que alguns “posts”, ou tenham sido abandonados há muito.

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2003 – ANO DOS “BLOGUES” (0)

Escreveu Pacheco Pereira no “Público” (em 17 de Julho, a propósito do “Arquivo da Internet”, referindo que “A blogosfera devia ter um “depósito obrigatório” imediato”):

«Os blogues, enquanto formas individualizadas de expressão, originais e únicas, são uma voz imprescindível para se compreender o país em 2003. Eles expressam um mundo etário, social, comunicacional, cultural, político que, sendo uma continuação do mundo exterior, tem elementos “sui generis”».

2003 é portanto o ano da “definitiva” afirmação deste “fenómeno”, cujos “primeiros passos” haviam sido dados já, essencialmente, em 2002.

Ao longo do próximo mês, diariamente, apresentarei: por um lado, resumo de alguns dos principais passos da evolução registada por este “admirável mundo novo” e, por outro (cronologicamente, por ordem de “entrada em cena”), o “1º post” de alguns dos “blogues” que entretanto alcançaram maior reconhecimento - a “apresentação” de cada um deles, dizendo “ao que vinham”… “subsídio” para uma “pequena história” da blogosfera.

A começar, como “pontapé de saída”: a origem dos “blogues” no mundo, a par do texto de abertura daqueles que foram os primeiros grandes impulsionadores da “blogosfera nacional” - A Coluna Infame - “blogue” entretanto suspenso em Junho de 2003, mas “substituído” por três páginas individuais de cada um dos seus membros (Pedro Mexia, Pedro Lomba e João Pereira Coutinho) - será aliás com o último deles a regressar à “blogosfera” que se completará esta viagem, fechando-se então, a 31.12.2003, o ciclo que agora se abre.

P. S. No levantamento de textos que apresentarei até ao final do ano, socorri-me principalmente dos blogues de António Granado (Ponto Média) e Pedro Fonseca (Contra Factos e Argumentos) - particularmente no que respeita à “pré-história da blogosfera” -, sendo também de referência obrigatória o Blog Clipping (de Elisabete Barbosa) e Metablogue (inicialmente de Joaquim Paulo Nogueira e de João L. Nogueira).

[646]

2003 – ANO DOS “BLOGUES”

Escreveu Pacheco Pereira no “Público” (em Julho, a propósito do “Arquivo da Internet”, referindo que “A blogosfera devia ter um “depósito obrigatório” imediato”):

«Os blogues, enquanto formas individualizadas de expressão, originais e únicas, são uma voz imprescindível para se compreender o país em 2003. Eles expressam um mundo etário, social, comunicacional, cultural, político que, sendo uma continuação do mundo exterior, tem elementos “sui generis”».

A partir de Domingo, pretendo iniciar a apresentação de uma série de textos – a editar, diariamente, até ao fim do mês de Dezembro – com um pequeno “subsídio” para a “história da blogosfera em Portugal”.

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