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	<title>Memória Virtual &#187; 2003 &#8211; Ano dos &#8220;Blogues&#8221;</title>
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		<title>2003 &#8211; ANO DOS &#8220;BLOGUES&#8221; &#8211; AGRADECIMENTOS</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Dec 2003 17:06:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admine</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003 - Ano dos "Blogues"]]></category>

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		<description><![CDATA[Em primeiro lugar, são devidos agradecimentos aos &#8220;colegas bloguistas&#8221; em cujos textos mais me apoiei na preparação da compilação que tive o prazer de apresentar ao longo do mês de Dezembro: António Granado (Ponto Media), Pedro Fonseca (Contra Factos e Argumentos), Elisabete Barbosa (Blog Clipping) e Joaquim Paulo Nogueira e João L. Nogueira (Metablogue); sendo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em primeiro lugar, são devidos agradecimentos aos &#8220;colegas bloguistas&#8221; em cujos textos mais me apoiei na preparação da compilação que tive o prazer de apresentar ao longo do mês de Dezembro: António Granado (<a href="http://ciberjornalismo.com/pontomedia.htm">Ponto Media</a>), Pedro Fonseca (<a href="http://contrafactos.blogspot.com">Contra Factos e Argumentos</a>), Elisabete Barbosa (<a href="http://blogclipping.blogspot.com">Blog Clipping</a>) e Joaquim Paulo Nogueira e João L. Nogueira (<a href="http://metablogue.weblog.com.pt">Metablogue</a>); sendo também devido ao &#8220;blogue responsável por esta <em>avalanche</em> em que se tornou a blogosfera portuguesa em 2003&#8243;: <a href="http://colunainfame.blogspot.com">A Coluna Infame</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">De seguida, um obrigado a todos aqueles (32!) de que apresentei os respectivos &#8220;1º post&#8221;, os quais se constituiram indubitavelmente num importante factor enriquecedor do levantamento complementar apresentado; permito-me um agradecimento especial ao <a href="http://jpcoutinho.com">João Pereira Coutinho</a> (pela prontidão com que me &#8220;disponibilizou&#8221; o seu primeiro texto).</p>
<p style="text-align: justify;">Um agradecimento muito especial ao Vitor Marques <a href="http://a_verdade_da_mentira.weblog.com.pt">(A Verdade da Mentira)</a>, o &#8220;comentador&#8221; mais assíduo, que teve um importante papel de incentivo, contribuindo para um maior e mais aprofundado desenvolvimento da pesquisa.</p>
<p style="text-align: justify;">Obrigado também ao Pedro Lomba (<a href="http://florobsessao.blogspot.com">Flor de Obsessão</a>), Manuel (<a href="http://grandelojadoqueijolimiano.blogspot.com">Grande Loja do Queijo Limiano</a>), Bruno Martins (<a href="http://avatares-de-desejo.blogspot.com">Avatares de Desejo</a>) e Nelson (<a href="http://desblogueadordeconversa.blogspot.com">Desblogueador de Conversa</a>), pela atenção dispensada.</p>
<p style="text-align: justify;">Finalmente &#8211; <em>esperando não me ter esquecido de ninguém &#8230; </em>-, agradecimentos especiais a quem de forma tão elogiosa se referiu a esta despretensiosa compilação de textos: Catarina Campos (<a href="http://100nada.weblog.com.pt">100nada</a>), Carla Hilário de Almeida (<a href="http://bomba-inteligente.blogspot.com">Bomba Inteligente</a>), &#8220;Waldorf&#8221; (<a href="http://marretas.blogspot.com">Blogue dos Marretas</a>), Nuno Mota Pinto (<a href="http://marsalgado.blogspot.com">Mar Salgado</a>), Rui Branco (<a href="http://adufe.weblog.com.pt">Adufe</a>), J. (<a href="http://cruzescanhoto.blogspot.com">Cruzes Canhoto</a>), Luís Ene (<a href="http://milmaisuma.leiturascom.net">Ene Coisas</a>), Martin Pawley (<a href="http://pawley.blogalia.com">Dias Estranhos</a> &#8211; Galiza), César Valente (<a href="http://cartaberta.blogger.com.br">Carta Aberta</a> &#8211; Brasil), Edgar (<a href="http://4aferidanarcisica.blogspot.com">4ª Ferida Narcísica</a>), Evaristo Ferreira (<a href="http://abrangente.blogspot.com">Abrangente</a>), Nuno (<a href="http://janelaparaorio.weblog.com.pt">Janela para o Rio</a>) e (<em>em tempo</em>) Paulo (<a href="http://diasquevoam.blogspot.com">Dias que Voam</a>).</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Bem hajam&#8221;!</p>
<p style="text-align: justify;">[850]</p>
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		<title>2003 &#8211; ANO DOS &#8220;BLOGUES&#8221; (XXXII)</title>
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		<pubDate>Wed, 31 Dec 2003 13:59:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admine</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003 - Ano dos "Blogues"]]></category>

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		<description><![CDATA[A 6 de Novembro, Rui Branco (Adufe) e Cláudia e Alecrim (Flores do Campo) criam a BLOGA! &#8211; Blogólicos Anónimos: «Junte-se a outros blogólicos, fale com eles, discuta conteúdos, decifre-lhes a fisionomia, reforce as amizades, desça à terra partilhando os seus sonhos e ânsias blogosféricas! Faça do seu vício algo virtuoso, desdramatize-o, ponha-o a &#8220;jogar&#8221; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A 6 de Novembro, Rui Branco (<a href="http://adufe.weblog.com.pt">Adufe</a>) e Cláudia e Alecrim (<a href="http://floresdocampo.weblog.com.pt">Flores do Campo</a>) criam a <a href="http://bloga.weblog.com.pt">BLOGA! &#8211; Blogólicos Anónimos</a>: «<em>Junte-se a outros blogólicos, fale com eles, discuta conteúdos, decifre-lhes a fisionomia, reforce as amizades, desça à terra partilhando os seus sonhos e ânsias blogosféricas! Faça do seu vício algo virtuoso, desdramatize-o, ponha-o a &#8220;jogar&#8221; a seu favor</em>!»</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda em Novembro, a 17, <a href="http://pauloquerido.net/arquivo/034562.php">Paulo Querido</a> lança a ideia: &#8220;<em>Vamos eleger os blogs portugueses do ano</em>?&#8221;, ainda em fase de &#8220;maturação&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de uma &#8220;<a href="http://causanossa.blogspot.com">falsa partida</a>&#8221; no mês de Julho, tem finalmente início, a 22 de Novembro, o <a href="http://causa-nossa.blogspot.com">Causa Nossa</a>, que reúne um &#8220;extraordinário grupo de famosos&#8221;: Ana Gomes, Eduardo Prado Coelho, Jorge Wemans, Luís Nazaré, Luís Osório, Maria Manuel Leitão Marques, Vicente Jorge Silva e Vital Moreira.</p>
<p style="text-align: justify;">A finalizar, parece-me que não poderia encontrar melhor referência para concluir esta viagem por este &#8220;admirável mundo novo&#8221;, que o texto de Manuel António Pina, na revista Visão de 18 de Dezembro:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>«Entretanto tenho ultimamente frequentado a blogosfera. &#8230; A blogosfera é o lugar onde hoje melhor se escreve e se pensa em português. &#8230; E o facto de a maior parte dos blogues ser, julgo, escrita por gente com menos de 30 anos justifica uma réstia de esperança no futuro&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Desta forma se conclui, ao fim de um mês - em que fui apresentando alguns textos sobre a evolução deste fenómeno dos &#8220;blogues&#8221; - um modesto contributo para que um dia se possa fazer uma &#8220;história da blogosfera em Portugal&#8221;.</strong></p>
<p>[849]</p>
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		<title>2003 &#8211; ANO DOS &#8220;BLOGUES&#8221; (XXXI)</title>
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		<pubDate>Tue, 30 Dec 2003 18:09:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admine</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003 - Ano dos "Blogues"]]></category>

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		<description><![CDATA[Também a 30 de Outubro, João Pereira Coutinho inicia uma nova página na Internet, chamada &#8220;JPCoutinho.com - Diários&#8220;, com um conceito algo diferente da &#8220;típica&#8221; página de &#8220;blogues&#8221; (consumando-se assim o regresso da totalidade dos membros fundadores de &#8220;A Coluna Infame&#8220;): «À vossa esquerda, os pecados. À vossa direita, as virtudes. Faz sentido: pecados para a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Também a 30 de Outubro, João Pereira Coutinho inicia uma nova página na Internet, chamada &#8220;<a href="http://jpcoutinho.com">JPCoutinho.com - Diários</a>&#8220;, com um conceito algo diferente da &#8220;típica&#8221; página de &#8220;blogues&#8221; (consumando-se assim o regresso da totalidade dos membros fundadores de &#8220;<a href="http://colunainfame.blogspot.com">A Coluna Infame</a>&#8220;): «<em>À vossa esquerda, os pecados. À vossa direita, as virtudes. Faz sentido: pecados para a esquerda, virtudes para a direita&#8230; E de hoje em diante, pecados e virtudes, devidamente alternados. De que tratam estes Diários? Como o nome indica, dos dias do plumitivo. Os meus. Os vossos. Não existem diários privados</em>.» E, mais adiante: «<em>De modos que: cinco dias por semana. Dias úteis. Dias inúteis. De segunda a sexta. Prometo abrir a alma &#8211; a alma &#8211; e comentar o mundo. Que será, no essencial, o meu</em>&#8230;»</p>
<p style="text-align: justify;">A 4 de Novembro começa a funcionar uma nova plataforma portuguesa de edição de &#8220;blogues&#8221;: <a href="http://blogs.sapo.pt">Blogs.sapo.pt</a>, juntando-se nomeadamente ao <a href="http://weblog.com.pt">Weblog.com.pt</a> (impulsionado por Paulo Querido). Nesta nova plataforma, viriam a destacar-se nomeadamente os seguintes blogues: <a href="http://espigas.blogs.sapo.pt">Espigas ao vento</a> (entretanto suspenso) e <a href="http://icosaedro.blogs.sapo.pt">Icosaedro</a> (<em><a href="http://memoriavirtual.weblog.com.pt/arquivo/cat_blogosfera.html#047839">vidé textos apresentados a 22 de Dezembro</a> sobre os &#8220;blogues&#8221; instalados nesta plataforma</em>).</p>
<p style="text-align: justify;">Esta &#8220;viagem pela blogosfera&#8221; ficaria incompleta se não referisse uma outra plataforma, com características particulares: o <a href="http://www.livejournal.com">Livejournal</a> (cuja apresentação me foi feita pelo Mário Pires - <a href="http://retorta.typepad.com/blog">Retorta</a>), com o seu &#8220;espírito&#8221; de comunidade, organizado em &#8220;círculos&#8221;, por afinidade ou centros de interesse; para se aceder à plataforma, é necessário um código, o qual era geralmente fornecido por alguém amigo ou conhecido, já integrado na &#8220;comunidade&#8221;, o que determinou muito da sua &#8220;sociologia&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Existindo um pouco &#8220;à margem do circuito regular das citações do sistema blogger ou weblog&#8221;, não deixa, obviamente, de compreender muitas páginas de grande interesse (<em>numa das próximas semanas, apresentarei referência mais detalhada aos &#8220;blogues&#8221; residentes neste sistema</em>).</p>
<p style="text-align: justify;">Como me foi apresentado pelo <a href="http://retorta.typepad.com/blog">Mário Pires</a>, «<em>uma das características do Livejournal (LJ) é a possibilidade de criação de uma página com todos os blogues de que gostamos, onde as entradas estão dispostas cronologicamente; quando definimos um outro utilizador do LJ como &#8220;friend&#8221; estamos a adicionar os seus posts a essa página; o sistema de friends também permite níveis de privacidade varados no LJ, podemos colocar entradas visíveis apenas para nós, outras para todos os utilizadores definidos como friends, apenas visíveis por alguns ou apenas um friend e as entradas públicas visíveis por todos»</em>, sendo «<em>a popularidade definida pelo número de pessoas que nos definiram como friends»</em> e, finalmente, «<em>tendo sido pensado por adolescente e criado para adolescentes, é um sistema que favorece os post &#8220;ligeiros&#8221; e a diarística mais comum, um post popular é um mini-forum / chat»</em>.</p>
<p>[843]</p>
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		<title>2003 &#8211; ANO DOS &#8220;BLOGUES&#8221; (XXX)</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Dec 2003 18:25:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admine</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003 - Ano dos "Blogues"]]></category>

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		<description><![CDATA[A 30 de Outubro, realiza-se na Sociedade de Geografia, em Lisboa, o Encontro Informal de Blogues, sob o lema &#8220;Blogues, moda efémera ou meio de comunicação de futuro?&#8221;.
No suplemento &#8220;Computadores&#8221; do &#8220;Público&#8221; de 3 de Novembro, Pedro Fonseca relata o ocorrido no Encontro Informal de Blogues de 30 de Outubro, artigo no qual se baseia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A 30 de Outubro, realiza-se na Sociedade de Geografia, em Lisboa, o <a href="http://disogeo.blogspot.com">Encontro Informal de Blogues</a>, sob o lema &#8220;Blogues, moda efémera ou meio de comunicação de futuro?&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">No suplemento &#8220;Computadores&#8221; do &#8220;Público&#8221; de 3 de Novembro, Pedro Fonseca relata o ocorrido no Encontro Informal de Blogues de 30 de Outubro, artigo no qual se baseia &#8211; para além de outros relatos, nomeadamente os apresentados na página antes referida &#8211; o resumo apresentado de seguida.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi anunciado o lançamento de uma nova plataforma portuguesa de &#8220;blogues&#8221;: <a href="http://blogs.sapo.pt">Blogs.sapo.pt</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.pauloquerido.net">Paulo Querido</a> &#8220;explicou o que são os &#8220;blogues&#8221;", falando também da sua experiência com a plataforma <a href="http://weblog.com.pt">Weblog.com.pt</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro Lomba (<a href="http://florobsessao.blogspot.com">Flor de Obsessão</a>) afirmou serem os &#8220;blogues&#8221; um excelente exercício de escrita, uma &#8220;disciplina que nos obriga a ir lá todos os dias&#8221;, defendendo ainda que, mesmo procurando só escrever o que lhe apetece nos jornais, &#8220;a imprensa tem um público mais institucional e, num jornal, a liberdade não é total&#8221;, além de que certos textos apenas fazem sentido nos blogues.</p>
<p style="text-align: justify;">José Mário Silva (<a href="http://bde.weblog.com.pt">Blog de Esquerda</a>) salientou a necessidade de se guardar alguns destes &#8220;retratos do país&#8221;. Eles são complemento dos médias tradicionais, &#8220;antecipam temas dois ou três meses&#8221; antes de a comunicação social atentar neles e dão resposta a uma carência nos espaços de opinião. Por outro lado, há também uma &#8220;experimentação da língua&#8221; na blogosfera, com &#8220;algumas dezenas ou mais de blogues muito bem escritos&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro Mexia, do <a href="http://dicionariodiabo.blogspot.com">Dicionário do Diabo</a>, referiu que: &#8220;Um blogue ou uma coluna de opinião é de alguém que tem a presunção &#8211; pateta, com certeza &#8211; de que tem algo a dizer&#8221;, quer ser citado e ter algum retorno comunicacional dos leitores. Por isso, &#8220;é necessário descriminalizar essa ideia do sucesso, da audiência.&#8221; Lembrando que &#8220;um blogue é um &#8216;hobby&#8217; não remunerado&#8221;, Pedro Mexia salientou ainda como conseguiu mais inimigos num único ano a escrever em blogues do que em toda a sua vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Mário Pires (<a href="http://retorta.typepad.com/blog/">Retorta</a>) falou sobre as comunhões que é possível estabelecer na &#8220;blogosfera&#8221;, manifestando o seu desejo que, por exemplo, a fotografia, possa beneficiar de maior interesse e atenção.</p>
<p style="text-align: justify;">João Nogueira, do <a href="http://socioblogue.weblog.com.pt">Socioblogue</a>, colocou em causa a meritocracia que Pedro Lomba afirmava entrever na blogosfera, assinalando a existência de &#8220;blogues muito bons que ninguém lê&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">P. S. Pode também ver excelentes fotos do &#8220;Encontro&#8221;, pelo Mário Pires, no Retorta: <a href="http://retorta.typepad.com/blog/2003/11/post_1.html">aqui</a>, <a href="http://retorta.typepad.com/blog/2003/10/geo_3.html">aqui</a> e <a href="http://www.retorta.net/encontro/page_01.htm">aqui</a>.</p>
<p>[837]</p>
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		<title>2003 &#8211; ANO DOS &#8220;BLOGUES&#8221; (XXIX)</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Dec 2003 19:20:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admine</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003 - Ano dos "Blogues"]]></category>

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		<description><![CDATA[Também em Outubro, começa a assistir-se a uma transferência de alguns &#8220;blogues&#8221; anteriormente alojados no &#8220;blogger&#8221; para o &#8220;weblog.com.pt&#8221; (sistema de alojamento de &#8220;blogues&#8221; em Portugal, impulsionado por Paulo Querido, onde se encontravam já, por exemplo, o Enecoisas e o Barnabé) - de que são exemplo, nomeadamente o Adufe, Janela Para o Rio, Fumaças, 100nada, Estudos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="TEXT-ALIGN: justify">Também em Outubro, começa a assistir-se a uma transferência de alguns &#8220;blogues&#8221; anteriormente alojados no &#8220;blogger&#8221; para o &#8220;<a href="http://weblog.com.pt">weblog.com.pt</a>&#8221; (sistema de alojamento de &#8220;blogues&#8221; em Portugal, impulsionado por <a href="http://www.pauloquerido.net">Paulo Querido</a>, onde se encontravam já, por exemplo, o <a href="http://milmaisuma.leiturascom.net">Enecoisas</a> e o <a href="http://barnabe.weblog.com.pt">Barnabé</a>) - de que são exemplo, nomeadamente o <a href="http://adufe.weblog.com.pt">Adufe</a>, <a href="http://janelaparaorio.weblog.com.pt">Janela Para o Rio</a>, <a href="http://fumacas.weblog.com.pt">Fumaças</a>, <a href="http://100nada.weblog.com.pt">100nada</a>, <a href="http://estudossobrecomunismo.weblog.com.pt">Estudos sobre o comunismo</a> (&#8220;o outro blogue&#8221; de Pacheco Pereira), <a href="http://socioblogue.weblog.com.pt">Socioblogue</a> e <a href="http://metablogue.weblog.com.pt">Metablogue</a>, o próprio <a href="http://memoriavirtual.weblog.com.pt">Memória Virtual</a> e, finalmente, o <a href="http://bde.weblog.com.pt">Blog de Esquerda</a>.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">A 15 de Outubro, <a href="http://www.pauloquerido.net">Paulo Querido</a> e <a href="http://milmaisuma.leiturascom.net">Luís Ene</a> apresentam o primeiro livro sobre &#8220;blogues&#8221; em Portugal (&#8220;<a href="http://centroatl.pt/titulos/si/blogs.php3">Blogs</a>&#8220;), no Mercado da Ribeira, em Lisboa.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">E, uma semana depois, a 22 de Outubro, era lançada a primeira edição em livro de textos de um &#8220;blogue&#8221;: &#8220;<a href="http://omeupipi.blogspot.com">O Meu Pipi</a>&#8221; compilava em livro os seus escritos erótico-pornográficos.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">Na sessão de lançamento - em que Rui Unas leu fragmentos do livro - a cada um dos participantes, era distribuído, à entrada, um crachá dizendo: &#8220;Eu é que sou o Pipi&#8221;!</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">Os conteúdos anteriores do &#8220;blogue&#8221; haveriam de ser então &#8220;apagados&#8221;.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">[830]</p>
]]></content:encoded>
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		<title>2003 &#8211; ANO DOS &#8220;BLOGUES&#8221; (XXVIII)</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Dec 2003 19:50:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admine</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003 - Ano dos "Blogues"]]></category>

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		<description><![CDATA[A 4 de Outubro, no suplemento &#8220;Actual&#8221;, do &#8220;Expresso&#8221;, António Guerreiro apresenta uma crítica ao &#8220;universo dos blogues&#8221;, nomeadamente pela reprodução na blogosfera de um regime que diz ser o «responsável pela hipertrofia da &#8220;opinião&#8221; que caracteriza a imprensa, em Portugal», o do &#8220;mandarinato&#8221;, caracterizado pela &#8220;corrida ao espaço público mediático&#8221; (ver texto completo em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A 4 de Outubro, no suplemento &#8220;Actual&#8221;, do &#8220;Expresso&#8221;, António Guerreiro apresenta uma crítica ao &#8220;universo dos blogues&#8221;, nomeadamente pela reprodução na blogosfera de um regime que diz ser o «<em>responsável pela hipertrofia da &#8220;opinião&#8221; que caracteriza a imprensa, em Portugal»</em>, o do &#8220;mandarinato&#8221;, caracterizado pela &#8220;<em>corrida ao espaço público mediático&#8221;</em> (ver texto completo em &#8220;entrada estendida&#8221;).</p>
<p style="text-align: justify;">Surgira entretanto o primeiro grande caso de controvérsia generalizada: de forma anónima, o &#8220;blogue&#8221; &#8220;Muito Mentiroso&#8221; editou, durante semanas, listas de perguntas, com uma técnica de desinformação, insinuando que o caso de pedofilia da &#8220;Casa Pia&#8221; teria por trás vários e poderosos grupos de interesses, associado a gravíssimos casos de corrupção.</p>
<p style="text-align: justify;">Após dias de polémica na &#8220;blogosfera&#8221;, já em Outubro, Pacheco Pereira denunciou, na sua intervenção de Domingo no &#8220;Jornal da Noite&#8221; da SIC, o caso deste &#8220;blogue&#8221;, o qual estaria já, entretanto, a ser alvo de investigação.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia seguinte, todo o conteúdo do &#8220;blogue&#8221; seria apagado.</p>
<p>[825]<br />
<span id="more-866"></span><br />
<em>&#8220;<strong>A reportagem universal </strong></em><em>António Guerreiro, Expresso, 4 Outubro 2003</em></p>
<p style="text-align: justify;">O novo fenómeno da comunicação chamado blog é um bom observatório das características do nosso espaço público e da hegemonia do discurso da opinião.</p>
<p style="text-align: justify;">Subitamente, levantou-se uma euforia no mundo da publicidade &#8211; do espaço público &#8211; não propriamente por causa dos factos que produzem notícias, mas por causa das notícias que são culpadas dos factos, como diria Karl Kraus, cuja actualidade é cada vez mais notória. A jubilosa catástrofe &#8211; quotidiana, como são as verdadeiras catástrofes &#8211; chama-se blog. Não é um fenómeno completamente novo, mas, entre nós, surgiu há pouco tempo organizado segundo regras próprias, reivindicando uma certa autonomia, e já se tornou um respeitável objecto de estudo.</p>
<p style="text-align: justify;">Não se pode, obviamente, caracterizar os blogs em geral porque, tratando-se de um meio que dispõe de uma enorme liberdade, há-os de todos os géneros e sobre as mais variadas matérias: os que reivindicam o mero direito à expressão, os de agitação política, os paródicos, os pornográficos, os literários, os que servem um saber, um gosto, uma causa, uma obsessão.</p>
<p style="text-align: justify;">Potencialmente, nenhum território lhes é interdito porque não há limites para o seu poder de penetração. Os limites são os do próprio meio, eficaz nas mensagens curtas e no registo do imediato, mas inadequado a tudo o que requer outro ritmo e outra temporalidade. Temos, assim, mais um factor &#8211; ecológico &#8211; que intervém na obliteração de cronologias lentas, sejam elas culturais ou políticas.</p>
<p style="text-align: justify;">O facto curioso, em Portugal, é que o interesse pelos blogs não foi suscitado, em primeiro lugar, por terem acedido à livre publicação indivíduos e grupos que dela estavam excluídos, mas por terem entrado na «blogosfera» (numa posição de domínio, pois aqui também se criaram hierarquias) nomes que, regularmente ou de maneira esporádica, escrevem nos jornais ou são convidados pelas televisões. Este é um sinal eloquente de que há hoje uma corrida ao espaço público mediático (sintoma de uma perda da efectualidade da cultura e das instituições do saber) e de que este não é capaz de se estruturar de outra maneira que não seja segundo o regime do mandarinato. É este regime o responsável pela hipertrofia da «opinião» que caracteriza a imprensa, em Portugal, e que a grande maioria dos blogs prolonga na perfeição. Os blogs mais frequentados, isto é, aqueles para onde estamos constantemente a ser remetidos através dos «links», quando entramos na «blogosfera», apresentam-se, assim, como uma esfera funcional das páginas de opinião dos jornais, mesmo quando têm um registo diarístico e pessoal. Digamos que os blogs economizaram algumas etapas e chegaram rapidamente ao ponto a que já chegaram ou aspiram chegar os jornais: o da conversa desenvolta, cujos intervenientes são muito mais actores do que autores, ao serviço do espectáculo integral. Tão próximos estão &#8211; jornais e blogs &#8211; do mesmo universo cultural e funcional que não é possível fazer a crítica de uns sem fazer a crítica de outros. O que alimenta a maior parte dos blogs não é uma escrita mas uma conversa, como aquela que se pode ter no café com os amigos, e que se esgota numa troca que promove a confusão da esfera pública com a esfera privada.</p>
<p style="text-align: justify;">Bastante representativo é um dos blogs mais citados e considerado geralmente como um modelo: o «Abrupto» (www.abrupto.blogspot.com), de José Pacheco Pereira. As posições críticas de J.P.P. em relação aos jornais são bem conhecidas. No entanto, ele esbarra geralmente no facto de o seu estatuto e prestígio se alimentarem exactamente do sistema mediático que critica &#8211; um sistema que vive da lógica do vedetismo, da omnipresença e da usurpação. Aquilo que Pacheco Pereira representa no território dominante dos clérigos da opinião é uma criação específica do nosso espaço público, não poderia existir senão em Portugal. À primeira vista, o seu blog parece uma tentativa de «desjornalizar» a sua escrita e de entrar no campo mais afável do discurso cultural e do apontamento pessoal. Mas há algo de mais jornalístico, nos nossos dias, do que estas deambulações sócio-político-culturais, em formato magazinesco, servidas por um político? Não há. E eis, então, Pacheco Pereira convidado a montar o seu espectáculo dentro do programa de variedades que é o «Jornal da Noite», da SIC (como, aliás, todos os outros jornais televisivos), ao mesmo tempo que Marcelo Rebelo de Sousa, o Professor, no canal ao lado, aconselha os quatorze livros que leu durante a semana.</p>
<p style="text-align: justify;">O discurso inócuo do «fait-divers» político-cultural e da conversa de família ou de amigos domina, de modo geral, os blogs. Evidentemente, não se trata de algo que seja estranho aos jornais. Mas a questão é esta: porque é que professores universitários, poetas, escritores, críticos desejam tanto jornalizar-se (no duplo sentido do discurso jornalístico e do discurso diarístico) através da «bavardage», do exibicionismo, da falsa subjectividade opinativa? A excepção a este regime são aqueles blogs que tentam fazer um uso produtivo da especificidade do meio, com a consciência do risco e da experimentação que isso implica, excluindo-se da relação funcional com o mero discurso diarístico e a conversa opinativa. Um exemplo: «Reflexos de Azul Eléctrico» (www.reflexosdeazulelectrico.blogspot.com), da responsabilidade de José Bragança de Miranda.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é preciso ter lido Habermas para perceber que a expressão individual e o direito à opinião que alimentam a maior parte dos blogs têm um grande valor decorativo mas não têm nada que ver com uma esfera pública crítica (que, de resto, tem cada vez menos condições, em Portugal, para se constituir). Por isso é que é falaciosa a afirmação de Pacheco Pereira, no seu blog: «O mundo continua lá fora e quanto mais vozes se ouvirem melhor. Eu sou um liberal, acredito na lei dos grandes números, na .mão invisível.. Há virtudes na cacofonia, cada voz a menos empobrece.» Esta teoria democrática da expressão individual (que só por equívoco podemos pensar que é de inspiração iluminista) é duplamente falaciosa: 1) porque esquece deliberadamente que o sistema é hipertélico, isto é, vai para além dos seus próprios fins e anula-se na sua finalidade; 2) porque se baseia no princípio imposto pelos «mass media» de que tudo o que eles fazem aparecer é bom e não resta outra tarefa senão a de jornalizar o discurso na cacofonia generalizada. Esquecida fica a responsabilidade de interromper a conversa. Esta lei da submissão ao ruído público &#8211; e da dependência visceral que ele cria &#8211; não é senão a lógica dos «grandes redutores», dos que não conseguem pensar fora da lógica do jornalismo e da agitação política e cultural.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"> </p>
<p>[825]</p>
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		<title>2003 &#8211; ANO DOS &#8220;BLOGUES&#8221; (XXVII)</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Dec 2003 17:45:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admine</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003 - Ano dos "Blogues"]]></category>

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		<description><![CDATA[Em 18 e 19 de Setembro, realiza-se em Braga o primeiro encontro nacional de &#8220;weblogs&#8221;.
O Jornal de Notícias é o primeiro jornal nacional a fazer uma manchete de primeira página a propósito dos &#8220;blogues&#8221;; por outro lado, no Telejornal da RTP1, é apresentada reportagem, com a criação de um &#8220;blogue&#8221; em directo.
Conforme disse José Luis [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="TEXT-ALIGN: justify">Em 18 e 19 de Setembro, realiza-se em Braga o <a href="http://www.encontrodeweblogs.blogspot.com">primeiro encontro nacional de &#8220;weblogs&#8221;</a>.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">O Jornal de Notícias é o primeiro jornal nacional a fazer uma manchete de primeira página a propósito dos &#8220;blogues&#8221;; por outro lado, no Telejornal da RTP1, é apresentada reportagem, com a criação de um &#8220;blogue&#8221; em directo.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">Conforme disse José Luis Orihuela (Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra): &#8220;<em>Nunca tivemos de ler tanto para escrever tão pouco&#8221;</em> (ver artigo de Pedro Fonseca, no &#8220;Público&#8221; de 22 de Setembro, abordando o referido encontro - <em>texto completo em &#8220;entrada estendida&#8221;</em>). E, também:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;<em>Os blogs são o fenómeno mais importante que ocorreu na Internet desde há 10 anos. Em 1993, houve a revolução dos browsers, permitindo a navegação. Dez anos depois, é a revolução dos blogs, cuja força provém de constituírem uma grande conversação global, gerando uma comunidade pelo intercâmbio de conhecimentos, produzido pelos post, comentários e réplicas - a &#8220;blogosfera&#8221;. Como consequência, os blogs são potentíssima ferramenta para criação de comunidades espirituais baseadas no conhecimento partilhado</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align: justify;">Notou-se também que &#8220;<em>se os blogues amplificam a cidadania, dando voz ao cidadão, a Internet continua a ser um meio reservado apenas a uma franja minoritária da população&#8221;</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, os &#8220;blogues&#8221; em Portugal tinham passado rapidamente dos cerca de 500 em meados de Maio, para cerca de 1 600 no fim de Julho (com a grande &#8220;explosão&#8221; no final de Junho), ultrapassando-se já, em Setembro, os 2 000 &#8220;blogues&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">[819]</p>
<p><span id="more-860"></span><br />
<em><strong>&#8220;I Encontro Nacional sobre Weblogs junta meia centena de &#8216;bloggers&#8217;<br />
Escrever Sim, Discutir Não</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">A blogosfera nacional poderá contar com mais de 2 mil blogues, nem todos activos; mas, quando se trata de se encontrarem fisicamente, apenas meia centena resolve marcar presença. Foi o que sucedeu na passada quinta e sexta-feira, no I Encontro Nacional sobre Weblogs, realizado na Universidade do Minho, em Braga. &#8220;A blogosfera é relativamente grande mas é mais fácil fazer blogues do que falar sobre eles&#8221;, sintetizou Manuel Pinto, principal organizador do Encontro e docente na área de jornalismo daquela universidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre a contagem inicial de 174 blogues realizada em Janeiro pelo Blogs em .pt e os mais de 2300 contabilizados actualmente pelo Bloco-Notas &#8211; e apesar de existirem blogues nacionais desde 1999 -, um facto incontestável para a sua dinamização mediática e motor de crescimento dos blogues em Portugal foi o aparecimento destes diários abordando a actualidade política, desde a já extinta Coluna Infame ao Abrupto, de José Pacheco Pereira, que, em Março, escreveu no PÚBLICO sobre esta temática. O crescimento vai continuar, prevê António Granado, jornalista do PÚBLICO e &#8220;blogger&#8221; (termo inglês para definir os autores de blogues), porque só neste Verão foram criados mais de mil.</p>
<p style="text-align: justify;">São muito poucos, comparando com os três milhões que se calcula existirem em todo o mundo &#8211; tantos quantas as páginas Web indexadas pelo motor de busca Google &#8211; mas, mesmo assim, &#8220;é muito para ler de manhã&#8221;, como referiu José Luis Orihuela, da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra. &#8220;Nunca tivemos de ler tanto para escrever tão pouco&#8221;, explicou, e os &#8220;bloggers&#8221; &#8220;estão a aprender a ler e a escrever de novo; não é metáfora, estão a aprender a escrever com hiperligações e isso é uma nova alfabetização&#8221;. Por outro lado, &#8220;a blogosfera, não a Web, é a maior fábrica de conhecimento dos nossos dias&#8221;, referiu.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar do potencial exagero, a verdade é que os blogues são mais do que uma moda. Usando o trabalho de Everett Rogers, de 1995, A. Granado explicou como a difusão das inovações se processa com alguma lentidão junto de certos grupos bem definidos. Os primeiros a adoptá-las são os &#8220;inovadores&#8221;, que não passam de 2,5 por cento. Seguem-se os 13,5 por cento de &#8220;early adopters&#8221;, a &#8220;early&#8221; e a &#8220;late majority&#8221; &#8211; ambas com 34 por cento cada &#8211; e finalmente os &#8220;laggards&#8221; ou &#8220;atrasados&#8221;, que representam os restantes 16 por cento.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Em Portugal, ainda estamos numa fase da inovação e a Internet ainda é uma ferramenta dos info-ricos e dos países mais desenvolvidos&#8221;, lembrou Granado.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta fase, as principais características dos blogues nacionais é a de serem muito opinativos e pouco informativos, funcionando a grande maioria em circuito fechado. Há também poucas referências para fora da Internet portuguesa &#8211; gerando fenómenos como o desencadear de polémicas com outros blogues nacionais mais conhecidos para assim se obterem ligações de retorno e uma maior visibilidade, pelo menos temporária mas que serve como chamariz para esse blogue. E há uma ausência de práticas jornalísticas neles, referiu ainda. Nesse sentido, entrando numa polémica sobre se os blogues são ou não uma ameaça ao jornalismo, afirmou que nunca os viu como tal, até porque &#8220;rarissimamente aparece informação original&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Em termos mais gerais, no entanto, Orihuela considera que os blogues, sob as diferentes designações de &#8220;nano-edição&#8221; ou &#8220;auto-média&#8221; permitem aos &#8220;utilizadores serem comunicadores públicos &#8211; é a primeira vez na história da imprensa e os blogues são o mais importante nos últimos 17 anos, desde o aparecimento da Web&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Para o investigador espanhol, &#8220;o que mudou foi o conceito de periodicidade&#8221; e, &#8220;na sua passagem para o tempo real, perde-se o espaço de reflexão mas ganha-se em dinamismo e conversação, num sistema global de comunicação com correcções de textos em tempo real&#8221; aquando da descoberta de erros. Mas não só, porque &#8220;a agenda de temas relevantes nos blogues ultrapassa largamente o terreno comum dos média tradicionais&#8221;, muitas vezes usando fontes alternativas a esses média.</p>
<p style="text-align: justify;">Olhando para o futuro dos blogues nacionais, vai-se assistir ao aparecimento de mais blogues anónimos, seja por alguém que quer dizer mal de outrem como para ver se alguns média pegam nessas histórias, antecipa António Granado. Os &#8220;moblogs&#8221; &#8211; blogues mantidos a partir das capacidades multimédia dos telemóveis &#8211; deverão também aparecer por cá, &#8220;com invasão pura da privacidade&#8221;, exemplificando com casos de figuras públicas registadas em sítios onde não deviam estar a horas menos convenientes ou com companhias menos aconselháveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Finalmente, uma tendência também de futuro será o aparecimento de blogues ligados ao ensino e não só no ensino do jornalismo, como sucede hoje. Esta posição foi também defendida por José Luis Orihuela, quando apresentou algumas sugestões para o futuro da blogosfera em Portugal: &#8220;O enfoque correcto é estar na origem da mudança, nomeadamente nas universidades&#8221;. Defendeu ainda a existência de directórios temáticos e actualizados, sistemas de &#8220;blogtracking&#8221; para se conhecer o que está a ser mais debatido entre blogues e &#8220;rankings&#8221;, com prémios para os melhores blogues, a criação de blogues comunitários em português e inglês, a adopção do que já demonstrou ter êxito lá fora e, finalmente, aproveitar as sinergias, nomeadamente em termos linguísticos com o Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre blogues com um bom grafismo e maus conteúdos ou o contrário, Orihuela advoga que &#8220;as pérolas com conteúdos fortes e bom grafismo tornar-se-ão os blogues de culto&#8221;".</p>
<p style="text-align: justify;">N.E. &#8211; Pedro Fonseca foi responsável pelo Blogs em .pt, participou na organização do evento e nas sessões (não relatadas) sobre &#8220;Weblogs, jornalismo e comunicação&#8221; e &#8220;Weblogs e sociedade&#8221;</p>
<p><em>Pedro Fonseca, &#8220;Público&#8221;, 22 Setembro 2003</em></p>
<p>[819]</p>
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		<title>2003 &#8211; ANO DOS &#8220;BLOGUES&#8221; (XXVI)</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Dec 2003 17:45:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admine</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003 - Ano dos "Blogues"]]></category>

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		<description><![CDATA[Em Setembro, o Gato Fedorento &#8220;autonomiza-se&#8221; também num programa de televisão, na SIC Radical. Conforme artigo no &#8220;Público&#8221;, de 9 de Setembro, a &#8220;SIC Radical Reforça Humor&#8221;: &#8220;Gato Fedorento estreia-se no dia 15 e reúne a dupla de humoristas Ricardo Araújo e Diogo Quintela num programa de meia hora, às segundas-feiras (14h30), quartas (20h30), quintas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em Setembro, o <a href="http://gatofedorento.blogspot.com">Gato Fedorento</a> &#8220;autonomiza-se&#8221; também num programa de televisão, na SIC Radical. Conforme artigo no &#8220;Público&#8221;, de 9 de Setembro, a &#8220;SIC Radical Reforça Humor&#8221;: &#8220;<em>Gato Fedorento estreia-se no dia 15 e reúne a dupla de humoristas Ricardo Araújo e Diogo Quintela num programa de meia hora, às segundas-feiras (14h30), quartas (20h30), quintas (09h30) e sábados (19h30)&#8221;</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Carlos Vaz Marques dá também início, em Setembro, ao &#8220;blogue&#8221; sobre o seu programa de rádio na TSF, &#8220;<a href="http://www.pessoal.blogger.com.br">Pessoal&#8230; e Transmissível</a>&#8220;. Entretanto, João Paulo Meneses iniciara também (já em 27 de Junho), o <a href="http://ouve-se.weblogger.terra.com.br">Blogouve-se</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">A 10 de Setembro, nasce o <a href="http://barnabe.weblog.com.pt">Barnabé</a>, &#8220;blogue&#8221; colectivo sobre política e cultura, de esquerda, agrupando o político Daniel Oliveira, os historiadores André Belo, Rui Tavares e Pedro Oliveira, o jornalista Celso Martins e a ilustradora Rosa Pomar - &#8220;<em>O que é que tem o Barnabé? O Barnabé é um blogue sobre política e cultura. O Barnabé não é um blogue intimista. O Barnabé é tão Narciso como os outros, mas tem vergonha na cara. O Barnabé é um blogue pós-narcisista. O Barnabé é um blogue de esquerda e heterodoxo&#8221;</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">[811]</p>
]]></content:encoded>
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		<title>2003 &#8211; ANO DOS &#8220;BLOGUES&#8221; (XXV)</title>
		<link>http://memoriavirtual.net/2003/12/2003-ano-dos-blogues/2003-ano-dos-blogues-xxv/</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Dec 2003 10:55:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admine</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003 - Ano dos "Blogues"]]></category>

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		<description><![CDATA[A 10 de Agosto, nasce o Glória Fácil, inicialmente com os jornalistas do &#8220;Público&#8221;: João Pedro Henriques, Maria José Oliveira; a que se juntaram entretanto Ana Sá Lopes (também do &#8220;Público&#8221;) e Nuno Simas (jornalista do Diário de Notícias).
A 11 de Agosto, novo artigo (de Pedro Correia) sobre os &#8220;blogues&#8221;, no &#8220;Diário de Notícias&#8221; (ver [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="TEXT-ALIGN: justify">A 10 de Agosto, nasce o <a href="http://gloriafacil.blogspot.com">Glória Fácil</a>, inicialmente com os jornalistas do &#8220;Público&#8221;: João Pedro Henriques, Maria José Oliveira; a que se juntaram entretanto Ana Sá Lopes (também do &#8220;Público&#8221;) e Nuno Simas (jornalista do Diário de Notícias).</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">A 11 de Agosto, <a href="http://www.dn.sapo.pt/noticia/noticia.asp?CodNoticia=115712&amp;codEdicao=780&amp;codAreaNoticia=10">novo artigo (de Pedro Correia) sobre os &#8220;blogues&#8221;</a>, no &#8220;Diário de Notícias&#8221; (ver também texto em &#8220;entrada estendida&#8221;).</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">A 2 de Setembro, Medeiros Ferreira publica também um <a href="http://www.dn.sapo.pt/cronica/mostra_cronica.asp?codCronica=5544&amp;codEdicao=806">artigo no &#8220;Diário de Notícias&#8221;</a>, uma abordagem &#8220;diferente&#8221; sobre o &#8220;fenómeno dos blogues&#8221;:</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><em>«A bloguemania está a difundir-se rapidamente. É, por enquanto, um exercício particular de quem gosta de ter opiniões abundantes e imediatas e revela uma acentuada necessidade de comunicar. A maior parte dos blogues que conheço aparenta-se ao género diarístico da antiga literatura. Um parente dissemelhante e de outra geração. Em todo o caso é um descendente. À primeira vista é um descendente, em língua portuguesa, de um Miguel Torga menos esculpido em granito lexical, de um Vergílio Ferreira mais mundano na sua conta-corrente, de um Fernando Aires angustiado de metafísica, de um Cristóvão de Aguiar bloguista avant la lettre com a sua relação de bordo existencial. Até me lembrei de Teixeira de Pascoaes e de Raul Brandão, mas os blogues dos nossos cibernautas pouco tratam de sentimentos. Estão mais virados para a descoberta da luta política por conta própria. Porque será? É claro que os blogues não são mais nem menos do que os sites precocemente envelhecidos pela necessidade de criar modas internéticas. Ainda há 50 anos se viravam os fatos do avesso, dando-lhes um retomado colorido, caso o tecido valesse a pena. O site é mais institucional, o blogue é mais individual &#8211; ambos unidos por uma orgia de endereços electrónicos. Deste modo, e antes que seja tarde, aproveito esta minha curiosidade de férias, para apresentar um modelo de blogue-notas:</em></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><em>Quinta-feira, dia 28: João Cravinho propõe António Guterres como cabeça-de-lista para as europeias. Não é a primeira vez que o faz, mas em Agosto o caso foi mais falado do que nos blogues que reservam uma entrada para Comentários(o). Acho uma boa ideia, embora não faltem excelentes candidatos a cabeças-de-lista para o Parlamento Europeu em quase todos os partidos do sistema, e até fora dele. Depois dos jogadores de futebol deve ser mesmo a melhor especialidade portuguesa. Por isso não me preocupo muito com o assunto. Alguém há-de aparecer. Prevejo um bom resultado do PS e a eleição de pelo menos um deputado do Bloco de Esquerda. Mesmo que o PSD perca essas eleições, com certeza que Durão Barroso não se demitirá. Vou guardar este blogue até Junho do próximo ano para o citar. Posted by José</em>.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><em>Sexta-feira, dia 29: Chuva. Como disse Teixeira de Pascoaes, o Outono em Portugal começa em Agosto. Esta chuva acaba com os incêndios, dirão os patriotas do clima</em>.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><em>Leio uns documentos da Casa Pia n&#8217;O Independente. Mas se todos os portugueses fossem avaliados, na indevida altura, por pedo-psiquiatras, quem garantiria o estado da nação no futuro?! E quantos blogues não seriam precisos para revelar as pulsões, as tendências, e até os actos de tanta gente feliz com lágrimas? Freud elaborou uma teoria geral. Em Portugal, pelo menos desde Pina Manique, elaboram-se fichas pessoais. Posted by Heterónimo Ferreira</em>.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><em>Sábado, dia 30: José Sócrates, no Expresso, afirma que António Guterres é o melhor candidato às eleições presidenciais. Pasmo com este afã de candidatar o presidente da Internacional Socialista a todos os cargos imagináveis. Tanto mais que agora ele vai em missão social da ONU junto de Lula da Silva, conforme também me ensina o mesmo semanário. Prevejo que António Guterres aproveitará a primeira ocasião para repetir estar retirado da política doméstica activa. Ainda é muito cedo para «o natural», como notou o E. P. C. A propósito será que o E. P. C. tem um blogue? Posted by Medeiros</em>.</p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify"><em>É isso. Um dia que deixe de ter a coluna no DN vou criar um blogue-notas!</em></p>
<p style="TEXT-ALIGN: justify">[806]</p>
<p><span id="more-847"></span><br />
<em>&#8220;<strong>Blogo, logo existo</strong> </em></p>
<p style="text-align: justify;">José Pacheco Pereira deu o mote. Há escassos meses, o eurodeputado do PSD lançou entre nós a moda dos blogues. Uma moda que pegou depressa e bem: muitos outros lhe seguiram o exemplo &#8211; figuras conhecidas ou ilustres anónimos, gente de todas as idades, intelectuais das mais diversas tendências disputam tempo e espaço na Internet com os seus blogues. Adaptando a epistolografia à era da informática e desenterrando o prazer da polémica, que parecia quase adormecido entre nós.</p>
<p style="text-align: justify;">O que é um blogue? No fundo, trata-se de um simples diário pessoal, mas com a particularidade de ser acessível ao universo de utilizadores da Internet. Há blogues de todas as cores e para todos os gostos. Enquanto a esmagadora maioria das colunas de opinião impressas nos jornais é cinzenta, conformista e previsível, os textos que circulam na blogosfera caracterizam-se pelo seu estilo vibrante e polémico. Nenhum tema é evitado nem nenhum ângulo deixa de ser abordado pelos blogonautas, que desencadeiam reacções em série. Sobretudo quando estão em causa questões políticas.</p>
<p style="text-align: justify;">A política é um tema muito em foco nos blogues. Pacheco, que também neste caso deu o pontapé de saída, gosta de discorrer sobre as relações entre políticos e jornalistas, entre uma ou outra bicada ao Governo. «Gostava de saber em quantos sítios vai ser proibido o uso de foguetes», ironizava ontem no seu Abrupto, talvez o mais conhecido de todos os blogues.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro assunto quente da nossa vida política que mereceu recentes comentários foi o jantar dos generais contra o ministro da Defesa. «Generais no activo e na reserva fazerem um jantar conspirativo não é um sinal saudável numa democracia estabilizada», opinou Pedro Mexia, autor do blogue Dicionário do Diabo. Um blogue também muito popular é o Gato Fedorento, que tem quatro autores: José Diogo Quintela, Miguel Góis, Ricardo Araújo Pereira e Tiago Dores. Um deles escrevia assim sobre a controversa questão das escutas ao líder socialista: «Ferro Rodrigues devia conseguir ver a vantagem de ter sido alvo de mais de 1800 escutas. O líder do PS nunca mais terá que se deslocar ao DIAP para prestar declarações. Neste Verão, pode estar de papo para o ar numa praia das Caraíbas e, quando quiser dizer alguma coisa ao juiz Rui Teixeira, é só pegar num telemóvel e telefonar a um amigo.»</p>
<p style="text-align: justify;">Eis outra característica comum a muitos blogues: o sentido de humor. Cruzar a política com a ironia é a opção de Pedro Lomba, no blogue Flor de Obsessão, e dos anónimos autores dos blogues dos Marretas e Terras do Nunca. Cada qual à sua maneira, todos estão a contribuir decisivamente para alterar a substância e o tom do debate político em Portugal.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Pedro Correia, &#8220;Diário de Notícias&#8221;, 11 Agosto 2003</em></p>
<p style="text-align: justify;">[806]</p>
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		<title>2003 &#8211; ANO DOS &#8220;BLOGUES&#8221; (XXIV)</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Dec 2003 18:07:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admine</dc:creator>
				<category><![CDATA[2003 - Ano dos "Blogues"]]></category>

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		<description><![CDATA[No &#8220;Público&#8221;, de 31 de Julho, escreveu Eduardo Prado Coelho, sobre os &#8220;blogues&#8221;:
&#8220;Duas realidades têm emblematizado este Verão. Não me refiro aos habituais incêndios, que permitem sempre a qualquer oposição dizer que faria melhor do que qualquer Governo, nem ao segredo de justiça, nem ao caso da Universidade Moderna, nem à demissão do chefe do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">No &#8220;Público&#8221;, de 31 de Julho, escreveu Eduardo Prado Coelho, sobre os &#8220;blogues&#8221;:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8220;Duas realidades têm emblematizado este Verão. Não me refiro aos habituais incêndios, que permitem sempre a qualquer oposição dizer que faria melhor do que qualquer Governo, nem ao segredo de justiça, nem ao caso da Universidade Moderna, nem à demissão do chefe do Estado-Maior do Exército, que, ao que parece, &#8220;perdeu a confiança&#8221; no ministro, nem à questão da duração da prisão preventiva ou da extensão das escutas telefónicas. Também não estou a pensar na incapacidade em se encontrar armas de destruição maciça no Iraque, no sofrimento aparentemente sem saída do exército americano ou nas dificuldades de Blair envolvido numa história sinistra. Falo, sim, de duas realidades mais modestas e contudo extremamente importantes: os blogues e o chá verde. </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Qualquer delas aparece como um bom &#8220;tema&#8221; para reportagem nos jornais e revistas. Fiquemos hoje pelo blogue. Ele corresponde à criação de espaços na Internet onde uma pessoa ou um grupo de pessoas se sente autorizado a escrever sobre todos os assuntos que lhe interessarem. O formato dos textos é extremamente variável, podendo ir da simples frase assassina à longa deambulação evocativa, da citação oportuna à polémica mais militante. Alguns dos autores gostam de ser identificados, outros escolhem os enredos imaginários dos pseudónimos ou heterónimos, suscitando mesmo inquéritos quase policiais. É neste âmbito que de vez em quando um jornal ou um amigo suspeita de que eu seja autor de um blogue. Devem pensar que vivo numa dimensão temporal inacessível aos humanos&#8230; Diga-se de passagem que nem mesmo leio com regularidade os blogues dos outros. Não tenho tempo. </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Toda a questão está no autor do blogue &#8220;sentir-se autorizado a&#8221;. Outrora era complexa a malha das legitimações que nos permitiam ter acesso ao concorrido espaço mediático. Tínhamos de começar por tarefas modestas, agora uma recensão a um livrinho sem importância, agora um acontecimento musical, agora a reportagem de uma viagem às Maldivas. Pouco a pouco ia-se pondo à prova a capacidade de escrita, mas sobretudo mostrava-se que a nossa escrita podia ter leitores. Passávamos a uma colaboração regular e daí a uma presença assídua e responsável. O autor ia aos poucos estabelecendo um pacto de confiança com os leitores. Tinha reacções por carta ou mesmo na rua, recebia correspondência, influenciava as vendas dos livros ou discos, contribuía para encher as salas de cinema. O momento mais compensador tem a ver com o facto de nos atribuírem um glorioso papel justiceiro: o senhor, que escreve nos jornais, tem de escrever sobre esta escandaleira! </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Os blogues passam por cima de tudo isto e entra-se de imediato nas matérias. Não é preciso articular muito bem os textos. Pode ser uma observação verrinosa, um comentário sardónico. Pode usar toda a agressividade que quiser, porque isso faz parte das regras do jogo. É possível que se esteja a formar uma nova forma de intervenção ou novos processos de produção e exposição do pensamento. É possível que seja um mero fenómeno de moda e que mais tarde possamos dizer: houve um verão em que só se falava em blogues, lembram-se? Mas é um facto que surgiu um novo dispositivo, uma nova maneira de participar na cena pública, um novo tom, uma outra energia. Para quem acredita que o lugar onde se escreve condiciona o que se pensa e escreve isto pode ser um verdadeiro acontecimento&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: justify;">[799]</p>
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