Memória (I)
Porque é frágil a memória dos homens e para que, com o tempo, não caiam no esquecimento os feitos dos mortais, nasceu o remédio da escrita para que, por meio dele, os factos passados se conservem como presentes para o futuro. *



O que é a memória?
As definições de memória falam-nos da função ou capacidade de captar, gravar/reter, armazenar/arquivar, classificar e, num segundo tempo, evocar/recuperar informação.
Em termos gerais, e de forma subjectiva, uma faculdade cognitiva de recordação ou lembrança.
Dizem-nos também que não existe uma única memória genérica, mas sim várias dimensões da memória, decorrendo de diferentes fontes / estímulos, desde os associativos, aos emocionais, passando pelos conceptuais.
E, noutro prisma, (i) Memória de procedimentos, entendida como a capacidade de reter e processar informações não verbalizadas, de que será um dos exemplos mais cabais “aprender a andar de bicicleta”; e (ii) Memória declarativa, associada à capacidade de verbalizar determinado facto, compreendendo vertentes diversas:
memória sensorial (tempo médio de percepção de um estímulo pelos nossos órgãos sensoriais, de 3 a 5 décimos de segundo) – visual ou auditiva (também passível de captação via outros sentidos);
memória de curto prazo, imediata, objecto de solicitação a todo o instante, permitindo reter – até durante um período de algumas dezenas de segundos – até cerca de 7 elementos distintos; e
memória de longo prazo, de cariz permanente (virtualmente, durante toda a vida) – contrariamente às anteriores, em que a informação percepcionada é rapidamente esquecida ou apagada –, com uma considerável capacidade de retenção ou armazenamento mental, a qual é depositária das nossas lembranças e aprendizagem, permitindo tirar proveito das experiências vivenciadas.
A memória, assim considerada como base do conhecimento, necessita portanto ser trabalhada / estimulada, facultando também a partilha entre indivíduos com essas vivências comuns, permitindo dessa forma a transmissão de experiências e valores entre gerações.
* Arenga de 1260 (Viseu, Arquivo do Museu de Grão Vasco, PERG / 08)






Janeiro 13th, 2009 at 23:06
[...] dentro de pouco tempo. Enquanto isso, pode revisitar a Memória, nos três textos já publicados (I, II e [...]