LÍNGUA PORTUGUESA: SUBSTRATOS CELTAS
“Muito antigas e muito profundas foram as influências dos celtas na Ibéria. […]
Vindos do Sul da Germânia, penetraram na Hispânia depois de haver dominado as Gálias. Apareceram primeiramente na Catalunha e daí se expandiram por todo o território. Guerreiros e agricultores, encontraram, certamente, resistência, procurando fixar-se nas montanhas, nas elevações do terreno onde fosse mais fácil a defesa.
Os topónimos revelam esta preocupação, encerrando a palavra briga, fortaleza, sego, vitória, dunum, mais ou menos aldeia, burgo e bona, cidade. A Lusitânia enumera Conimbriga (Coimbra), Brigantium (Bragança), Caladunum (Cala, em Trás-os-Montes), Ebora (Évora), Lisbona (Lisboa).
No vocabulário geral não é menor a contribuição dada por este povo: camisa (camisa), saio, saia (sagum), cabana (cappana), cerveja (cerevisia), légua (leuca), salmão (salmo), carro (carrus), carpinteiro (carpentarius), brio (brigos), vassalo (vassalus), arar (ara, planície), tona (pele, casca dos frutos, superfície dos líquidos), manteiga (mantica), parra, parreira, bragas (bracae), caminho (caminum), gato (cattus), cavalo (caballus), calandra, bico, camba, gamba (camba), trado (taratru), lança (lancea), palanfreneiro, de paraveredus através da fonética provençal, Epona, Eponina, a deusa dos cavalos, calhau, teixo, etc.”.
Francisco da Silva Bueno, “A Formação Histórica da Língua Portuguesa”, 2ª ed. (1958)





