“POLÍTICA À PORTUGUESA”
Temos assistido em Portugal nos últimos 6 meses a um conjunto variado de invulgares situações que retratam bem as originalidades da “Política à Portuguesa”:
- desde um Primeiro-Ministro que, a meio do seu mandato, decide enveredar por outra via;
- a um sucessor por “herança”;
- passando pelas sucessivas hesitações do Presidente da República na tomada de decisão sobre o empossar ou não esse novo Governo;
- prosseguindo com o episódio da suspensão da intervenção televisiva do principal comentador político do país;
- culminando (?) com uma decisão presidencial de dissolução da Assembleia da República e manutenção do Governo em funções;
- a que se seguiu a “estranha” aprovação de um Orçamento para 2005;
- tanto mais “estranha” quanto o Governo se demitiria poucos dias depois…
…Mas o facto mais inédito de todos estava ainda para vir, e chegou ontem: uma coligação de partidos separados, ou o primeiro “divórcio” em que os “divorciados” marcam, desde já, uma nova “data de casamento”; por razões de táctica eleitoral, o PSD e o CDS-PP entenderam apresentar-se às eleições em listas separadas, ao mesmo tempo que assinavam um putativo “protocolo de governo” para o dia imediato às eleições. Ou como o partido mais votado nas últimas eleições assume, à partida, que não tem por objectivo atingir a maioria absoluta! Ou, provavelmente, assumirá que será melhor perder sozinho do que perder coligado.
Matéria de estudo infindável para os constitucionalistas portugueses…
[1882]





