Archive for 10 Dezembro, 2004

RICARDO REIS – POESIA

“Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De arvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Eguaes a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dôr nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ella nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos Deuses.

Mas serenamente
Imita o Olympo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.”

1 – 07 – 1916

“Não consentem os deuses mais que a vida.
Tudo pois refusemos, que nos alce
A irrespiráveis pincaros,
Perennes sem ter flores.
Só de acceitar tenhamos a sciencia,
E, emquanto bate o sangue em nossas fontes,
Nem se engelha comnosco
O mesmo amor, duremos,
Como vidros, ás luzes transparentes
E deixando escorrer a chuva triste,
Só mornos ao sol quente,
E reflectindo um pouco.”

17 – 07 – 1914

“Vivem em nós innumeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou sòmente o logar
Onde se sente ou pensa.

Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indifferente a todos.
Faço-os callar: eu fallo.

Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada dictam
A quem me sei: eu escrevo.”

13 – 11 – 1935

[1902]

10 Dezembro, 2004 at 6:18 pm

"BLOGOSFERA" EM 2004 (X)

Por esses dias de Abril, surgia a debate um polémico slogan (oficial) referindo que Abril era “Evolução” (deixando cair o R, de “Revolução”), com a blogosfera a dar uma clara resposta, mostrando a sua grande dinâmica, com textos muito bons, nomeadamente os de:

- Rui Tavares (Barnabé)

- Paulo Querido (O Vento Lá Fora – ver também aqui)

- Luís Ene (Ene Coisas)

- Luís Rainha no (Blogue de Esquerda – ver também aqui)

- e ainda este de José Mário Silva

- leia-se também a Internet para as Domésticas

- e, a terminar, esta “entrada” do genial Ricardo Araújo Pereira (Gato Fedorento), a 13 de Abril:

“ABRIL PARA TODOS: Não me surpreenderei se a revolução for perdendo letras todos os anos. Este ano, caiu o “r” (ou, para o ministro Morais Sarmento, mentor da ideia, o “g”). Ficou “evolução”, porque a palavra “revolução” maça a direita. Mas “evolução” também não me parece consensual. Os católicos criacionistas, por exemplo, nunca foram à bola com a evolução. Para eles, o 25 de Abril foi certamente criado por Deus. Mais: eles levam a mal que se lhes diga que as coisas são produto de um processo evolutivo. Já com aquela história dos macacos ficaram muito indispostos. Mais vale tirar o “e”. Para o ano, será: “Abril é volução”. É um bocado estranho, mas faz tanto sentido como o slogan deste ano.”

Há 1 ano no Memória Virtual – Solidariedade – Fundação do Gil

[1901]

10 Dezembro, 2004 at 8:19 am 4 comentários


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