Archive for 8 Dezembro, 2004

ALBERTO CAEIRO – O GUARDADOR DE REBANHOS

“Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.

Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janella.

Mas a minha tristeza é socego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ella dar por isso.

Como um ruido de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.

Só tenho pena de saber que elles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.

Pensar incommóda como andar á chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.

Não tenho ambições nem desejos.

Ser poeta não é uma ambição minha.

É a minha maneira de estar sòsinho.

E se desejo às vezes,
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),
É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silencio pela herva fóra.

Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo d’um outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas idéas,
Ou olhando para as minhas idéas e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não comprehende o que se diz
E quer fingir que comprehende.

Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapeu largo
Quando me vêem á minha porta
Mal a diligencia levanta no cimo do outeiro.

Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé dúma janella aberta
Uma cadeira predilecta
Onde se sentem, lendo os meus versos.

E ao lerem os meus versos pensem
Que sou cousa natural -
Por exemplo, a arvore antiga
Á sombra da qual creanças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.”

8 – 03 – 1914

[1898]

8 Dezembro, 2004 at 6:15 pm

"BLOGOSFERA" EM 2004 (VIII)

A 11 de Março, é comunicado o final do “Desejo Casar“; algum tempo depois (a 8 de Julho), nasceria o “Esplanar“, agrupando, entre outros, dois membros do antigo “Desejo Casar”.

A 13 de Março, era anunciado o lançamento do livro de Rebecca Blood, “O Livro de Bolso do Weblogue

“Rebecca Blood: já saiu o livro

Já foi publicado o livro de Rebecca Blood intitulado “Livro de Bolso do Weblogue”, segundo a Campo das Letras que se encarregou de o traduzir (a informação da Editora refere sempre “Livro de Bolso DA Weblog”, mas suponho que será lapso. Refere ainda uma definição de weblogs que é, no mínimo, original: “Os Weblogues, actualizados regularmente, produzidos de forma independente e curiosamente viciantes, são hoje os sítios mais populares da Web”).”

A 13 de Março, Paulo Querido destaca, em artigo publicado na revista “Única”, do “Expresso”, “Os Blogues do Interior” (ver também em entrada estendida).

A 18 de Março, inicia-se o Olissipo, um “blogue” que tem por temática Lisboa.

A 24 de Março, Pedro Lomba regressa à blogosfera, com a criação, juntamente com Francisco José Viegas e Pedro Mexia, do “Fora do Mundo“, um pouco o “regresso às origens” da blogosfera.

Há 1 ano no Memória Virtual – Solidariedade – Abraço
(more…)

8 Dezembro, 2004 at 8:03 am


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