Leonel Vicente
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Archive for Agosto, 2003


REVISTA(s) DA SEMANA

Visão 

Ao contrário do que havia defendido anteriormente, o juiz Rui Teixeira decidiu aceitar o pedido do Ministério Público para que a inquirição para memória futura das testemunhas do processo Casa Pia seja feita através de videoconferência. Os advogados de defesa não gostaram. 

João Cravinho: Guterres às europeias! 

Iraque: um português no centro do mundo. 

Pelo menos 82 pessoas morreram e 229 ficaram feridas no atentado com uma viatura armadilhada perpetrado sexta-feira em frente ao mausoléu do imã Ali, em Najaf, no Sul do Iraque. Entre os mortos conta-se o líder espiritual da Assembleia Suprema da Revolução Islâmica, o ayatollah Mohamed Baqr al-Hakim. 

Economist (29 Agosto) 

Discussão sobre o desastre do vaivém, passados seis meses: “a NASA deveria focalizar-se mais nos aspectos científicos, incluindo futuras “expedições” a Marte e deixar os aspectos mais rotineiros das viagens espaciais à indústria privada”

Também em análise, os (inadequados) esforços da indústria cinematográfica contra a pirataria digital. 

New York Times Magazine (31 Agosto) 

A propósito do filme “Lost in Translation”, o amável perfil da realizadora Sofia Coppola, por Lynn Hirschberg: “I’m used to people not expecting much from me” diz a filha de Francis Ford; rodeando-se de amigos multi-talentosos, Sofia sabe como conseguir que as coisas resultem à sua maneira. 

Porque é que grande parte do mundo vê em Israel um condicionante da política externa americana? Uma perspectiva histórica, por Ian Buruma. 

Newsweek (1 Setembro) 

O ataque às instalações das Nações Unidas em Bagdade da última semana veio colocar questões sobre a segurança do pós-guerra (“So What’s Plan B?”). 

Fareed Zakaria defende que os EUA necessitam apoiar a estabilização e reconstrução do Iraque: “devemos dar autoridade formal às Nações Unidas para a reconstrução do país e deixar que seja a NATO a assegurar as forças militares“. 

The New Yorker (1 de Setembro) 

Os residentes da cidade, já ensombrados pelo terrorismo e pela “escuridão” poderão não querer ler esta peça sobre o sistema de água de Nova York. Se o fizerem, ficarão a saber que toda a água consumida na cidade aí chega através de dois enormes túneis, ambos em reparação, sendo que o novo túnel que os substituirá não estará concluído antes de 2020. 

Adam Gopnik entrevista dois franceses “anti-anti-Americanos”, os quais, defendendo o comportamento americano no Iraque, “são forçados a definir um novo tipo de liberalismo internacional“. 

Time (1 Setembro) 

O ataque às instalações das Nações Unidas em Bagdade da última semana veio colocar questões sobre a segurança do pós-guerra (“Are We Stretched Too Thin?”). 

Sobre o envio de mais tropas para o Iraque, de acordo com a Time, embora a força militar norte-americana que invadiu o Iraque fosse relativamente reduzida, a América vê-se limitada quando é necessário ter “equipas de limpeza”, polícia militar, especialistas em assuntos civis, unidades de engenharia e todos os restantes grupos de manutenção de paz, em todos os territórios ocupados. Em entrevista, Rumsfeld mostra preocupação: a polícia militar americana é composta quase exclusivamente por reservistas, muitos dos quais incomodados com as frequentes chamadas ao serviço. 

Ainda na Time, Charles Krauthammer refere a seguinte “alternativa”: “ameaça de retirada das tropas americanas em lugares como os Balcãs, excepto se outros países se disponibilizem também a enviar forças para apoio no Iraque“. 

Weekly Standard (1 e 8 Setembro) 

O editorial de Robert Kagan e William Kristol “implora” à administração Bush que mobilize financiamento, tropas e recursos para o Iraque: “O fracasso no Iraque seria um golpe devastador para todas as esperanças que os EUA mantêm e se devem concretizar no Médio Oriente“. 

Kristol salienta também que, nas eleições presidenciais de 2004, “estará mais em jogo em termos de direcção do país do que em quaisquer eleições desde 1980, ou talvez desde 1964”. 

Pode ver mais aqui.

[203]

CURIOSIDADE

Porque hoje é domingo, mais um “quizz”:

Porque é que os aviões a jacto deixam marcas no céu?

“Por causa do rápido arrefecimento dos gases provenientes da combustão dos motores; o vapor de água desses gases transforma-se rapidamente em cristais de gelo, deixando trilhos de condensação.”

OS “BLOGUES” NA VIDA ACADÉMICA

E, claro, os “blogues” chegaram à  “vida académica”: começando pelo “blogue” de um professor de matemática(“blogue” de orientação pedagógica, tendo por objectivo a criação de uma “ligação” aos seus alunos), passando pelo do “Director da escola“, prosseguindo por uma “cadeira” de introdução aos “blogues” (na Universidade de Tecnologia de Troyes) e culminando numa tese de doutoramento (capí tulo designado por “Personal knowledge publishing” – vidé, em particular, p. 32 e seguintes) de um também “bloguista“. 

[202]

1922 – ATLÂNTICO SUL

“No hidroavião “Lusitânia”, Gago Coutinho e Sacadura Cabral realizam a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, entre Lisboa e Rio de Janeiro.” 

[201]

1922 – MARCHA SOBRE ROMA

“Militantes fascistas iniciam a Marcha sobre Roma e ocupam a cidade. A 31 de Outubro, Benito Mussolini, o Duce, é empossado, pelo rei Vítor Emmanuel III, na chefia de um governo fascista.” 

[200]

OS DESAFIOS DE ANGOLA

Ainda a propósito de Angola, aqui ficam alguns extractos de artigo de Boaventura de Sousa Santos, na “Visão” de 21.08.03: 

“… Identifico quatro desafios principais. 

O primeiro é o da desigualdade social. Angola é um país riquíssimo e a esmagadora maioria do seu povo vive na miséria. A guerra serviu até agora para encobrir que nas desigualdades reside uma das mais persistentes continuidades entre a Angola colonial e pós-colonial. 

… 

O segundo desafio é o da construção de um Estado democrático, eficiente e íntegro. Também aqui é pesada a herança do Estado colonial mas ela está longe de explicar tudo. 

… 

O terceiro desafio é o da construção de um modelo político social e cultural genuinamente angolano, um modelo que assuma o legado cultural do país (muito dele preexistente ao colonialismo) e o faça de maneira não tradicionalista, ou seja, em nome de uma racionalidade mais ampla que a ocidental e de uma modernidade menos imperial e mais multicultural do que a imposta pelo colonialismo e pela globalização neoliberal. 

Finalmente, o quarto desafio é o da reconciliação nacional, cujas tarefas são particularmente exigentes em Angola porque não respeitam só à reconciliação entre os inimigos da guerra civil, mas também ao fraccionismo que quase desde a sua fundação caracterizou o MPLA…”. 

[199]

“BLOGUES AFRICANOS”

Não sendo muito o tempo disponível para pesquisas, a verdade é que não identifiquei ainda muitos “blogues” africanos de expressão portuguesa. 

innersmile “indica que há “livejournals” em Angola (129), Cabo Verde (67), Guiné-Bissau (13) e Moçambique (37); os poucos que investiguei, para falar com franqueza, não percebi a ligação aos países de origem! e não encontrei nenhum com interesse suficiente para fazer voltar.” 

Posso portanto (para já) destacar apenas o Bazonga da kilumba e o “blogue” de uma brasileira em Angola (patyangola). 

Deixo ainda alguns links de interesse: sobre o kimbundo; o site da NetAngola e do Jornal de Angola

Já anteriormente, tinha deixado referência aos “blogues” africanos premiados nos “blogues d’or”: Alors s’il vous plait, je vous en prie e hou-hou blog (um tunisino no Canadá); o primeiro (Widad Bouamama), recomenda-me os seguintes “blogues” (principalmente de origem “magrebina”): le blog de zeemzoom, franco-argelino; o blog de maitre wong, franco-marroquino; e outros: fantaises solitaires (tunisino); rêves maeviens e o je blog.

P.S. Noutra área / noutro continente (voltando ao Iraque), referência para o Where is Raed (“blogue” de Salam Pax – outra visão do Iraque – “uma sensação na Internet; o seu diário durante a Guerra do Iraque “The Bagdad Blog” tornou-se um fenómeno mediático global – será publicado em Setembro pela Guardian Books”). 

[198]

FUTUROS MEMBROS DA UNIÃO EUROPEIA – ESLOVÁQUIA (V)

As terras férteis do vale do Danúbio são aproveitadas para o cultivo de cereais e tubérculos. 

Florestas de coníferas, cobrindo ainda cerca de 40 % do território, alimentam a indústria madeireira. 

A economia é ainda pouco competitiva no mercado internacional e carente de investimentos externos, fragilidades que contribuem para uma elevada taxa de desemprego. 

O Hino Nacional eslovaco “Nad Tatrou sa blyská” (Tempestade sobre os Tatras) foi escrito no século XIX, correspondendo o seu início à antiga segunda parte do hino da Checoslováquia. 

Andy Warhol, iniciador da “Pop-Art” e um dos mais famosos artistas do século XX, nascido nos EUA, é descendente de pais eslovacos. 

A fechar esta breve “viagem” pela Eslováquia, alguns dados estatísticos de carácter sócio-económico: PIB “per capita”, 11 960 euros; Taxa de inflação, 7,3 %; Taxa de desemprego, 19,3 %; número de automóveis por 100 habitantes, 44; número de telemóveis por 100 habitantes, 40; número de utilizadores de Internet por 100 habitantes, 12,5. 

P.S. Dado que o anterior link não se encontrava “operacional”, deixo novamente remissão para esta “entrada“, a propósito dos “blogues” que vão desaparecendo… 

[197]

1921 – INSULINA

“É descoberta no Canadá e, no ano seguinte, são aplicadas as primeiras injecções em diabéticos.” 

“Notícias do Milénio”, publicação dos jornais do “Grupo Lusomundo”, Julho de 1999 

[196]

1921 – CRIAÇÃO DA BCG

“Os bacterologistas franceses Calmette e Guérin criam a BCG, vacina preventiva da tuberculose.” 

[195]

FUTUROS MEMBROS DA UNIÃO EUROPEIA – ESLOVÁQUIA (IV)

A República da Eslováquia, pequeno país, situado no “coração da Europa”, no cruzamento de estradas entre o Leste e o Oeste europeu – conforme a letra de uma canção de folclore, “entre as montanhas Tatra e o Rio Danúbio” –, é habitada por menos de 5 milhões e meio de pessoas (86 % de eslovacos; 11 % de húngaros; 2 % de ciganos). 

É um país interior, sendo portanto todas as suas fronteiras terrestres, sendo o país rodeado por: República Checa, Áustria, Hungria, Ucrânia e Polónia. 

As principais cidades são: Bratislava (450 000 habitantes), Kosice (240 000), Presov (95 000), Nitra (88 000), Zilina (87 000) e Banska Bystrica (85 000). 

A maior parte do país é acidentado e montanhoso; as montanhas Tatra (cujo pico mais elevado é o Gerlachovsky), no Norte, reúnem algumas das estações de esqui mais visitadas no país, sendo intercaladas por típicos lagos e vales. 

Os montes Cárpatos ocupam a maior parte do território da Eslováquia, formando uma barreira natural entre as planícies da Polónia (ao Norte) e da Hungria (ao Sul). 

No sudoeste – região em que se localiza a capital, Bratislava –, as montanhas dão lugar às planícies do vale do Rio Danúbio, que liga a Eslováquia à Áustria e ao Mar Negro, sendo ainda a região atravessada pelos rios Movara e Vah. 

A Eslováquia tem mais de 2000 cavernas e inúmeros castelos, para além de cerca de 40 estâncias termais. 

[194]

FIM DOS “BLOGUES”

Na sequência da tendência actual de “desaparecimento de blogues” (Guerra e Pás, Flor de obsessão, Posto de escuta, …), vidé esta “entrada“. 

[193]

1920 – SOCIEDADE DAS NAÇÕES

“Criada pelo Tratado de Versalhes para garantir a paz e a segurança no mundo, é constituída por representantes de 42 nações. A recusa dos EUA de integrarem a organização condena-a, no entanto, à ineficácia.”

[192]

1920 – RADIODIFUSÃO

“Os primeiros programas de rádio são emitidos nos EUA.”

[191]

FUTUROS MEMBROS DA UNIÃO EUROPEIA – ESLOVÁQUIA (III)

No dia 1 de Janeiro de 1993, foi então criada a República da Eslováquia, independente pela primeira vez em treze séculos. A República Checa e a Eslováquia assinaram acordos que estabelecem uma união aduaneira, bem como uma total liberdade de circulação de capitais e bens.

Em 1995, a Eslováquia e Hungria assinaram um tratado que reconhece fronteiras e dá garantias às minorias étnicas nas duas nações. Não obstante, em Novembro, 600 mil húngaros residentes na Eslováquia protestam contra uma lei que institui o eslovaco como única língua oficial, exigindo maior autonomia cultural.

Na Cimeira da Organização de Segurança e Cooperação Europeia, realizada em Lisboa em 1996, o presidente Michal Kovac apresenta um relatório sobre as deficientes estruturas democráticas do país, criticando severamente o Governo (de Vladimir Meciar) e afirmando ser a situação na Eslováquia ainda provisória, reforçando a ideia da adesão à NATO e à União Europeia.

Em 1998 e 1999, foram eleitos novos primeiro-ministro e Presidente; em 2000, foi iniciado o processo de negociações com a Comissão Europeia, tendente à adesão do país à União Europeia.

[190]

1919 – COMPENSAÇÕES DE GUERRA

“Pela participação na I Guerra Mundial, Portugal recebe o território de Quionga (Moçambique), sob ocupação alemã desde 1894.” 

[189]

1919 – IRLANDA

“O Sinn Fein (movimento independentista republicano de matriz católica) organiza o Parlamento irlandês e proclama a República da Irlanda. Começam os combates entre forças britânicas e nacionalistas irlandeses.” 

[188]

FUTUROS MEMBROS DA UNIÃO EUROPEIA – ESLOVÁQUIA (II)

Com a derrota nazi na II Guerra Mundial, em 1945, o exército soviético, incluindo contingentes checoslovacos, ocupa o País; os eslovacos concordam então em recriar a Checoslováquia com base na absoluta igualdade entre os dois povos. 

Em 1948, com os comunistas no poder, a Eslováquia volta a ser submetida a um Estado centralizado sob a hegemonia checa e, a partir daí, torna-se um estado-satélite de Moscovo. 

Em 1955, a Checoslováquia torna-se membro do Pacto de Varsóvia. O regime comunista silencia as reivindicações de autonomia, que só voltam a despertar em 1967 com as reformas liberalizantes do secretário-geral do Partido Comunista, Alexandre Dubcek, um eslovaco. Contudo, em 1968, a ocupação soviética põe termo à denominada “Primavera de Praga”. 

Em 1989, checos e eslovacos participam na chamada “Revolução de Veludo”, assim designada dada a forma “suave” como decorreram o derrube do regime e o restabelecimento da democracia. 

No ano de 1990, os principais líderes da Eslováquia começam a reivindicar maior autonomia. A Assembleia Federal altera o nome do país para República Federal Checa e Eslovaca e Vaclav Havel é eleito para um segundo mandado de dois anos. 

Com a vitória nas eleições, em 1992, de Vladimir Meciar, um partidário da separação, tal é interpretado como um voto pelo fim da Checoslováquia. 

[187]

1918 – GRIPE ESPANHOLA

“Epidemia das mais devastadoras do século, tem origem no Kansas (EUA) e propaga-se à Europa e ao mundo através dos soldados americanos mobilizados para a I Guerra Mundial. Mata mais de 21 milhões de pessoas. O seu sobrenome advém-lhe da mortandade que causa em Espanha.” 

[186]